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Terras raras, data centers e energia limpa fazem do Brasil destino de capital italiano, aponta evento exclusivo do Times Brasil | CNBC
Publicado 25/05/2026 • 12:44 | Atualizado há 2 semanas
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Publicado 25/05/2026 • 12:44 | Atualizado há 2 semanas
KEY POINTS
O Brasil entrou de vez no radar do capital italiano. A combinação entre reservas de terras raras, matriz energética com 85% de fontes limpas e estabilidade democrática faz do país um destino cada vez mais atraente para empresas e investidores da Itália. A avaliação foi um dos pontos centrais do fórum Conexão Brasil–Itália, realizado nesta segunda-feira (25) pelo Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC no Fasano Jardins, em São Paulo.
Ao longo de uma manhã de debates, o evento reuniu juristas brasileiros e italianos, autoridades públicas e empresários para discutir segurança jurídica, marcos regulatórios e as oportunidades abertas pelo acordo entre Mercosul e União Europeia, que avança para sua fase de implementação.
Leia também: Líderes de Brasil e Itália debatem infraestrutura e investimentos em evento exclusivo Times Brasil | CNBC
O ministro dos Transportes, George Santoro, foi um dos destaques do evento. Ele afirmou que o Brasil é o quinto maior país do mundo em volume de carga transportada e que o país hoje detém a maior carteira de concessões de rodovias e ferrovias do planeta.
“Os investidores estão todos olhando. É muito importante participar de um evento como esse, com a Itália, que tem a maior empresa de concessões rodoviárias operando no Brasil”, disse Santoro, referindo-se à Ecorodovias, que administra mais de 5 mil quilômetros de rodovias concedidas no país e tem origem italiana.

O ministro informou que o governo realiza road shows internacionais permanentes para atrair capital estrangeiro para a infraestrutura brasileira, com foco em debentures de infraestrutura, debentures incentivadas e participação acionária em projetos de concessão. Segundo ele, o objetivo é trazer dinheiro de fora do Brasil a custos menores para viabilizar obras e melhorias.
Santoro destacou que a presença de representantes da Corte Constitucional Italiana no fórum tem um papel simbólico e prático. Demonstrar que os contratos de concessão e os editais brasileiros seguem os padrões da OCDE e as regras já adotadas na Europa é, segundo ele, um dos principais argumentos para dar segurança ao investidor que avalia comprar papéis ou entrar como sócio em projetos de infraestrutura no Brasil.
O ministro também confirmou interesse concreto de empresas italianas do setor ferroviário em projetos brasileiros. “A gente tá começando a conversar e ver interesse de empresas do setor ferroviário para participar de projetos aqui no Brasil”, afirmou.
Para junho, o governo prevê o lançamento do novo Plano Nacional de Logística, que pela primeira vez inclui planejamento integrado entre governo federal e estados. “É um planejamento de logística do país como um todo”, disse Santoro.
O ministro avaliou que 2025 marcou uma virada no perfil do investimento em infraestrutura no Brasil. O setor privado passou a ter participação maior do que o público no financiamento de transportes e logística. A tendência, segundo ele, deve se intensificar nos próximos anos, com PPPs e concessões tanto no âmbito federal quanto estadual ganhando volume.
Sobre o acordo Mercosul–União Europeia, Santoro disse que o documento ainda tem muito caminho pela frente, mas que não tem dúvida de que vai transformar tanto o bloco europeu quanto o Brasil. Na avaliação dele, o acordo abriu 500 novos mercados internacionais para o país, o que reforça a importância de aproximar relações com parceiros como a Itália, especialmente em setores de insumos e material rodante para ferrovias.
Augusto Neves Dal Pozzo, professor de direito administrativo da PUC-SP e presidente do Instituto Brasileiro de Estudos Jurídicos da Infraestrutura, reforçou o argumento do ministro pelo ângulo jurídico. Para ele, o investidor estrangeiro está acostumado com o risco. O que precisa ser oferecido é a capacidade de controlá-lo.
“Controlar esse risco significa ter contratos mais claros, mais precisos, com cláusulas mais transparentes. E mais do que isso, quando ocorre qualquer tipo de evento que impacte o contrato, que as agências reguladoras tomem medidas rápidas”, afirmou Dal Pozzo.

