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Por André Amadeus
Publicado 23/05/2026 • 06:00 | Atualizado há 4 semanas
KEY POINTS
Foto: Divulgação
Recuperação judicial é falência? Entenda a diferença no caso da Estrela
A tradicional fabricante de brinquedos Estrela entrou com pedido de recuperação judicial na última quarta-feira (20), em ação protocolada na Comarca de Três Pontas, em Minas Gerais.
A medida envolve outras sete empresas do grupo e foi apresentada como uma tentativa de reorganizar as finanças diante do aumento dos custos de operação, da dificuldade de acesso a crédito e das mudanças no mercado de entretenimento infantil.
Segundo a companhia, a concorrência com jogos digitais e outras formas de consumo voltadas ao público infantil também afetou o desempenho financeiro da empresa nos últimos anos.
Apesar do processo, a fabricante informou que continuará funcionando normalmente, mantendo atividades industriais, vendas e atendimento aos fornecedores.
O pedido feito pela Estrela não representa o encerramento das atividades da empresa. A recuperação judicial é um mecanismo previsto na legislação brasileira para permitir que companhias endividadas negociem prazos e condições de pagamento com credores enquanto seguem operando.
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Na prática, a empresa ganha um período de proteção para reorganizar as contas e apresentar um plano de pagamento. Esse projeto ainda precisa ser aprovado pelos credores e acompanhado pela Justiça.
A falência ocorre em um cenário diferente. Nesse caso, a empresa perde a capacidade de continuar suas operações de forma sustentável e pode ter bens vendidos para quitar dívidas.
Na recuperação judicial, o objetivo é justamente evitar esse desfecho e preservar empregos, contratos e a continuidade do negócio.
Na petição apresentada à Justiça, a Estrela atribuiu a crise financeira ao aumento do custo do capital e às restrições no mercado de crédito.
Empresas com alto endividamento costumam enfrentar mais dificuldade para conseguir financiamentos, o que reduz a capacidade de investimento e operação.
Leia também: Fabricante de brinquedos Estrela renegocia quase R$ 750 milhões em dívidas tributárias
Outro ponto citado foi a transformação do comportamento do consumidor. A expansão dos produtos digitais e das plataformas de entretenimento online alterou hábitos de lazer das crianças e adolescentes, ampliando a concorrência para fabricantes tradicionais de brinquedos.
Antes do pedido de recuperação judicial, a empresa já havia buscado alternativas para reduzir seu passivo tributário.
Em dezembro, a Estrela fechou um acordo com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para renegociar R$ 747,8 milhões em débitos fiscais.
Com descontos em juros, multas e encargos, além do uso de créditos tributários e depósitos judiciais, o valor caiu para R$ 72,4 milhões. O pagamento foi dividido em parcelas que podem chegar a dez anos, dependendo do tipo da dívida.
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Agora, com a recuperação judicial, a expectativa da Estrela é reorganizar também os demais compromissos financeiros e tentar manter a operação ativa no mercado brasileiro de brinquedos.
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