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Hyundai cresceu mais do que qualquer montadora nos EUA; e ainda promete mais

Publicado 26/08/2026 • 12:27 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • A Hyundai Motor apresentou forte crescimento nos EUA desde o início da década, apesar das mudanças geopolíticas e da desaceleração do mercado automotivo em geral.
  • A montadora sul-coreana quer manter esse ritmo ampliando a produção em uma nova fábrica de US$ 7,6 bilhões na Geórgia para conquistar mais vendas e participação de mercado.
  • A empresa se tornou a quarta montadora mais vendida no país e ampliou seu portfólio, com modelos Kia e Hyundai na faixa de US$ 20 mil até carros de luxo Genesis que podem superar US$ 100 mil.

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Hyundai amplia participação nos EUA com investimentos de US$ 26 bilhões, novas fábricas e expansão de marcas, incluindo a Genesis.

O CEO da Hyundai Motor, José Muñoz, sorriu e assentiu enquanto outro executivo da montadora explicava a filosofia “mueos-ideun ganeunghada” durante a apresentação do novo SUV topo de linha Genesis GV90. O termo significa “tudo é possível” em coreano. É um mantra para a montadora sul-coreana que se mostrou verdadeiro tanto para as ambições da empresa nos Estados Unidos quanto para o próprio Muñoz, cidadão com dupla nacionalidade espanhola e americana e o primeiro executivo não coreano a comandar a montadora.

A Hyundai apresentou forte crescimento nos EUA desde o início desta década, apesar de uma série de mudanças geopolíticas e da desaceleração do mercado. E a empresa espera manter esse ritmo. A montadora está ampliando a produção em uma nova fábrica de US$ 7,6 bilhões na Geórgia para continuar conquistando vendas e participação de mercado.

“Minhas três principais prioridades são os EUA”, disse Muñoz à CNBC durante uma entrevista na semana passada, após a apresentação do Genesis. “Os EUA estão nos ajudando a avançar bastante, não apenas no mercado mais importante e competitivo do mundo, mas também em outros lugares.”

O Hyundai Motor Group, que reúne as marcas Hyundai, Kia e Genesis, aumentou sua participação no mercado americano mais do que qualquer outra grande montadora nesta década, segundo dados da Mobility Global.

O grupo elevou sua participação de mercado nos EUA de 8,4% em 2020 para 11,2% no ano passado, enquanto as vendas cresceram 50% no período, tornando a empresa sul-coreana a quarta montadora mais vendida do país. A participação chegou a 11,8% no primeiro semestre deste ano, segundo a empresa de inteligência automotiva Mobility Global.

Nenhuma outra grande montadora chegou perto desse ganho de participação de mercado, com a maioria registrando estabilidade ou queda no período. A fabricante de veículos elétricos Tesla, com aumento estimado de 2,1 pontos percentuais de participação, é a única que se aproxima, segundo a Mobility Global.

O desempenho da Hyundai nos EUA ajudou a empresa a se tornar a terceira maior montadora do mundo em vendas e a segunda mais lucrativa em termos de lucro operacional, afirmou Muñoz.

O presidente executivo do Hyundai Motor Group, Euisun Chung, minimizou a velocidade do avanço da empresa em entrevista à CNBC na semana passada.

“É importante, mas a velocidade não importa. O que importa é como crescemos da maneira certa. Acho que isso é mais importante.”

Os investidores, no entanto, perceberam o crescimento. As ações da companhia na Bolsa da Coreia acumulam alta de quase 250% desde 2020.

Plano de US$ 26 bilhões da Hyundai nos EUA

A Hyundai espera manter o crescimento com um plano de investimentos de US$ 26 bilhões até 2028, que pode incluir a transformação de sua nova fábrica na Geórgia, a Metaplant, na maior unidade de montagem de veículos do país.

Muñoz disse à CNBC que a companhia avalia aumentar a capacidade prevista da fábrica de 500 mil veículos para entre 700 mil e 800 mil unidades até 2028. Atualmente, a unidade produz os modelos totalmente elétricos Hyundai Ioniq 5 e Ioniq 9, além do Kia Sportage híbrido. Outros veículos devem ser adicionados nos próximos anos.

A meta é que a Hyundai produza pelo menos 80% dos veículos vendidos nos EUA dentro do próprio país até o fim desta década, ante cerca de 40% em 2024.

“Para isso, precisamos adicionar mais capacidade. Estamos ampliando a produção o mais rápido que podemos”, afirmou Muñoz.

O investimento é o maior da história da Hyundai nos EUA e faz parte do objetivo da companhia de elevar suas vendas globais para 5,55 milhões de veículos no âmbito do plano “Bold 2030 Vision”, apresentado por Muñoz no ano passado durante o primeiro dia do investidor da empresa realizado nos EUA.

O plano prevê aumentar as vendas em cerca de 35% até 2030, em relação ao ano passado. A estratégia inclui a entrada em novos mercados globalmente, tendo os EUA como base para a continuidade do crescimento lucrativo.

