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Por que a Gerdau pode ter de pagar R$ 11 milhões em disputa com transportadoras?

Publicado 02/08/2026 • 20:30 | Atualizado há 2 semanas

KEY POINTS

  • Duas empresas de Minas Gerais processam Gerdau após anos sem o recebimento do vale-pedágio obrigatório.
  • A falta do pagamento antecipado do vale-pedágio comprometeu o caixa dos negócios e contribuiu para uma crise financeira após o fim dos contratos.
  • Discurso de “orgulho nacional”, adotado pela família Gerdau, conflita com o posicionamento da multinacional diante de fornecedores brasileiros

Foto: Divulgação

Veja por que a Gerdau pode pagar quase R$ 11 milhões em disputa com transportadoras

A Gerdau Aços Longos é alvo de duas ações judiciais movidas por transportadoras de Minas Gerais, que cobram quase R$ 11 milhões por descumprimento da lei do vale-pedágio obrigatório.

Os processos foram apresentados em dezembro de 2025, na Comarca de Betim, após as empresas alegarem que passaram anos pagando pedágios com recursos próprios durante o transporte de cargas da siderúrgica.

A disputa envolve a Ecotrans e a Expresso Brito, que prestavam serviços para a Gerdau, transportando produtos como pregos, chapas e vigas. Segundo as empresas, a falta do pagamento antecipado do vale-pedágio comprometeu o caixa dos negócios e contribuiu para uma crise financeira após o fim dos contratos.

A Ecotrans e a Expresso Brito passaram anos rodando as estradas do país, carregando ferro e aço produzido pela siderúrgica, numa relação que parecia sólida. Uma delas tinha contrato assinado. A outra nem isso, a palavra bastava. Mas o que as duas tinham em comum era o mesmo problema, que acumulava viagem a viagem, ao longo de anos. Pagavam os pedágios do próprio bolso, sem receber o adiantamento que a lei obriga.

A Lei Federal nº 10.209/2001 determina que o embarcador da carga deve antecipar o valor do pedágio ao transportador antes de cada viagem. O pagamento precisa ser separado do frete e não pode ser substituído por acordos entre as partes.

Leia também: DENÚNCIA EXCLUSIVA: Gerdau descumpre lei federal e leva transportadoras brasileiras à beira da falência

A legislação prevê que o descumprimento pode resultar em multa e no pagamento equivalente ao dobro do valor do frete contratado. Esse cálculo é o principal motivo para os valores cobrados pelas transportadoras chegarem a quase R$ 11 milhões.

Empresas alegam prejuízos

A Ecotrans pede cerca de R$ 2,9 milhões por 856 viagens realizadas no período considerado pela ação. Já a Expresso Brito cobra aproximadamente R$ 7,9 milhões referentes a 415 viagens.

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As empresas afirmam que, durante anos, assumiram os custos dos pedágios e que o impacto financeiro aumentou após o encerramento da parceria com a Gerdau, em setembro de 2025.

Segundo o advogado Danilo Alves Muniz, que representa as transportadoras, a situação deixou as empresas em dificuldade financeira.

Leia também: O que é a lei do vale-pedágio? Entenda as regras e as multas para empresas

Contrato e pagamentos serão analisados

Um dos processos envolve um contrato que previa o reembolso posterior do pedágio. A defesa da Ecotrans questiona a validade dessa cláusula, argumentando que uma obrigação definida por lei não poderia ser alterada por acordo comercial.

No caso da Expresso Brito, a empresa afirma que a relação com a Gerdau era baseada em acordos verbais e que enfrentava dificuldades para receber os valores de pedágio.

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A Gerdau informou que ainda não foi formalmente citada nos processos e que apresentará sua defesa no momento adequado. A empresa afirmou que segue a legislação aplicável ao transporte rodoviário de cargas, incluindo as regras do vale-pedágio. A Justiça deverá analisar os documentos apresentados pelas partes antes de decidir sobre os pedidos de indenização.

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