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Lucro ajustado da Equatorial despenca 83,5% e vai a R$ 110 milhões no segundo trimestre

Publicado 12/08/2026 • 22:20 | Atualizado há 56 minutos

KEY POINTS

  • Lucro líquido ajustado caiu de R$ 668 milhões para R$ 110 milhões; mesmo excluindo diferenças na base de ativos, a retração foi de 80,1%.
  • Resultado financeiro ajustado ficou negativo em R$ 1,75 bilhão, uma piora de 31,4% na comparação anual.
  • Dívida líquida chegou a R$ 51,8 bilhões, alta de 15,2%, enquanto a margem Ebitda ajustada recuou de 23,3% para 21,3%.

O lucro líquido ajustado da Equatorial despencou 83,5% no segundo trimestre de 2026, passando de R$ 668 milhões para R$ 110 milhões na comparação com o mesmo período do ano passado.

A queda permanece expressiva mesmo quando a companhia compara uma base equivalente de ativos, retirando do segundo trimestre de 2025 o resultado do segmento de transmissão. Nessa base, o lucro ajustado caiu 80,1%, de R$ 553 milhões para os mesmos R$ 110 milhões.

O lucro líquido reportado também recuou fortemente. O resultado passou de R$ 1,29 bilhão no segundo trimestre de 2025 para R$ 653 milhões agora, uma queda de 49,4%. Após as participações minoritárias, o lucro ficou em R$ 485 milhões, também 49,4% menor.

A deterioração do lucro ocorreu apesar do crescimento da receita. A receita operacional líquida avançou 10,2%, para R$ 13,74 bilhões, ante R$ 12,47 bilhões um ano antes.

Leia também: Ministério Público investiga ligações entre a Equatorial e o escândalo do Banco Master na privatização da Sabesp

Resultado financeiro pesa no trimestre

Uma das principais pressões sobre o balanço veio do resultado financeiro. Na visão reportada, a despesa financeira líquida chegou a R$ 1,67 bilhão, 23,7% acima dos R$ 1,35 bilhão negativos registrados no segundo trimestre de 2025.

No resultado financeiro ajustado, a piora foi ainda maior: o saldo negativo passou de R$ 1,33 bilhão para R$ 1,75 bilhão, aumento de 31,4%.

Segundo a Equatorial, a deterioração reflete principalmente o crescimento de 26,1% do saldo da dívida e a alta do IPCA, um dos principais indexadores do endividamento da companhia.

Os encargos da dívida aumentaram em R$ 506 milhões na comparação anual, chegando a R$ 2,12 bilhões no trimestre.

Dívida líquida sobe para R$ 51,8 bilhões

A dívida líquida da Equatorial encerrou junho em R$ 51,8 bilhões, crescimento de 15,2% sobre os R$ 45 bilhões registrados um ano antes.

Já a dívida bruta consolidada chegou a R$ 63,7 bilhões, avanço de 12% apenas em relação ao primeiro trimestre.

Parte relevante do aumento está relacionada à aquisição de 30% da Copasa. A Equatorial tomou R$ 5,1 bilhões em financiamento para a operação, concluída por R$ 5,6 bilhões.

No total, a companhia captou R$ 7,6 bilhões no segundo trimestre. Além dos recursos destinados à Copasa, R$ 2,5 bilhões foram direcionados às distribuidoras Equatorial Goiás, CEA e CEEE-D.

A relação entre dívida líquida e Ebitda ficou em 3,1 vezes na metodologia utilizada para os covenants financeiros. Sem considerar o ganho de capital obtido com a venda do segmento de transmissão, a alavancagem alcançaria 3,6 vezes.

Custos e despesas avançam 50%

Os custos e despesas operacionais ajustados chegaram a R$ 2,62 bilhões no trimestre, alta de 50,1% frente aos R$ 1,74 bilhão registrados um ano antes. Na visão reportada, houve crescimento de 44,6%.

As despesas com pessoal subiram 30,2%, para R$ 423 milhões, enquanto o PMSO ajustado — indicador que reúne gastos com pessoal, materiais, serviços e outras despesas operacionais — aumentou 7%, para R$ 1,23 bilhão.

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A linha de provisões passou de um saldo negativo de R$ 157 milhões no segundo trimestre de 2025 para uma despesa de R$ 320 milhões agora.

A variação percentual de 303% é influenciada por uma base de comparação atípica, já que o segundo trimestre de 2025 teve reversões de R$ 408 milhões relacionadas a processos da Equatorial Goiás. No período atual, a companhia destacou aumento das provisões para perdas com clientes e contingências.

Ebitda reportado cai e margem encolhe

O Ebitda reportado somou R$ 3,46 bilhões, queda de 2,6% sobre os R$ 3,55 bilhões de um ano antes.

Na métrica ajustada, houve crescimento de apenas 0,8%, para R$ 2,93 bilhões.

A margem Ebitda ajustada, porém, caiu dois pontos percentuais, de 23,3% para 21,3%, mostrando que o avanço da receita não se converteu na mesma proporção em rentabilidade operacional.

O resultado também foi pressionado pela geração de energia e pela participação na Sabesp. A equivalência patrimonial da companhia de saneamento recuou 26,2%, de R$ 312 milhões para R$ 230 milhões.

A Echoenergia também teve impacto negativo sobre a margem bruta ajustada do grupo, com redução de R$ 69 milhões na comparação anual.

Leia também: Cade aceita recurso na privatização da Copasa e questiona atuação da Equatorial no setor de saneamento

Arrecadação recua nas distribuidoras

Nas distribuidoras, a taxa consolidada de arrecadação caiu de 98,09% para 97,32%.

A piora foi puxada principalmente pelas operações do Maranhão, Piauí e Goiás. No Piauí, a arrecadação caiu 4,18 pontos percentuais, de 100,14% para 95,96%. No Maranhão, passou de 97,55% para 95,12%.

Ao mesmo tempo, a provisão para perdas esperadas com clientes aumentou. A relação entre PECLD e receita operacional bruta passou de 1,11% para 1,26% no consolidado das distribuidoras.

A companhia atribuiu parte da piora ao aumento da inadimplência, especialmente em Maranhão, Piauí e Goiás, além da redução das ações de cobrança durante o período.

Investimentos também recuam

Os investimentos consolidados somaram R$ 2,6 bilhões no segundo trimestre, queda de 3,8% em relação aos R$ 2,7 bilhões investidos no mesmo período de 2025.

No segmento de distribuição, os investimentos recuaram 5%, para R$ 2,53 bilhões, com queda de 8% nos aportes destinados a ativos elétricos.

Em contrapartida, a companhia encerrou junho com R$ 10 bilhões entre caixa e aplicações, montante equivalente a 2,5 vezes a dívida de curto prazo.

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