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O boom da IA ​​acaba de encontrar dois novos vencedores: Goldman Sachs e JPMorgan Chase

Publicado 14/07/2026 • 19:30 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Goldman Sachs e JPMorgan registraram receita trimestral recorde, impulsionados por negociações baseadas em inteligência artificial, IPOs, ofertas de dívida e atividades de fusões e aquisições, que fortaleceram as negociações de ações e o banco de investimento.
  • Executivos afirmaram que a IA está impulsionando a demanda por financiamento em todo o mundo, desde data centers e infraestrutura de energia até atividades nos mercados de capitais, criando o que o CEO do Goldman Sachs, David Solomon, chamou de “superciclo de investimentos” em IA.
  • Contribuindo para o bom desempenho do trimestre, os investidores ampliaram sua busca por empresas que se beneficiariam da IA, injetando dinheiro em mercados asiáticos, incluindo Coreia do Sul, Taiwan e Japão, disse Soofian Zubieri, presidente e co-chefe de Mercados Globais do Bank of America, à CNBC.

Os grandes bancos americanos deram mais uma prova nesta terça-feira (14) de que o boom global da inteligência artificial (IA) não está beneficiando apenas gigantes da tecnologia e fabricantes de chips.

Goldman Sachs e JPMorgan Chase registraram receitas trimestrais recordes, impulsionadas por fortes ganhos nas áreas de negociação de ações (equities) e banco de investimento.

Por trás desse crescimento — a receita do Goldman avançou 39%, para US$ 20,3 bilhões, enquanto a do JPMorgan subiu 27%, para US$ 58 bilhões — está o fato de que a IA está “em toda parte nos mercados financeiros”, afirmou o diretor financeiro (CFO) do JPMorgan, Jeremy Barnum.

“Vivemos um ambiente de enorme atividade, com grandes IPOs, rebalanceamentos de índices e muito movimento na Ásia. Grande parte disso é consequência do tema da inteligência artificial em escala global”, disse Barnum.

O trimestre mostrou que a corrida pela IA está criando vencedores muito além do Vale do Silício. Enquanto empresas como Nvidia e gigantes de tecnologia, como a Alphabet, concentram as manchetes, bancos como Goldman e JPMorgan estão lucrando com o enorme fluxo de capital direcionado à inteligência artificial.

As instituições estão assessorando fusões e aquisições ligadas à IA, financiando centros de dados (data centers) e infraestrutura de energia, coordenando emissões de ações e títulos de dívida e facilitando o aumento do volume de negociações provocado pela disputa global para desenvolver essa tecnologia.

Segundo o CEO do Goldman Sachs, David Solomon, esse movimento está criando um “efeito cascata” na economia americana e abrindo inúmeras oportunidades para que os bancos ofereçam soluções de financiamento e negociação nos mercados públicos e privados.

“Estamos no meio de um superciclo de investimentos em IA. Existe demanda por financiamento em praticamente todos os instrumentos financeiros, em todas as regiões do mundo e em todos os setores da economia”, afirmou Solomon.

Ele acrescentou que o Goldman se prepara para um ciclo de investimentos de três a cinco anos, que ainda estaria apenas no início.

As ações do Goldman chegaram a subir 8% durante a tarde, enquanto os papéis do JPMorgan avançavam cerca de 2%.

IA atinge um ponto de virada

Embora os investimentos em IA já aconteçam há algum tempo, o mercado avalia que agora eles deixaram de beneficiar apenas empresas de chips e software, passando também a impulsionar fornecedores de energia e infraestrutura.

Segundo o analista do Wells Fargo, Mike Mayo, os maiores beneficiados dessa tendência em Wall Street são Goldman Sachs, JPMorgan e Morgan Stanley.

Para ele, o boom dos investimentos em inteligência artificial atingiu um ponto de inflexão no segundo trimestre.

Após os resultados acima das expectativas, Mayo elevou os preços-alvo das ações do Goldman e do JPMorgan. O Morgan Stanley divulgará seus resultados nesta quarta-feira (15).

Negociação de ações surpreende

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O impacto mais evidente da inteligência artificial apareceu nas mesas de negociação de ações.

No JPMorgan, a receita com equities cresceu 86%, chegando a US$ 6 bilhões. No Goldman Sachs, o avanço foi de 72%, para US$ 7,42 bilhões.

Juntas, as duas instituições faturaram cerca de US$ 4,4 bilhões acima das projeções dos analistas.

Outros bancos também foram beneficiados. O Bank of America, segundo maior banco dos Estados Unidos em ativos, viu sua receita com negociação de ações crescer 70%, alcançando US$ 3,6 bilhões.

Segundo Soofian Zuberi, presidente e co-chefe da divisão Global Markets do Bank of America, investidores passaram a buscar empresas ligadas à IA fora dos Estados Unidos, direcionando recursos principalmente para mercados da Coreia do Sul, Taiwan e Japão.

“Os investidores passaram a perguntar quais seriam os maiores beneficiários da IA fora dos Estados Unidos. Clientes americanos estão diversificando seus investimentos para a Ásia, incluindo fundações, fundos patrimoniais e family offices”, afirmou.

SpaceX e Alphabet impulsionam banco de investimento

A inteligência artificial também fortaleceu a receita das áreas de assessoria financeira.

No Goldman Sachs, a receita de banco de investimento aumentou 55%, para US$ 3,4 bilhões. No JPMorgan, o crescimento foi de 30%, chegando a US$ 3,3 bilhões.

Juntos, os dois bancos arrecadaram cerca de US$ 1 bilhão acima do esperado pelos analistas.

Durante o trimestre, o Goldman atuou como principal assessor no IPO da SpaceX, na emissão de US$ 90 bilhões em ações da Alphabet e assessorou a Dominion Energy na venda de ativos para a NextEra Energy — operações impulsionadas pela expansão dos investimentos em inteligência artificial.

No Bank of America, as receitas com banco de investimento cresceram 50%, totalizando US$ 2,1 bilhões.

Bancos também usam IA para aumentar eficiência

Além de faturarem com o boom da inteligência artificial, os bancos começam a colher ganhos internos com a adoção da tecnologia.

Segundo Zuberi, a IA está ajudando a automatizar processos, aumentar a produtividade e controlar despesas com pessoal.

“A inteligência artificial está transformando o setor bancário ao tornar os processos mais eficientes. E, ao mesmo tempo, o setor bancário impulsiona a IA, porque sem financiamento não seria possível construir todos esses data centers”, concluiu.

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