TIMES | CNBC Parlatório Talks:”É uma grande realidade”, diz CEO da Prumo Logística sobre avanço do Porto do Açu como plataforma de infraestrutura, energia e indústria
Publicado
14/09/2026 • 22:07
| Atualizado há 46 minutos
A Prumo transformou o Porto do Açu em um ecossistema de logística, energia e indústria, com participação relevante nas exportações brasileiras de petróleo.
O complexo movimenta cerca de 6% do comércio internacional brasileiro e reúne operações portuárias, geração de energia e suporte à exploração de petróleo.
A estratégia de expansão inclui combustíveis de baixo carbono, novas indústrias, data centers e inteligência artificial para elevar a competitividade.
A Prumo Logística avança na transformação do Porto do Açu, no norte do Rio de Janeiro, em uma plataforma integrada de infraestrutura, energia e indústria, ampliando o papel de um complexo que começou com o conceito de porto-indústria e hoje reúne diferentes negócios conectados ao comércio internacional brasileiro, afirmou Rogério Zampronha, CEO da holding.
Em entrevista ao CNBC Parlatório Talks, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Zampronha destacou que o empreendimento se tornou um dos vetores de desenvolvimento econômico do Rio de Janeiro. Atualmente, cerca de 6% do comércio internacional brasileiro passa pelo complexo, que ocupa uma área de 130 quilômetros quadrados.
“Aquilo que era um sonho há 12 anos é uma grande realidade hoje”, ressaltou o executivo.
De porto-indústria a ecossistema de energia
O crescimento do Açu levou o empreendimento para além das atividades portuárias tradicionais. Zampronha define o complexo como um ecossistema que se tornou uma das bases relevantes do setor de energia na América Latina.
Entre os negócios está o terminal de petróleo da Vast, empresa do grupo responsável, segundo o CEO, por aproximadamente 35% de todo o petróleo exportado pelo Brasil. A Prumo também participa da Gás Natural Açu (GNA), complexo de geração térmica a gás natural com 3 gigawatts de capacidade.
O Porto do Açu abriga ainda uma grande base de suporte logístico à exploração de petróleo. Aproximadamente metade dos 130 quilômetros quadrados do complexo já está ocupada por atividades industriais e logísticas.
A infraestrutura também permitiu que o grupo respondesse ao aumento da demanda provocado pela reorganização dos fluxos internacionais de petróleo após o fechamento do Estreito de Ormuz. Zampronha relatou que planos de ampliação de capacidade já estavam preparados e puderam ser acelerados diante do novo cenário.
“A gente não tenta adivinhar o que vai acontecer. Nós criamos cenários diversos e, uma vez que a gente percebe que um desses cenários está se cristalizando, está se materializando, a gente puxa esse card e coloca em prática o que está lá”, detalhou.
A próxima etapa da expansão passa pela atração de atividades industriais capazes de aproveitar a infraestrutura já instalada no Açu. A estratégia da Prumo não é operar diretamente esses negócios, mas oferecer condições para que empresas desenvolvam seus projetos dentro do complexo.
Um dos projetos envolve a produção de HBI, produto de maior valor agregado derivado do minério de ferro. O porto recebe aproximadamente 26 milhões de toneladas de minério de alta qualidade produzido em Minas Gerais, transportadas por um mineroduto de 529 quilômetros.
“Na verdade, a gente agrega valor a um produto que era exportado apenas como commodity”, pontuou Zampronha.
O complexo dispõe ainda de uma área de 44 quilômetros quadrados para receber novas indústrias. Segundo o executivo, diferentes empreendimentos já estão em processo de instalação, formando um grande canteiro de obras dentro do porto.
Combustíveis verdes ganham espaço
A transição energética é outra frente de crescimento. Entre os projetos mais avançados está uma iniciativa de metanol verde com a HIF, companhia que tem a Porsche entre seus acionistas.
Zampronha destacou que o Brasil importa atualmente entre 90% e 95% do metanol utilizado na produção de biodiesel. O produto também pode ser empregado na cadeia química e convertido em combustíveis de baixo carbono, como gasolina, diesel e combustível sustentável de aviação.
“Eu acredito muito no metanol verde, principalmente por uma série de razões”, frisou o CEO, ao citar o potencial do combustível em diferentes cadeias produtivas.
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Para Zampronha, o Brasil reúne condições para assumir posição relevante nesse mercado, sobretudo por sua disponibilidade de biomassa. “Todo mundo fala do vento e sol brasileiro, mas a grande diferença do Brasil mesmo é a biomassa, muito mais que vento e sol”, observou.
O executivo considera que não há contradição entre manter investimentos em petróleo e gás e desenvolver projetos de baixo carbono. A receita e a infraestrutura da indústria tradicional podem, segundo ele, ajudar a financiar e viabilizar a transição para novas fontes.
“Esses dois mundos, o velho e o novo, têm que coexistir. E a gente tem a sorte de ter criado o ambiente mais propício para essa transição no mesmo local, ali no Porto do Açu”, enfatizou.
A inovação também se tornou parte da estratégia do complexo. O Porto do Açu mantém equipes de desenvolvimento de software, soluções com inteligência artificial e um ecossistema com mais de 50 entidades, entre startups, universidades e organizações de fomento.
Uma das prioridades é reduzir custos logísticos. Zampronha citou o impacto das filas em portos brasileiros: um navio parado durante 30 dias, com custo diário de US$ 30 mil, acumula US$ 900 mil apenas em despesas de espera, aproximadamente R$ 4,63 milhões pelas cotações desta segunda-feira.
Segundo o CEO, investimentos em radar, softwares e novas soluções permitem ao Açu operar sem as longas filas registradas em outros terminais. “Para nós, a inovação significa dar mais competitividade para os nossos clientes. E dessa forma a gente ganha o nosso espaço”, destacou.
A inteligência artificial já aparece em projetos voltados à melhoria de processos internos, criação de produtos e relacionamento com clientes. Zampronha, porém, considera que a tecnologia deve funcionar como ferramenta, e não como objetivo isolado.
“IA é muito importante, mas ela é um meio e não um fim em si. O fim em si é fazer com que o nosso cliente seja mais competitivo”, reforçou.
Energia ainda é desafio para o Brasil
Apesar das vantagens competitivas do Açu, Zampronha apontou o preço da energia como um dos principais obstáculos para a industrialização brasileira. O país, segundo ele, possui geração relativamente barata, mas o custo final enfrentado pelas empresas permanece elevado.
No gás natural, o CEO afirmou que o produto é comercializado no Brasil entre US$ 12 e US$ 16 por milhão de BTU, ante US$ 4 a US$ 5 nos Estados Unidos e US$ 3 a US$ 4 no Oriente Médio.
“Se a gente quer realmente industrializar o Brasil e ter emprego e desenvolvimento econômico de qualidade perene, nós precisamos de uma coisa básica para começar, que é energia competitiva”, ponderou.
O executivo também defendeu maior estabilidade regulatória para que o país consiga atrair projetos de longo prazo. Segundo ele, investidores internacionais demonstram preocupação com mudanças inesperadas em regras capazes de alterar a rentabilidade de empreendimentos bilionários.
Porto do Açu projeta dobrar de tamanho
A expectativa da Prumo é manter uma trajetória acelerada de expansão. Zampronha prevê que o Porto do Açu alcance perto de 100 milhões de toneladas movimentadas neste ano e mais que duplique esse volume ao longo da próxima década.
A estratégia envolve consolidar o complexo como uma das principais portas de entrada e saída do Brasil para o comércio mundial, reunindo atividades tradicionais, combustíveis limpos, data centers e novas indústrias.