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Por que empresas de I.A. estão comprando milhares de livros de segunda mão?
Publicado 06/08/2026 • 07:30 | Atualizado há 1 uma semana
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Publicado 06/08/2026 • 07:30 | Atualizado há 1 uma semana
KEY POINTS
Foto: Magnfic
A corrida global pela inteligência artificial começou a movimentar o setor de livros físicos, um mercado que parecia distante da tecnologia. Empresas ligadas ao desenvolvimento de modelos de I.A. passaram a adquirir milhares de exemplares usados para transformá-los em bases de dados, ampliando o acesso a conteúdos mais especializados.
Dessa forma, a procura por livros antigos com o propósito de incorporar o sistema das inteligências artificiais chamou a atenção de especialistas e donos de livrarias.
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A estratégia ganhou destaque após uma investigação revelar que empresas especializadas em I.A. vêm comprando livros usados em larga escala. O caso começou a chamar atenção quando livrarias europeias perceberam pedidos incomuns. Na ocasião, compradores adquiriam poucos exemplares, mas pagavam valores elevados apenas pelo frete, indicando que o objetivo não era a leitura em si.
Com o avanço das apurações, foi descoberto que muitos desses livros eram enviados para empresas responsáveis pela digitalização dos textos. Em seguida, o conteúdo passava a integrar grandes bases de dados utilizadas no treinamento de modelos de inteligência artificial.
Documentos analisados pelo The Washington Post apontaram ainda a existência do chamado Projeto Panamá, iniciativa ligada à Anthropic, desenvolvedora do Claude. Segundo a publicação, o programa foi criado para digitalizar livros físicos em grande escala e incorporar esse material ao treinamento dos sistemas de I.A.
Especialistas explicam que os modelos de inteligência artificial já consumiram boa parte dos textos públicos disponíveis na internet. Agora, as empresas procuram materiais mais completos, organizados e confiáveis para continuar melhorando seus algoritmos.
Nesse contexto, empresas de tecnologia passaram a considerar livros técnicos, estudos regionais, ensaios, obras acadêmicas e publicações especializadas como fontes valiosas de informação. Diferentemente de muitos conteúdos disponíveis na web, esses materiais passam por processos de edição, revisão e organização antes da publicação.
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Siga o Times | CNBCA crescente utilização de livros para treinamento de inteligência artificial também ampliou as discussões sobre direitos autorais. Nos últimos anos, veículos de imprensa e editoras passaram a questionar o uso de conteúdos protegidos por copyright sem autorização.
Além disso, caso os modelos de I.A passem a aprender principalmente com conteúdos produzidos por outras inteligências artificiais, poderá surgir o chamado “colapso de modelo”, fenômeno em que a qualidade das respostas diminui gradualmente por falta de novas fontes produzidas por seres humanos.
Dessa forma, especialistas defendem que o conhecimento preservado em livros físicos continue acessível também por meio de instituições públicas, evitando que grandes acervos acabem concentrados apenas em empresas privadas de tecnologia.
Enquanto empresas de tecnologia ampliam a procura por obras físicas, o comércio brasileiro também apresentou crescimento nas vendas do segmento. Segundo o IBGE, o setor de livros, jornais, revistas e papelaria avançou 15,2% de abril para maio, desempenho que liderou entre os oito segmentos analisados.
O levantamento não associa esse crescimento ao avanço da I.A. Ainda assim, o cenário mostra que o mercado de livros atravessa um período de maior movimentação.
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