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Paciente mais informado muda relação com médicos e indústria farmacêutica, diz Leandro Berbert, sócio líder da EY Brasil

Publicado 22/09/2026 • 20:07 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Pacientes chegam às consultas mais informados e passam a participar de forma mais ativa das decisões sobre diagnóstico e tratamento, avalia Leandro Berbert.
  • Pesquisa global da EY indica que 70% dos entrevistados levam à consulta informações capazes de influenciar discussões sobre diagnóstico ou medicamentos.
  • Avanço da inteligência artificial tende a acelerar a mudança, enquanto farmacêuticas ampliam o diálogo direto com consumidores além da relação com médicos.

O acesso crescente à informação transformou o paciente em um consumidor de saúde mais ativo, capaz de participar das discussões sobre diagnóstico e tratamento e de alterar a forma como a indústria farmacêutica se relaciona com seu público, segundo Leandro Berbert, sócio líder de Health Sciences & Wellness e de Estratégia de Turnaround e Restructuring da EY Brasil. Em entrevista nesta terça-feira (22) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, ele avaliou que ferramentas digitais e, mais recentemente, a inteligência artificial aceleraram essa mudança.

“Hoje o paciente chega muito mais instrumentado, muito mais informado sobre a sua condição clínica”, explicou Berbert. Segundo ele, a relação deixou de seguir o modelo predominante décadas atrás, no qual o paciente basicamente recebia as informações do médico, para incorporar uma troca maior durante a consulta.

Uma pesquisa global da EY citada pelo executivo mostra que pelo menos 70% dos entrevistados levam para a consulta algum elemento obtido previamente em ferramentas digitais que pode influenciar a discussão sobre diagnóstico ou prescrição de medicamentos. Quando consideradas ferramentas de inteligência artificial, o percentual já chega a 56%.

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“É muito provável que essa tendência continue se elevando e cada vez mais o paciente passe a ser um consumidor de saúde muito mais informado”, avaliou.

Farmacêuticas passam a falar com o consumidor

A transformação também impõe uma mudança na estratégia da indústria farmacêutica, historicamente concentrada na comunicação científica com médicos e outros profissionais de saúde. Para Berbert, as empresas precisam agora considerar também a relação direta com quem utiliza seus produtos.

“A principal mudança é: eu não preciso só conversar e convencer os médicos sobre a eficiência do meu medicamento, mas também preciso dialogar com os meus consumidores, os meus pacientes, com essa cabeça de consumidor de forma mais ampla”, destacou.

Nesse novo ambiente, a própria marca das farmacêuticas tende a ganhar maior visibilidade entre pacientes e beneficiários dos sistemas de saúde, em vez de permanecer concentrada no relacionamento com os profissionais responsáveis pelas prescrições.

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Medicamentos contra obesidade exemplificam mudança

Berbert apontou os medicamentos GLP-1 contra obesidade como um dos exemplos mais claros desse novo comportamento. A popularização desses tratamentos estimulou pacientes a procurar informações antes mesmo de chegar ao consultório.

“O boom recente dos medicamentos GLP-1 fez com que os pacientes pesquisassem muito sobre o assunto, tanto tecnicamente quanto informalmente”, observou. Segundo ele, as informações podem vir de nutricionistas, personal trainers, amigos e outras fontes, além das pesquisas feitas diretamente pelo paciente.

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Como resultado, o consumidor pode chegar à consulta com uma percepção previamente construída sobre determinado medicamento, ainda que ela possa ser modificada pela orientação profissional. “Ele já chega com alguns inputs e com algumas ideias já preconcebidas nessas conversas iniciais”, acrescentou Berbert.

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O fenômeno, porém, não está restrito aos tratamentos contra obesidade. Na avaliação do executivo, o mesmo comportamento pode se estender a outras linhas de cuidado à medida que cresce o acesso dos pacientes a informações sobre doenças e terapias.

IA acelera transformação dos dois lados

A inteligência artificial tende a aprofundar essa mudança porque, segundo Berbert, amplia tanto a capacidade do paciente de buscar informações quanto as ferramentas disponíveis aos profissionais e às empresas de saúde. “Do lado do consumidor, ela vai deixá-lo mais instrumentado de forma mais rápida sobre a sua tomada de decisão”, disse o executivo.

Ao mesmo tempo, médicos e operadoras poderão recorrer à tecnologia e à análise de dados para aprimorar tratamentos, protocolos e prescrições. “Acho que a inteligência artificial vai atacar em ambas as frentes: do lado do médico e do lado do consumidor, que vai ter mais informação”, ponderou.

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Mercado pode ficar mais pulverizado

A mudança de comportamento também pode abrir oportunidades para empresas digitais e novos participantes da indústria, especialmente aqueles capazes de estabelecer uma relação mais próxima com o consumidor e compreender como ele toma decisões.

Berbert citou um estudo global da EY sobre a área de endocrinologia e metabolismo segundo o qual 84% da receita do segmento estava concentrada nas 20 maiores empresas em 2024, mas a projeção aponta para redução dessa concentração nos próximos anos, com maior presença de companhias de médio porte, pequenas e pré-comerciais.

Essa transformação não decorre apenas do comportamento dos consumidores. Quebras de patentes e outros movimentos do setor também favorecem a entrada de novos concorrentes, segundo Berbert. A expectativa é que fenômeno semelhante possa alcançar outras áreas terapêuticas.

Um mercado um pouco mais pulverizado, sim”, concluiu.

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