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Como a inteligência artificial pode afetar a estabilidade do sistema financeiro?
Publicado 07/07/2026 • 08:30 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 07/07/2026 • 08:30 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Foto: Unsplash
Como a inteligência artificial pode afetar a estabilidade do sistema financeiro?
A inteligência artificial (I.A) já deixou de ser uma promessa futura e passou a ocupar um papel central no sistema financeiro global.
Ao mesmo tempo, autoridades regulatórias da Europa e instituições internacionais vêm reforçando um alerta importante. O avanço da tecnologia ocorre em um ritmo mais rápido do que a capacidade de regulação. Isso pode gerar novos desafios para a estabilidade dos mercados.
Nos últimos meses, esse tema ganhou força entre reguladores e banqueiros centrais, eles destacam os ganhos de produtividade da I.A. Também chamam atenção para os riscos associados ao uso crescente da tecnologia no setor financeiro.
Leia também: Principais banqueiros da Europa alertam que a IA está avançando mais rápido do que a regulamentação
Nikhil Rathi, CEO da Autoridade de Conduta Financeira do Reino Unido (Financial Conduct Authority), afirmou que o modelo tradicional de regulação não acompanha mais o ritmo das mudanças tecnológicas. Segundo ele, o ciclo regulatório atual enfrenta limitações diante de inovações que evoluem em semanas ou poucos meses.
Rathi defende a necessidade de novas abordagens. Ele também destaca a importância de maior colaboração entre reguladores e mercado. Isso é especialmente relevante em temas como crimes financeiros e riscos associados à inteligência artificial.
Na mesma linha, Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu (European Central Bank), destacou que a I.A pode trazer ganhos importantes de produtividade. No entanto, também representa riscos relevantes.
Ela alertou principalmente para o avanço de ameaças como ataques cibernéticos, roubo de dados e outras vulnerabilidades digitais, que podem se tornar mais rápidas e complexas com o uso de modelos avançados de IA.
Sarah Breeden, do Banco da Inglaterra (Bank of England), afirmou que o uso de inteligência artificial com capacidade de ação pode ampliar a volatilidade nos mercados financeiros em períodos de estresse.
Segundo ela, embora o uso atual da tecnologia esteja mais concentrado em funções operacionais e de pesquisa, esse cenário pode mudar rapidamente à medida que os sistemas evoluem.
Breeden também mencionou a possibilidade de criação de mecanismos de proteção semelhantes a “disjuntores”, que poderiam interromper negociações caso modelos automatizados causassem instabilidade no mercado.
Leia também: Relatório anual do BIS aponta riscos crescentes no mercado de I.A; entenda
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Siga o Times | CNBCO Banco de Compensações Internacionais (Bank for International Settlements) também chamou atenção para o crescimento acelerado dos investimentos em inteligência artificial.
Segundo o relatório da instituição, o setor pode movimentar mais de US$ 1 trilhão entre 2025 e 2026. O banco não aponta a formação de uma bolha, mas alerta para os riscos associados ao volume elevado de capital direcionado a um setor ainda em consolidação.
O BIS destaca que grandes empresas de tecnologia seguem ampliando investimentos em infraestrutura, como data centers e chips avançados, em um cenário de forte competição. Essa dinâmica pode pressionar os retornos do setor, caso as expectativas de crescimento não se confirmem.
Outro ponto levantado é a estrutura de financiamento cada vez mais complexa entre empresas de tecnologia, investidores e fornecedores, o que pode dificultar a avaliação completa dos riscos envolvidos.
De acordo com o BIS, a influência da inteligência artificial já ultrapassa o setor de tecnologia e se reflete nos mercados financeiros globais, especialmente por meio da valorização de empresas ligadas ao setor.
A concentração de investimentos em poucas companhias pode aumentar a sensibilidade dos mercados a possíveis correções de preços. Ainda assim, o relatório trata esses efeitos como riscos potenciais, e não como um cenário inevitável.
O banco também destaca que mudanças macroeconômicas, como inflação e juros elevados, podem intensificar esses desafios ao limitar o financiamento de novos projetos.
Leia também: Trump avança onde Lula recua: dez anos de “Ilegal” e a paralisia brasileira na cannabis
Apesar dos alertas, reguladores e instituições financeiras não defendem a contenção do avanço da inteligência artificial. O foco, segundo eles, está em encontrar um equilíbrio entre inovação, supervisão e estabilidade do sistema financeiro.
Entre as medidas discutidas estão o fortalecimento da regulação, maior transparência nos investimentos e desenvolvimento de ferramentas capazes de responder com mais agilidade a riscos emergentes.
No cenário atual, a inteligência artificial passa a ocupar não apenas um papel tecnológico, mas também sistêmico, influenciando decisões, fluxos de capital e a forma como o sistema financeiro global lida com incertezas.
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