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S&P eleva rating de crédito da Latam Airlines para BB+ por desempenho sólido

Publicado 21/09/2026 • 19:57 | Atualizado há 36 minutos

KEY POINTS

  • S&P elevou o rating de crédito da Latam de BB para BB+, apoiada pelo desempenho operacional e pela geração de caixa da companhia.
  • Agência projeta EBITDA ajustado de US$ 4,3 bilhões em 2026, mesmo após a companhia enfrentar forte aumento nos preços dos combustíveis.
  • Expansão prevê 69 aeronaves adicionais até 2028, enquanto Embraer E2 serão usados para ampliar a presença da Latam no mercado brasileiro.

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A S&P Global Ratings elevou nesta segunda-feira (21) o rating de crédito da Latam Airlines Group de BB para BB+, citando a resistência do desempenho da companhia em meio à volatilidade do mercado e a expectativa de manutenção de indicadores financeiros compatíveis com a nova classificação. A perspectiva atribuída ao rating é estável.

A agência também manteve em BBB- a classificação das notas sênior garantidas com vencimento em 2030 e 2031, além do rating de recuperação 1, correspondente a uma estimativa de recuperação de 95% em caso de inadimplência.

Segundo a S&P, o desempenho da Latam no primeiro semestre reforçou a avaliação de que a companhia possui um modelo de negócios resiliente e uma estrutura de custos competitiva. Mesmo diante de uma alta de 80% nos preços totais dos combustíveis na comparação anual, a receita com passageiros cresceu 27,9% no segundo trimestre, enquanto a receita de passageiros por assento-quilômetro disponível (RASK) avançou 17,5%.

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Para 2026, a agência projeta crescimento entre 9% e 10% na oferta medida em assentos-quilômetros disponíveis (ASK) e taxa de ocupação próxima de 84%. Com esse desempenho, o EBITDA ajustado deverá alcançar US$ 4,3 bilhões (R$ 22,15 bilhões) no ano.

Expansão da frota deve elevar dívida

O crescimento previsto para os próximos anos será acompanhado por uma expansão líquida de 69 aeronaves até 2028, com encomendas envolvendo Airbus, Boeing e Embraer. Parte dos investimentos deverá ser financiada pelo próprio fluxo de caixa operacional da companhia.

Ainda assim, devido ao tamanho do programa, a S&P calcula que a dívida bruta da Latam, incluindo arrendamentos operacionais, aumentará entre US$ 3,5 bilhões (R$ 18,03 bilhões) e US$ 4 bilhões (R$ 20,6 bilhões) de 2025 a 2028. A expectativa é que a companhia mantenha indicadores de alavancagem considerados conservadores durante esse ciclo de crescimento.

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A agência prevê fluxo de caixa operacional livre de cerca de US$ 1,3 bilhão (R$ 6,7 bilhões) em 2026 e US$ 1,9 bilhão (R$ 9,79 bilhões) em 2027. A relação entre fundos provenientes das operações (FFO) e dívida deverá permanecer próxima de 50%, enquanto a dívida ajustada sobre EBITDA deve ficar entre 1,5 vez e 1,6 vez até 2028.

A perspectiva estável considera justamente que a relação FFO/dívida permanecerá acima de 45% até 2028, sustentada pelo aumento das receitas, pela rentabilidade e pela disciplina de custos. Uma queda persistente desse indicador abaixo de 45%, deterioração relevante das margens ou enfraquecimento da liquidez poderia levar a uma redução da nota.

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Brasil será peça importante da expansão

A S&P destaca o mercado brasileiro como uma das principais frentes de crescimento da Latam nos próximos anos. A companhia pretende incorporar aeronaves Embraer E2 à operação, com 24 compromissos firmes até 2027, para ampliar sua malha doméstica de 63 para 67 destinos por meio de oito novas rotas.

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Ao mesmo tempo, a agência aponta a necessidade de acompanhar a capacidade da Latam de transformar a expansão no Brasil em crescimento rentável. O cenário competitivo mudou em 2026: enquanto a Azul reduziu capacidade após sair do Chapter 11, a Gol adotou uma estratégia mais agressiva e ampliou sua oferta em 11,7% nos 12 meses encerrados em julho, ritmo ligeiramente superior ao da Latam.

No segundo trimestre, a taxa de ocupação doméstica da Latam no Brasil recuou 1,9 ponto percentual na comparação anual, para 80,7%. Para a S&P, a expansão da frota exigirá que a maior capacidade seja acompanhada por tarifas e níveis de ocupação capazes de preservar a rentabilidade e a posição da companhia nos principais centros de conexão.

Liquidez é considerada forte

A agência também classifica como forte a liquidez da Latam, apoiada pelo histórico de geração de caixa e pelas linhas de crédito disponíveis. A S&P espera que as fontes de liquidez cubram as necessidades da empresa em mais de 1,5 vez nos próximos 12 a 24 meses.

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Em 30 de junho, a companhia mantinha aproximadamente US$ 2,6 bilhões (R$ 13,39 bilhões) em caixa. A Latam também dispõe de US$ 1,58 bilhão (R$ 8,14 bilhões) em linhas de crédito rotativo e facilidade ligada a motores, além de não enfrentar amortizações relevantes de dívida antes de 2030.

Para os próximos 12 meses, a S&P estima geração de caixa de FFO de aproximadamente US$ 3 bilhões (R$ 15,45 bilhões). Entre as principais necessidades de recursos estão cerca de US$ 2,1 bilhões (R$ 10,82 bilhões) em investimentos de manutenção e frota, US$ 427 milhões (R$ 2,2 bilhões) em dividendos e aproximadamente US$ 287 milhões (R$ 1,48 bilhão) destinados à recompra de ações.

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