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Big Techs perdem US$ 1 trilhão e reacendem temor de bolha da IA. Veja como isso afeta o Brasil
Publicado 10/02/2026 • 08:35 | Atualizado há 3 meses
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Publicado 10/02/2026 • 08:35 | Atualizado há 3 meses
KEY POINTS
Reprodução
As maiores empresas de tecnologia do planeta atravessaram uma das semanas mais tensas do ano em Wall Street. Mais de US$ 1 trilhão evaporou do valor de mercado conjunto depois que relatórios de resultados revelaram planos agressivos de investimento em inteligência artificial, reacendendo o fantasma de uma possível bolha no setor.
Papéis de Microsoft, Nvidia, Oracle, Meta, Amazon e Alphabet recuaram ao longo da semana, em meio à percepção de que os gastos exigidos pela corrida da IA estão entrando em território historicamente arriscado.
Para se ter dimensão, segundo o Financial Times, as Big Tech pretendem direcionar cerca de US$ 660 bilhões para projetos ligados à IA neste ano, cifra superior ao PIB anual de países como Emirados Árabes Unidos, Cingapura ou Israel.
É o tipo de número que faz até investidores acostumados a apostas gigantes engolirem seco.
Na sexta-feira, antes da abertura dos mercados, a Amazon chegou a cair 7%. Alphabet operava em leve baixa, Meta estava praticamente estável, enquanto Oracle, Nvidia e Microsoft ensaiavam pequenas recuperações.
O pano de fundo, porém, continua frágil.
“Empresas ligadas ao hardware da expansão de IA devem enfrentar mais volatilidade à medida que o contágio de sentimento se espalha”, disse Paul Markham, diretor de investimentos da GAM Investments, em entrevista à CNBC.
Segundo ele, as dúvidas são múltiplas: tamanho real do capex exigido por grandes modelos de linguagem, retorno sobre esses investimentos e risco de excesso de capacidade no futuro. Em outras palavras, Wall Street começou a fazer contas com mais frieza.
Se antes o medo era ficar para trás na corrida da IA, agora é gastar demais e descobrir depois que o mercado não cresce na mesma velocidade.
Leia também: Ações da Amazon caem 9% e puxam venda das Big Techs em meio à desconfiança sobre bolha da IA
Entre as gigantes, a Amazon chamou atenção pelo apetite financeiro. A empresa projetou cerca de US$ 200 bilhões em investimentos, alta anual de mais de 50%, o maior nível entre as chamadas hyperscalers.
Para Mamta Valechha, analista da Quilter Cheviot, a maior parte do dinheiro deve ir para a divisão de nuvem AWS, pilar central da estratégia de IA do grupo.
Embora a gestão da companhia transmita confiança no retorno de longo prazo, a baixa visibilidade sobre prazos e margens tem deixado investidores desconfortáveis.
O sentimento virou a chave. O mercado saiu do modo “não posso ficar para trás” para o modo “preciso questionar cada detalhe dessa corrida”.
É como nas ondas de startups dos anos 2000 ou nas criptomoedas em 2021: quando todos correm juntos, qualquer tropeço coletivo vira avalanche.
Nem todo mundo, porém, sangrou na semana.
A Apple, que vem sendo pressionada há meses por gastar menos com IA do que rivais, viu suas ações subirem cerca de 7%, impulsionadas por vendas fortes do iPhone.
O CEO Tim Cook descreveu a demanda pelo aparelho como “impressionante”, ajudando a afastar, ao menos temporariamente, a desconfiança sobre a estratégia mais cautelosa da empresa em infraestrutura de IA.
O contraste foi simbólico: enquanto algumas companhias apostam tudo na expansão acelerada de data centers e chips, a Apple colhe frutos de um portfólio mais equilibrado no curto prazo.
Leia também: Apple adiciona agentes da Anthropic e da OpenAI à sua ferramenta de programação
Por trás das oscilações está uma pergunta simples e brutal: esses investimentos gigantescos vão se pagar?
A IA generativa promete transformar setores inteiros, mas a monetização ainda engatinha diante do custo astronômico de treinar modelos, operar servidores e garantir energia suficiente para os data centers.
Se o crescimento de receitas não acompanhar o ritmo dos aportes, os balanços podem ficar mais pesados, pressionando margens e valuations que já embutem anos de expansão futura.
Para os mercados, é o momento clássico de teste de fé. A tecnologia segue no centro da narrativa econômica global, mas investidores começam a exigir provas concretas, não apenas promessas.
No Brasil, o impacto chega por três canais principais: fluxo de capital estrangeiro, desempenho de fundos e ETFs globais e o humor geral dos investidores em mercados emergentes.
Quando o apetite por risco diminui nos Estados Unidos, gestores internacionais tendem a reduzir posições em bolsas periféricas para reforçar caixa em mercados centrais. Isso costuma pressionar o índice da B3, especialmente em pregões de maior volatilidade global.
Fundos locais que replicam índices internacionais ou carregam papéis de tecnologia também sentem o baque. Investidores brasileiros com exposição indireta a nomes como Microsoft ou Nvidia via ETFs listados no exterior veem suas carteiras oscilar mesmo sem comprar ações diretamente em Nova York.
Há ainda um efeito psicológico relevante. Sempre que surge a palavra “bolha” associada a um setor que liderou a alta nos últimos anos, o mercado entra em modo defensivo. Isso costuma reduzir a rotação para ativos considerados mais arriscados, incluindo ações brasileiras, especialmente as de crescimento e tecnologia financeira, como a Nubank, que frequentemente é comparada a empresas globais de inovação.
Por outro lado, o impacto não é uniforme. Em momentos de correção no setor tech, investidores podem migrar para ações ligadas a commodities e bancos tradicionais, áreas em que o Brasil tem peso relevante com companhias como Vale e Petrobras. Esse movimento às vezes funciona como amortecedor para o índice local.
Em resumo, a conta da corrida bilionária pela IA chega ao Brasil menos pela exposição direta às Big Tech e mais pelo efeito cascata no humor dos mercados globais. Se a volatilidade persistir, investidores locais devem conviver com pregões mais nervosos e seletividade maior na escolha de ativos.
É o velho mantra dos mercados em versão 2026: quando os gigantes tropeçam, o mundo inteiro olha para os próprios pés antes de continuar correndo.
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