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Plano de Negócios Rodrigo Loureiro

A Intel disparou após o balanço, o turnaround finalmente chegou?

Publicado 24/04/2026 • 09:57 | Atualizado há 1 hora

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Rodrigo Loureiro

Rodrigo Loureiro é jornalista especializado em economia e negócios, com experiência nos principais veículos do Brasil e MBA pela FIA em parceria com a B3. Além de comandar esta coluna, é comentarista nos programas Agora e Real Time, nos quais analisa as principais movimentações do mercado.

As ações da Intel negociadas na bolsa americana subiam mais de 28% no pré-market desta sexta-feira (24) após a companhia divulgar os resultados do 1º trimestre de 2026. A valorização fazia a empresa de tecnologia ganhar mais de US$ 100 bilhões em valor de mercado.

Mas, para além do otimismo dos investidores, é preciso manter um olhar sobre as recomendações de analistas de bancos de investimento. Após o balanço divulgado, pelo menos três casas de análise fizeram upgrade de suas recomendações para o papel.

Uma das instituições que agora está otimista é a Northland Securities. Os analistas aumentaram o preço-alvo da ação para US$ 92, e a classificação saiu de neutro para outperform, o equivalente a compra.

O BNP Paribas, por intermédio de seu analista David O’Connor, também elevou a recomendação. O papel passou a ser visto como neutro, e não mais como underperform (o equivalente a venda). O preço-alvo passou de US$ 34 para US$ 60. A ação está sendo negociada no pré-market acima de US$ 88.

Na visão do analista do BNP, a nova onda de inteligência artificial autônoma, chamada de agentic AI, deve fomentar um aumento da demanda por CPUs para servidores. Nesse caso, a Intel poderia ganhar clientes importantes no setor de big techs.

O HSBC elevou a recomendação de hold para buy, com preço-alvo de US$ 95. O preço-alvo anterior era de US$ 50. A justificativa é que os foundry deals (contratos de manufatura de chips para terceiros) ajudaram na alta recente das ações e devem impulsionar o preço nos próximos meses.

De acordo com a FactSet, apenas cinco de 49 analistas mantiveram recomendação de venda para os papéis após a divulgação dos resultados mais recentes.

No balanço divulgado, a Intel reportou receita de US$ 13,6 bilhões, acima das expectativas do mercado, de US$ 12,4 bilhões. O lucro ajustado por ação foi ainda mais surpreendente: US$ 0,29, contra a previsão de US$ 0,02. Já a margem bruta foi de 41%, cerca de 650 pontos-base acima do próprio guidance.

Para o próximo trimestre, a projeção da Intel é de uma receita entre US$ 13,8 bilhões e US$ 14,8 bilhões. O valor é superior ao consenso do mercado, de US$ 13,1 bilhões. Já o lucro por ação esperado é de US$ 0,20. A expectativa era de até US$ 0,10.

O que ainda preocupa os investidores é o fluxo de caixa livre, ainda negativo em torno de US$ 2 bilhões. Esse indicador mede quanto dinheiro a empresa gera após os investimentos necessários para manter e expandir o negócio. Trata-se, portanto, de um termômetro da capacidade de financiar crescimento, reduzir dívida e remunerar acionistas.

Outro ponto de atenção é a própria valorização recente das ações. O papel subiu mais de 200% nos últimos 12 meses. Ainda que seja uma recuperação após quedas agressivas nos últimos anos, a alta repentina coloca no radar a possibilidade de realização de lucros por quem já investiu.

Vivek Arya, analista do Bank of America, que mantinha recomendação de venda para o papel antes do balanço, afirmou em entrevista à CNBC, após a divulgação dos resultados, que o desempenho da Intel pode estar sendo impulsionado pela escassez no mercado.

Na visão do analista, o gargalo de oferta de chips é benéfico para a companhia, mas apenas no curto prazo. Ainda que a Intel tenha apresentado melhora na execução, o resultado não estaria sendo impulsionado por melhorias estruturais da empresa, e sim pela demanda elevada e pela oferta mais restrita.

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