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Suzano mira US$ 700 milhões de Ebitda em nova empresa global com Kimberly-Clark, diz CEO Beto Abreu
Publicado 02/07/2026 • 19:37 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 02/07/2026 • 19:37 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
A Suzano pretende levar a cerca de US$ 700 milhões o Ebitda da nova empresa global criada em parceria com a Kimberly-Clark, afirmou Beto Abreu, CEO da companhia, em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.
Segundo o executivo, a operação começa com geração de caixa de aproximadamente US$ 525 milhões e tem US$ 175 milhões em oportunidades de eficiência já mapeadas, a serem capturadas nos próximos dois a três anos.
“Ela começa com um nível de Ebitda, geração de caixa, de US$ 525 milhões”, afirmou. “Publicamos no momento do signing oportunidades de eficiência na ordem de US$ 175 milhões, que devem ser capturadas nos próximos dois, três anos.”
A nova empresa, chamada Arbex, iniciou operações independentes em 1º de julho como resultado da joint venture de US$ 3,4 bilhões entre Suzano e Kimberly-Clark. A companhia nasce com atuação em mais de 70 mercados, em cinco continentes, e 22 unidades industriais em 14 países.
A Suzano detém 51% da nova companhia, enquanto a Kimberly-Clark ficou com 49%. A operação reúne produtos de tissue e higiene, como papel higiênico, toalhas de papel, guardanapos e lenços, além de marcas globais e regionais como Kleenex, Scott, Cottonelle, Andrex e Viva.
Leia também: Suzano Holding aprova conversão de ações preferenciais e grupamento de papéis
Abreu afirmou que a entrada da Suzano no negócio global de bens de consumo é uma evolução natural da relação de longo prazo com a Kimberly-Clark.
Segundo ele, a Suzano já era fornecedora de celulose da companhia americana havia décadas e deu um primeiro passo em produtos de consumo há três anos, ao comprar as operações da Kimberly-Clark no Brasil.
“Nós somos fornecedores exclusivos há muitos anos de celulose para a Kimberly-Clark no mundo todo”, disse. “Demos um passo seguinte há três anos, quando compramos as operações de bens de consumo da Kimberly-Clark aqui no Brasil.”
Com a nova operação, afirmou, a Suzano dá um salto global em uma frente de maior valor agregado, ampliando a presença em produtos que chegam diretamente ao consumidor final.
“Esse novo passo de comprar o controle majoritário da operação de bens de consumo, de papéis higiênicos e papéis de uma maneira geral da Kimberly-Clark, fez com que a gente agora desse um passo global”, afirmou.
A Kimberly-Clark manteve seus negócios de tissue nos Estados Unidos e participações em joint ventures em mercados como México, Coreia do Sul e Bahrein.
Questionado sobre por que a operação faz sentido para a Suzano, Abreu disse que a nova empresa combina competências complementares das duas companhias.
Segundo ele, a Kimberly-Clark tem força em marcas globais, desenvolvimento de produtos, inovação e conhecimento de mercado. A Suzano, por outro lado, acrescenta capacidade industrial, eficiência operacional e gestão de supply chain.
“A combinação das duas empresas, na nossa visão, é muito forte”, afirmou. “A Kimberly-Clark tem como principais competências a gestão de marcas globais, o desenvolvimento de produtos e a inovação. A Suzano coloca nessa empresa muitas competências do ponto de vista industrial, operacional e de supply chain.”
O CEO disse que essa complementaridade explica a opção por uma parceria, e não por uma aquisição integral.
“Por isso a ideia da parceria, e não de uma aquisição completa, faz com que nós tenhamos o melhor das duas empresas nesses mercados”, afirmou.
A nova companhia terá governança própria, estrutura de capital independente e equipe formada por executivos das duas empresas, segundo Abreu.
Siga o Times | CNBC no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo.
Siga o Times | CNBC“Uma empresa completamente independente da Suzano, independente da Kimberly-Clark, vai ter sua própria governança, sua própria estrutura de capital, com time de gestores altamente capacitados das duas empresas”, disse.
Abreu afirmou que a integração deve acelerar inovação, ampliar o portfólio e gerar ganhos em áreas como suprimentos, distribuição e eficiência industrial.
Segundo ele, essas oportunidades foram mapeadas durante o processo de diligência da operação.
“Nós mapeamos durante o processo de diligência uma oportunidade na área de suprimento, na área de distribuição e na parte de eficiência industrial”, afirmou.
Para o CEO, uma empresa com governança própria, mais agilidade e menor custo tem melhores condições de entregar valor para clientes e consumidores.
“À medida que você tem uma governança que permita que a empresa tenha muito mais agilidade e menor custo, você consegue obviamente transferir para os seus clientes do ponto de vista de proposta de valor”, disse.
Leia também: Suzano e Kimberly-Clark fecham negócio bilionário e fundam a Arbex
Abreu também comentou o cenário mais difícil para a celulose, que afetou preços e ações do setor. Segundo ele, a Suzano trabalha para ser competitiva em diferentes ciclos, sem depender apenas de uma melhora de mercado.
“Precisamos trabalhar para sermos competitivos e eficientes em qualquer cenário”, afirmou.
O executivo disse que a companhia opera em mais de 100 países e precisa estar preparada para volatilidade cambial, incertezas geopolíticas e mudanças no ambiente global.
“Um negócio como o nosso, que exporta para mais de 100 países, precisa estar pronto para atuar em diversos cenários”, afirmou.
Segundo Abreu, a prioridade da Suzano é concentrar esforços no que está sob controle da empresa.
“A gente está muito concentrado em fazer o melhor possível no que a gente controla”, disse.
Para o CEO, a resiliência operacional é necessária tanto em momentos de alta quanto em períodos de baixa.
“Faz parte de uma empresa como a nossa ter resiliência para todos os momentos, nos momentos de alta e também nos momentos mais de baixa”, afirmou.
Abreu afirmou que o foco da Suzano, a partir de agora, será capturar rapidamente os ganhos de eficiência previstos para a nova companhia.
“O foco a partir de agora é trazer esses ganhos o mais rápido possível para que a gente tenha uma companhia na ordem de US$ 700 milhões de Ebitda”, disse.
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