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Oncoclínicas amplia queda no segundo trimestre e registra prejuízo de R$ 475,7 milhões

Publicado 14/08/2026 • 20:15 | Atualizado há 32 minutos

KEY POINTS

  • Oncoclínicas registrou prejuízo líquido de R$ 475,7 milhões no segundo trimestre, mais de três vezes o resultado negativo do ano anterior.
  • Receita líquida recuou 28,5%, para R$ 1,05 bilhão, em meio à crise no fornecimento de medicamentos e ao menor volume de tratamentos.
  • Ebitda ajustado permaneceu positivo em R$ 34,3 milhões, mas caiu 85,1% em um ano; companhia negocia dívidas com credores.
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Foto: Reprodução/Oncoclinicas

A Oncoclínicas registrou prejuízo líquido de R$ 475,7 milhões no segundo trimestre de 2026, mais de três vezes o resultado negativo de R$ 142,3 milhões apurado no mesmo período do ano passado. A companhia foi afetada pela queda da receita, pelo menor volume de tratamentos e por despesas extraordinárias reconhecidas no período.

A receita líquida caiu 28,5% na comparação anual, para R$ 1,05 bilhão, ante R$ 1,46 bilhão no segundo trimestre de 2025. Em relação aos três primeiros meses deste ano, quando o indicador havia alcançado R$ 1,16 bilhão, a retração foi de 9,7%.

Crise de medicamentos afeta tratamentos

A redução da receita ocorreu em um período no qual a Oncoclínicas continuou enfrentando os efeitos do desabastecimento de medicamentos iniciado em março, em consequência da pressão de caixa da empresa. A crise afetou o volume de tratamentos e reduziu as compras de medicamentos utilizadas nos procedimentos.

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O fornecimento foi parcialmente normalizado ao longo do segundo trimestre por meio de um instrumento de até R$ 150 milhões. A companhia afirmou que a redução nas compras de medicamentos em relação aos níveis históricos teve impacto direto tanto sobre a receita bruta quanto sobre o número de tratamentos realizados.

A receita bruta somou R$ 1,23 bilhão, queda de 25,9% diante dos R$ 1,66 bilhão registrados um ano antes. Nos 12 meses encerrados em junho, o indicador alcançou R$ 5,7 bilhões, recuo de 15,8% na comparação anual.

O número de procedimentos ficou em aproximadamente 114 mil no trimestre, ainda pressionado pela crise de abastecimento de medicamentos. Em contrapartida, o ticket médio avançou 9,5% sobre o segundo trimestre do ano passado.

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Ebitda ajustado permanece positivo

Apesar da deterioração dos resultados, o Ebitda ajustado ficou positivo em R$ 34,3 milhões no segundo trimestre, com margem de 3,3%. O resultado representa queda de 85,1% frente aos R$ 230,1 milhões registrados no mesmo intervalo de 2025.

Segundo a companhia, o indicador foi afetado pela desalavancagem operacional provocada pelo menor volume de atendimentos, que reduziu a receita enquanto as despesas fixas permaneceram elevadas. Na comparação sequencial, porém, o Ebitda ajustado apresentou recuperação em relação ao resultado negativo do primeiro trimestre.

A Oncoclínicas informou ainda que, normalizando os efeitos da provisão para créditos de liquidação duvidosa (PCLD), a margem Ebitda ajustada teria alcançado 9,5%, refletindo iniciativas de redução de custos e despesas.

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Despesas extraordinárias pesam no trimestre

Os números do trimestre também foram afetados por ajustes contábeis e despesas não recorrentes. Entre eles, a companhia reconheceu aproximadamente R$ 72 milhões relacionados à baixa de glosas de períodos anteriores.

As despesas operacionais também incluíram R$ 76 milhões referentes à multa pela rescisão do contrato de locação do imóvel do Centro Paulista de Oncologia, na Avenida Angélica, em São Paulo. Sem esse efeito, as despesas operacionais caixa teriam somado R$ 260,5 milhões, equivalentes a 21,2% da receita bruta.

Outros ajustes do período incluíram R$ 30,5 milhões em provisão de risco de crédito relacionada à Unimed Leste Fluminense e R$ 78 milhões em impairment do BTS de Goiânia.

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O resultado financeiro líquido, por sua vez, ficou negativo em R$ 168,8 milhões, ante resultado também negativo de R$ 175,1 milhões um ano antes. A companhia atribuiu o desempenho do trimestre a uma menor receita financeira decorrente de sua posição de caixa.

Companhia negocia com credores

Diante do cenário financeiro, a Oncoclínicas manteve conversas com seus credores para restabelecer o cronograma de amortização das dívidas financeiras e de aquisições. O objetivo é adequar os pagamentos à geração de caixa e à eficiência operacional da companhia.

A empresa também vem adotando medidas para reduzir despesas corporativas e diminuir a pressão futura sobre o caixa, incluindo o encerramento de contratos de BTS e uma estratégia de maior utilização da capacidade já instalada.

No segundo trimestre, o fluxo de caixa operacional foi positivo em R$ 158,4 milhões, principalmente em razão da renegociação das condições de pagamento com o maior fornecedor da companhia e da normalização dos recebíveis.

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Ao fim do período, a dívida líquida financeira somada às aquisições a pagar alcançou R$ 3,40 bilhões. A administração afirma que seu principal objetivo continua sendo a retomada operacional, com ajustes voltados à recuperação de resultados positivos e da rentabilidade.

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