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Por que a Unilever decidiu sair do mercado de alimentos?

Publicado 30/07/2026 • 13:20 | Atualizado há 2 meses

KEY POINTS

  • A Unilever anunciou uma das maiores mudanças em sua estrutura global ao negociar a fusão de sua divisão de alimentos com a norte-americana McCormick.
  • O acordo, avaliado em US$ 44,8 bilhões, reúne marcas tradicionais como Hellmann’s, Knorr e Maizena e dará origem a uma nova companhia de alimentos estimada em US$ 60 bilhões.
  • A operação prevê a combinação de duas grandes empresas do setor de alimentos e deve ser concluída no primeiro semestre de 2027.
Por que a Unilever decidiu sair do mercado de alimentos?

Foto: divulgação

Por que a Unilever decidiu sair do mercado de alimentos?

A Unilever anunciou uma das maiores mudanças em sua estrutura global ao negociar a fusão de sua divisão de alimentos com a norte-americana McCormick. O acordo, avaliado em US$ 44,8 bilhões, reúne marcas tradicionais como Hellmann’s, Knorr e Maizena e dará origem a uma nova companhia de alimentos estimada em US$ 60 bilhões.

A operação prevê a combinação de duas grandes empresas do setor de alimentos e deve ser concluída no primeiro semestre de 2027. Enquanto isso, a Unilever segue com uma estratégia de reorganização de seus negócios, que envolve a separação de divisões e a revisão de seu portfólio global.

Leia também: Negócio de US$ 44,8 bilhões com a McCormick finaliza desembarque da Unilever do setor de alimentos

Estratégia muda foco para negócios com maior potencial de crescimento

A saída da Unilever do mercado de alimentos faz parte de um movimento para simplificar sua estrutura e concentrar investimentos em áreas consideradas prioritárias pela companhia.

Apesar de a divisão de alimentos ter registrado receita de 6,3 bilhões de euros no primeiro semestre de 2026, equivalente a 24,6% da receita total da empresa, o segmento apresentou crescimento mais moderado em comparação com outras categorias.

Nos últimos anos, a companhia passou a priorizar negócios como Beleza & Bem-estar, Cuidados Pessoais e Limpeza, que tiveram desempenho mais forte nos resultados recentes. A separação da divisão de alimentos segue essa estratégia de concentrar recursos em áreas com maior potencial de expansão.

Como será a transação entre as empresas

Pelos termos anunciados, os acionistas da Unilever receberão ações equivalentes a 65% do capital total diluído da nova empresa combinada. Essa participação é estimada em cerca de US$ 29,1 bilhões, considerando a cotação média da McCormick.

Além disso, a Unilever receberá US$ 15,7 bilhões em dinheiro, valor sujeito a ajustes no fechamento da operação. A Unilever destinará o montante para cobrir custos fiscais e despesas relacionadas à separação da divisão. Além disso, a companhia usará parte do valor para reduzir a dívida líquida e financiar o programa de recompra de ações de € 6 bilhões previsto entre 2026 e 2029.

Outras áreas impulsionaram crescimento da Unilever

Os resultados recentes da Unilever mostram que algumas categorias tiveram desempenho superior ao segmento de alimentos. No primeiro semestre de 2026, a companhia registrou crescimento principalmente pelo aumento do volume de vendas. O desempenho também ganhou força com a aceleração dos resultados no segundo trimestre.

As chamadas Power Brands foram um dos principais motores desse avanço, com crescimento de 6,9% nas vendas líquidas no segundo trimestre.

Além disso, os segmentos de Beleza & Bem-estar, Cuidados Pessoais e Limpeza registraram crescimento de dois dígitos em diferentes mercados. O avanço ocorreu com apoio de lançamentos de produtos, inovação e investimentos em marketing.

Os mercados emergentes também contribuíram para a expansão da companhia. As regiões da América Latina e da Ásia-Pacífico/África apresentaram crescimento e ganhos de participação de mercado.

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Leia também: Unilever acelera crescimento no primeiro semestre e eleva projeção de vendas para 2026

Fusão cria nova gigante no setor de alimentos

Com a combinação entre Unilever Foods e McCormick, a nova empresa terá uma presença ampliada no mercado global de alimentos e maior escala para atuar em um setor marcado por desafios como inflação de commodities, concorrência de marcas próprias e mudanças nos hábitos de consumo.

A operação também deve gerar ganhos de eficiência. As companhias estimam alcançar US$ 600 milhões em sinergias anuais de custos ao longo de três anos, com oportunidades principalmente em compras, manufatura e despesas administrativas.

A conclusão do acordo está prevista para o primeiro semestre de 2027. A nova companhia será liderada pelo CEO e pelo CFO da McCormick, com participação de representantes da divisão de alimentos da Unilever na administração.

Mudança faz parte de reorganização da Unilever

A decisão de se desfazer da divisão de alimentos ocorre enquanto a Unilever direciona esforços para segmentos que tiveram desempenho mais forte nos resultados recentes.

No primeiro semestre de 2026, a empresa registrou receita de 6,3 bilhões de euros com a área de alimentos, valor equivalente a 24,6% da receita total da companhia no período. Apesar da participação relevante, o segmento apresentou crescimento mais moderado em comparação com outras categorias.

Leia também: Unilever vê lucro crescer, mas faturamento diminuir em 2025; projeção de alta neste ano

Enquanto mercados emergentes sustentaram o avanço da divisão, países desenvolvidos enfrentaram maior pressão competitiva, especialmente nos Estados Unidos. A companhia afirmou, porém, esperar melhora no desempenho ao longo do segundo semestre.

Paralelamente, a Unilever avançou na separação de outros negócios. Em 2026, a empresa criou a Magnum Ice Cream Company, uma operação independente responsável por marcas de sorvetes como Kibon, Magnum, Ben & Jerry’s, Cornetto e Wall’s.

Com essas mudanças, a Unilever busca reduzir a complexidade de sua estrutura e ampliar a concentração de investimentos em áreas como Beleza & Bem-estar, Cuidados Pessoais e Limpeza.

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