Muñoz reafirmou essas metas na quarta-feira, durante o CEO Investor Day 2026 da companhia, incluindo o objetivo de alcançar uma participação de 6% no mercado global para Hyundai e Genesis.

Muñoz afirmou na semana passada que as tarifas do presidente Donald Trump, incluindo a alíquota de 15% sobre veículos sul-coreanos, contribuíram para acelerar os planos de produção da empresa nos EUA.

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“As tarifas estão ajudando a acelerar nosso plano de localização. É muito simples. O bom é que já havíamos começado antes do anúncio das tarifas. De certa forma, isso está nos ajudando a acelerar.”

A fábrica da Geórgia é fundamental para a Hyundai e a Kia, que aumentaram suas vendas nos EUA em cerca de 45% desde 2020.

“Esta década foi marcada por uma transformação da marca, e o crescimento foi fenomenal. Nós realmente transformamos tudo”, afirmou Eric Watson, vice-presidente de operações de vendas da Kia America, em entrevista. “Continuamos planejando crescer.”

Os planos de expansão da Kia incluem elevar as vendas nos EUA para 1,02 milhão de veículos até 2030, segundo o CEO da companhia, Ho Sung Song, afirmou no início deste ano.

A estratégia deve ser apoiada pela entrada da Kia no segmento de picapes e por SUVs mais robustos, conhecidos como veículos de construção “body-on-frame”, nos quais a carroceria é montada sobre um chassi separado.

“Acreditamos que esse é um segmento importante para estarmos presentes, com um veículo ou caminhão body-on-frame. Será uma peça importante da nossa estratégia de crescimento e esperamos anunciar mais detalhes no futuro”, disse Watson.

A Hyundai também planeja adicionar veículos desse tipo, incluindo uma picape de porte médio. No início deste ano, a empresa apresentou o conceito de um veículo robusto chamado Boulder, que pode resultar em capacidade adicional de produção nos EUA para modelos com construção body-on-frame.

“É um território novo e inexplorado para nós. Estamos sempre avaliando as oportunidades que temos no mercado”, afirmou Muñoz.

Do “barato” ao luxo: o valor como estratégia

A Hyundai entrou no mercado americano em 1986, seguida pela Kia em 1993, oferecendo opções mais baratas do que as disponíveis para consumidores americanos nas montadoras dos EUA e buscando competir com empresas japonesas em crescimento, como a Toyota Motor.

Desde então, executivos da Hyundai afirmam que diversas transformações — da reformulação de qualidade e design até logotipos e showrooms das concessionárias — levaram as marcas à posição atual, com uma estratégia baseada em qualidade e valor.

“Kia e Hyundai são realmente boas em oferecer mais no veículo do que o consumidor espera, considerando o preço que ele está pagando”, disse Stephanie Brinley, diretora associada da área de inteligência automotiva da Mobility Global. “Não se trata de ser um ‘carro barato’. É simplesmente conseguir oferecer um pouco mais do que o esperado.”

Muñoz atribuiu o sucesso da Hyundai ao foco no consumidor e à capacidade de surpreender compradores, muitos deles novos clientes da marca, com os recursos e funcionalidades de seus veículos. Ele também destacou que o alcance global da Hyundai — que também possui siderúrgicas e outros fornecedores — é fundamental para o avanço da empresa.

“Determinamos que ser competitivo é um elemento fundamental para o consumidor americano. Portanto, entendemos plenamente a questão da acessibilidade e a aplicamos. Queremos oferecer ao cliente o produto certo, os recursos certos pelo preço adequado”, afirmou.

Esse “nível adequado” de preço vem se ampliando para a montadora nos EUA. A companhia continua vendendo veículos de entrada na faixa de US$ 20 mil nas marcas Kia e Hyundai, enquanto amplia as vendas nos segmentos superiores. Já a marca de luxo Genesis possui modelos que chegam a US$ 100 mil ou mais.

A Hyundai afirmou na quarta-feira que planeja realizar mais de 100 lançamentos e atualizações de veículos das marcas Hyundai e Genesis até 2030, sendo 58 deles na América do Norte. A empresa também aumentará significativamente sua oferta de veículos eletrificados, incluindo híbridos de autonomia estendida.

A Genesis, lançada há uma década nos EUA, apresentou crescimento particularmente rápido e se tornou, segundo a companhia, a marca de luxo que chegou mais rapidamente à marca de 1 milhão de veículos vendidos globalmente.

Executivos descreveram o novo SUV topo de linha GV90, incluindo uma versão com portas do tipo “coach door” e bancos giratórios em estilo lounge, como um novo capítulo para a marca Genesis, reiterando que “tudo é possível”.

“Desde o início, o mundo prestou atenção à Genesis”, afirmou Tedros Mengiste, diretor de operações da Genesis North America, durante a apresentação do GV90, enquanto Muñoz assentia. “E hoje à noite vocês verão ‘mueos-ideun ganeunghada’, tudo é possível, ganhar vida.”

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