O especialista defendeu a eficiência regulatória como peça central para atrair e manter investimentos de longo prazo. Contratos de infraestrutura duram 20, 30 ou 40 anos. Nesse horizonte, previsibilidade não é ausência de problemas, mas a capacidade de antecipá-los e resolvê-los com rapidez. “A ideia não é simplesmente trazer uma empresa estrangeira para o Brasil. A ideia é fazer uma cooperação entre tecnologia, técnica e parte operacional para que a gente consiga um ciclo virtuoso”, disse.
Dal Pozzo participou do painel “Investimentos em Infraestrutura: Brasil, Itália e Mercosul”, ao lado de Paolo Felice Basseti, presidente do conselho da Techint, em debate sobre oportunidades de integração econômica, desafios regulatórios e perspectivas para ampliação dos investimentos em infraestrutura entre os países do Mercosul e a Itália.
Bernardo Giorgio Mattarella, professor titular de direito administrativo da Libera Università Internazionale degli Studi Sociali e filho do presidente italiano Sergio Mattarella, avaliou que a relação entre Brasil e Itália é historicamente ampla, mas ainda subaproveitada.
Segundo ele, o Brasil pode se consolidar como uma saída estratégica para a Europa nas áreas de segurança energética e fornecimento de terras raras, em um momento de busca global por cadeias produtivas mais diversificadas e seguras.
Graziano Messana, presidente da ITALCAM, apontou uma oportunidade concreta que começa a movimentar empresas italianas em direção ao Brasil. O país tem reservas de terras raras e minerais usados na construção de data centers. A Itália tem competência na extração e no processamento desses minerais. A parceria natural permitiria construir data centers em solo brasileiro, aproveitando a energia limpa disponível no país.
🔍 Terras raras são um grupo de 17 elementos químicos presentes na crosta terrestre, indispensáveis na fabricação de servidores, baterias, turbinas eólicas e componentes de inteligência artificial. O Brasil possui uma das maiores reservas mundiais desses minerais.
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Seguir no GoogleA estimativa da ITALCAM aponta crescimento de até 40% no volume de exportações e importações entre os blocos após a plena implementação do acordo Mercosul–UE. Desde o primeiro de maio, tarifas de importação sobre maquinários já foram reduzidas, estimulando a renovação do parque industrial brasileiro com equipamentos europeus.

Messana também posicionou o Brasil em um papel mais amplo no cenário internacional. Com a China sem democracia, a Rússia fora do radar comercial por causa dos conflitos bélicos e a Índia focada em tecnologia da informação, o Brasil seria a ponte natural para equilibrar hegemonias no comércio global. “Não é politicagem, é business”, disse.
Para Marco D’Alberti, juíz da Corte Constitucional Italiana e professor emérito da Sapienza Universitária di Roma, Brasil e Itália mantêm uma relação historicamente sólida, sustentada também por afinidades jurídicas e institucionais.
Segundo ele, a tradição do direito romano oferece um modelo mais adaptável às diferentes legislações e contribui para aproximar os sistemas legais dos dois países. Apesar da relação positiva, D’Alberti afirmou que ainda há espaço para avançar, especialmente no fortalecimento da segurança jurídica.
Leonardo da Vinci, considerado um dos maiores gênios da história e símbolo do legado intelectual e científico da Itália, foi o homenageado da manhã.
O professor e intérprete de italiano Alvaro Zanoto foi o escolhido para falar sobre a importância de da Vinci, reconhecido mundialmente por sua atuação nas artes, na ciência e na invenção, que também se destacou como engenheiro militar, com projetos e ideias que ultrapassaram os limites tecnológicos de sua época.
Como inventor e engenheiro militar, projetou máquinas muito à frente de seu tempo, como protótipos de helicópteros, tanques de guerra, sistemas de pontes móveis e mecanismos hidráulicos. Embora muitas dessas ideias não tenham sido construídas na época, seus desenhos demonstram uma compreensão avançada de engenharia e princípios físicos que só seriam plenamente desenvolvidos séculos depois.
O evento contou com a parceria da JHSF e foi realizado no Fasano Jardins, em São Paulo.
Veja as fotos abaixo:




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