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Jovem trabalhou disfarçada em uma rede de cafeterias antes de abrir seu próprio café de matcha

Publicado 19/06/2026 • 16:17 | Atualizado há 1 hora

Michelle Yeung em sua Matcha House

Mesmo recebendo cerca de US$ 250 mil por ano como engenheira de software, Michelle Yeung sentia-se cada vez mais distante do trabalho que exercia.

“Eu queria migrar para algo em que pudesse melhorar o dia de alguém ou fazer as pessoas mais felizes de alguma forma”, afirmou à CNBC Make It. Em vez de pedir demissão imediatamente, ela passou meses avaliando qual seria o próximo passo da carreira.

No verão de 2024, Yeung começou a considerar seriamente a abertura de uma cafeteria especializada em matcha em Manhattan. A ideia surgiu após perceber a escassez de opções de alta qualidade na cidade e se perguntar por que o matcha que preparava em casa parecia melhor do que o encontrado em muitos estabelecimentos.

Antes de abandonar o emprego de alta remuneração, ela decidiu se preparar. Trabalhou em turnos que começavam às 5h da manhã em uma unidade da Starbucks para aprender a rotina de uma cafeteria, viajou ao Japão para estudar o matcha e acumulou economias que ajudariam a financiar o novo negócio.

Hoje, ela comanda a Matcha House, localizada no Lower East Side, em Manhattan. Segundo Yeung, a empresa está a caminho de registrar lucro já no primeiro ano de operação e vem recuperando gradualmente o capital investido na abertura.

“Estou muito mais feliz agora do que antes”, disse.

Experiência na Starbucks serviu como treinamento

Depois de concluir que abrir uma cafeteria poderia ser o caminho certo, Yeung decidiu aprender tudo o que pudesse antes de deixar a área de tecnologia.

Ela viajou ao Japão para entender melhor a cadeia de produção do matcha, bebida feita a partir de chá-verde moído em pó. Durante a viagem, estudou técnicas de cultivo, preparo e serviço, além de testar diferentes proporções entre pó e água para alcançar resultados consistentes.

De volta a Nova York, reuniu amigos para testar diferentes variedades da bebida e continuou pesquisando a viabilidade financeira do negócio.

Sem experiência prévia no setor de alimentação, passou alguns meses trabalhando “disfarçada” em uma Starbucks, das 5h às 10h da manhã, antes de iniciar sua jornada como engenheira de software.

“Eu estava em uma missão pessoal”, contou.

A preparação também incluiu uma longa busca pelo ponto comercial. Yeung visitou diversos imóveis e negociou com proprietários, muitos deles relutantes em alugar espaços para alguém que abriria o primeiro negócio.

Após meses de procura, encontrou um pequeno imóvel em uma rua secundária do Lower East Side. Mais tarde, descreveu o local como “praticamente perfeito” por ser compacto, bem localizado e relativamente acessível para os padrões da região.

Em março de 2025, ela já havia acumulado mais de US$ 200 mil em economias e decidiu deixar definitivamente a carreira em tecnologia.

Inauguração teve imprevistos

Apesar do planejamento, o início da operação foi marcado por dificuldades inesperadas.

Segundo Yeung, prestadores de serviço frequentemente deixavam tarefas inacabadas, provocando atrasos e contratempos de última hora. Na véspera da abertura para amigos e familiares, a cafeteria chegou a ser inundada.

“Nos bastidores estava tudo alagado e tivemos que limpar a água”, relembrou.

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Ela afirma que não teria conseguido abrir o negócio sem a ajuda de amigos, que montaram móveis, instalaram cortinas e auxiliaram nos preparativos finais.

Quando a Matcha House abriu as portas, em julho de 2025, Yeung costumava trabalhar até 12 horas por dia e preparava pessoalmente todas as bebidas servidas.

“Nos dois primeiros meses, eu só confiava em mim mesma para bater cada bebida”, disse.

Com o tempo, passou a delegar parte das responsabilidades. Atualmente, a cafeteria conta com cerca de dez funcionários de meio período, e Yeung já não precisa permanecer atrás do balcão diariamente.

Ao olhar para trás, ela considera que a passagem pela Starbucks funcionou como um treinamento intensivo sobre o setor antes da inauguração da Matcha House.

A empresária afirma que o negócio caminha para fechar o primeiro ano com lucro e que vem recuperando gradualmente os recursos investidos na abertura.

Para 2026, ela estima receber cerca de US$ 33 mil em remuneração pessoal, enquanto reinveste boa parte dos ganhos da empresa na própria operação. Seus gastos pessoais permanecem baixos, abaixo de US$ 2.500 por mês.

“Minha vida hoje tem menos a ver com quanto dinheiro estou ganhando e mais com o que estou fazendo todos os dias”, afirmou. “Depois de um ano de empresa, sou grata por termos sobrevivido ao primeiro ano e por termos condições de sobreviver ao próximo.”

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