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IA e dados de saúde redesenham estratégias do varejo, diz William Valiante, sócio-líder da EY
Publicado 21/07/2026 • 21:40 | Atualizado há 47 minutos
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Publicado 21/07/2026 • 21:40 | Atualizado há 47 minutos
KEY POINTS
A próxima fronteira de crescimento do varejo estará menos na adoção isolada de novas tecnologias e mais na capacidade de usá-las para criar produtos diferentes, afirmou William Valiante, sócio-líder de varejo da EY na América Latina.
Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, o executivo disse que a inteligência artificial, os dispositivos vestíveis e as mudanças nos hábitos de saúde estão transformando a forma como consumidores pesquisam, escolhem e compram produtos.
“Sem dúvida, é preciso pensar em produto. Como usar tecnologia, novas tendências e inteligência artificial para revolucionar o produto. Eu realmente vejo que a próxima fronteira é um produto diferente”, afirmou.
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Valiante destacou que o alto nível de digitalização do Brasil cria condições favoráveis para a adoção de novas tecnologias no varejo.
Segundo ele, o celular continua sendo o principal ponto de acesso dos consumidores a canais digitais, serviços e ferramentas de inteligência artificial.
“Hoje vemos um Brasil totalmente digitalizado, com o celular na mão de quase todo mundo. Na média, temos mais de um celular por habitante”, disse.
O executivo afirmou que o país está acima da média global no uso de inteligência artificial e aparece próximo de mercados como Índia e China em capacidade de adoção.
Para as marcas, o desafio é transformar essa presença digital em valor econômico.
Segundo Valiante, a maior parte das empresas já utiliza inteligência artificial em algum nível, mas ainda encontra dificuldades para medir o retorno dos investimentos.
As iniciativas vão desde a automação de tarefas e a otimização de processos até a integração da tecnologia com sistemas, plataformas e equipes.
“Ainda existe um grande desafio sobre como capturar valor. E o valor está sempre nas duas pontas: como eu gasto menos e como eu ganho mais”, afirmou.
Na avaliação do executivo, o avanço dos assistentes de inteligência artificial também deve mudar a forma como os produtos são encontrados e comprados. Esses sistemas poderão pesquisar ofertas, comparar opções e realizar transações em nome do consumidor.
Esse cenário exigirá que as marcas adaptem informações, canais e estratégias para disputar não apenas a atenção das pessoas, mas também a recomendação dos algoritmos.
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Siga o Times | CNBCValiante afirmou que a busca por um estilo de vida mais saudável já provoca mudanças rápidas no consumo, especialmente dentro dos supermercados.
O aumento da procura por produtos ricos em proteína, por exemplo, abre espaço para novas categorias e para o desenvolvimento de alimentos alternativos.
“Estamos vendo pessoas mudando a forma de consumo dentro do supermercado para categorias mais proteicas, produtos baseados em proteína”, disse.
Segundo ele, a inteligência artificial também poderá ser utilizada no desenvolvimento de produtos e de novas formas de oferta de proteínas, inclusive alternativas à criação tradicional de animais.
As mudanças são reforçadas pelo uso crescente de medicamentos à base de GLP-1, que alteram o apetite e o comportamento alimentar, e por dispositivos capazes de monitorar sono, glicose, batimentos cardíacos e gasto calórico.
Relógios, anéis inteligentes e outros dispositivos vestíveis deixaram de ser acessórios de nicho e passaram a influenciar decisões cotidianas dos consumidores, afirmou Valiante.
Para o varejo, os dados gerados por esses equipamentos podem ajudar na construção de serviços e ofertas mais conectadas às necessidades de cada cliente.
“Essa informação vale muito. O varejo começa a pensar no ecossistema de como esses dados podem trazer benefícios para o consumidor e, claro, traduzir isso em resultado”, disse.
O executivo citou farmácias instaladas em supermercados e academias que lançam produtos próprios como exemplos de aproximação entre saúde, consumo e varejo.
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Valiante comparou o momento atual do varejo à transformação provocada pelos veículos elétricos na indústria automotiva.
Segundo ele, fabricantes chineses ganharam relevância quando deixaram de disputar apenas o mercado tradicional de automóveis a combustão e passaram a investir em uma categoria diferente.
“Em alguns segmentos, um novo produto pode mudar a onda”, afirmou.
Para o executivo, redes varejistas que planejarem os próximos 12 meses devem concentrar esforços na criação de produtos conectados a tecnologia, dados e novos hábitos de consumo, em vez de limitar a estratégia à digitalização das operações existentes.
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