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Escassez de memória que afeta Apple e Microsoft representa ‘crise existencial’ para empresas menores
Publicado 28/06/2026 • 12:00 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 28/06/2026 • 12:00 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
No início deste ano, a Mono Technologies montou e enviou quase 1.000 unidades de seu principal produto, um kit de desenvolvimento de roteador de US$ 600 (R$ 3.108). O cofundador Tomaž Zaman, que criou a Mono em 2024, encontrou aceitação inicial entre entusiastas de redes, que utilizam o produto para acelerar suas conexões de internet.
Então veio a escassez de memória, que elevou o custo de produção de praticamente todos os dispositivos eletrônicos do planeta. Agora, Zaman não sabe qual será o próximo passo, especialmente em relação aos 1.300 clientes em potencial que já pagaram um depósito de US$ 100 (R$ 518) para a próxima rodada de produção.
O custo da Mono para adquirir 8 gigabytes de um tipo de memória DRAM da Micron saltou de US$ 35 (R$ 181,30), quando o produto ainda estava em desenvolvimento, para US$ 300 (R$ 1.554) atualmente. À frente de uma empresa com apenas três funcionários, Zaman disse que ainda não decidiu se produzirá um segundo lote com aumento de pelo menos um terço no preço ou se lançará um novo modelo com 75% menos memória.
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“Mesmo um roteador da nossa categoria perde o custo-benefício se for vendido por US$ 900 (R$ 4.662) ou US$ 1.000 (R$ 5.180)”, disse Zaman à CNBC em entrevista. “Mas teremos de fazer isso ou reduzir o produto ao mínimo possível.”
A experiência de Zaman está se tornando comum em todo o mercado de eletrônicos de consumo, desde dispositivos icônicos como iPads e consoles Xbox até produtos de nicho que mal passaram da fase de testes. Os custos estão disparando devido ao aperto global na oferta provocado pelo boom da inteligência artificial, que levou fabricantes de chips como a Nvidia a consumir volumes cada vez maiores de memória para seus processadores e sistemas avançados.
Mas, enquanto gigantes da tecnologia como Apple e Microsoft, que anunciaram aumentos de preços nesta semana, contam com ampla disponibilidade de caixa, poder de negociação na cadeia de suprimentos e milhões – ou até bilhões – de clientes, um grupo muito maior de empresas enfrenta uma situação potencialmente crítica. A maioria das fabricantes de eletrônicos de consumo opera com margens reduzidas e não consegue elevar preços com segurança em uma economia que já enfrenta pressões inflacionárias.
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GoPro, fabricante de câmeras de ação que enfrenta dificuldades, alertou neste mês que pode encerrar suas atividades após os custos de memória aumentarem entre 80% e 115% no fim do primeiro trimestre. Já as ações da fabricante de caixas de som Sonos acumulam queda de 23% neste ano, à medida que os preços da memória pressionam suas margens.
Nabila Popal, analista da IDC, descreveu a situação atual como uma “crise existencial absoluta” para empresas como fabricantes menores de smartphones Android ou “players locais que produzem dispositivos abaixo de US$ 100“.
“Eles não conseguirão obter memória porque os fornecedores estão atendendo apenas aos grandes players”, afirmou Popal.
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O outro lado dessa história também ficou evidente nesta semana.
Em seu balanço trimestral divulgado na quarta-feira, a Micron informou que sua receita no período mais recente foi mais de quatro vezes maior, enquanto sua margem bruta mais do que dobrou, passando de 39% para quase 85% em relação ao ano anterior. As ações da Micron subiram 16% após o resultado e acumulam alta de cerca de 800% nos últimos doze meses, acompanhando a valorização de concorrentes como SK Hynix e Samsung.
A Micron informou que o preço médio de venda de sua memória DRAM no terceiro trimestre aumentou mais de 260% em relação ao mesmo período do ano anterior. Sumit Sadana, diretor de negócios da Micron, afirmou em entrevista que a empresa firmou contratos de fornecimento de longo prazo com fabricantes de smartphones e computadores voltados ao consumidor.
“Dedicamos muito tempo pensando em como administrar o negócio, o fornecimento e a distribuição desses volumes escassos entre clientes, segmentos, mercados e regiões para garantir uma abordagem criteriosa, responsável e justa”, disse Sadana.
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Siga o Times | CNBCUm dia após a divulgação dos resultados da Micron, a Apple aumentou os preços de uma ampla gama de iPads e Macs, afirmando, em comunicado, que a empresa “nunca viu um aumento de preços de componentes tão grande e tão rápido“. Em entrevista ao Wall Street Journal, publicada na semana passada, o CEO Tim Cook disse que os reajustes eram inevitáveis e classificou a situação da memória como “uma enchente que acontece uma vez a cada cem anos“.
Poucas horas após o anúncio da Apple, a Microsoft informou que o preço do Xbox Series S subiria US$ 100 (R$ 518), passando para cerca de US$ 500 (R$ 2.590). Em publicação no blog da empresa, a companhia afirmou que os consoles normalmente são vendidos por um valor inferior ao custo de fabricação.
“Os preços de armazenamento e memória para consoles aumentaram mais de 2,5 vezes e esperamos outra duplicação até o segundo semestre de 2027”, afirmou a Microsoft. “Toda a indústria de eletrônicos de consumo enfrenta a atual crise de componentes, mas os efeitos são particularmente severos para os consoles.”
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Wall Street também demonstra preocupação, já que as ações das duas empresas caíram nesta semana e têm desempenho inferior ao dos principais índices em 2026. Mas o nível de preocupação é muito maior entre empresas que não possuem relacionamento próximo com fornecedores de componentes e que enfrentam constantes oscilações de custos e disponibilidade.
Segundo uma carta enviada por grupos de lobby ao Departamento de Comércio dos Estados Unidos no início deste mês, setores que vão de telecomunicações e dispositivos médicos ao varejo estão preocupados com a alta dos preços.
A GoPro informou, em seu alerta aos investidores, que recebeu em abril a informação de fornecedores de memória sobre “reduções planejadas na produção da memória utilizada em seus produtos“, o que levou à revisão para baixo das projeções de vendas. A empresa não respondeu a um pedido de comentário.
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Elaine Ferguson, cofundadora da W5 Technologies, tenta encontrar uma forma de lidar com os altos custos da memória RAM e com os longos prazos de entrega dos equipamentos de comunicação que sua empresa fabrica para empreiteiras do setor de defesa.
No início deste ano, a W5 encomendou um servidor de um grande fabricante para utilizá-lo em um simulador de comunicações via satélite que pretendia entregar em maio. Ferguson afirmou que o equipamento custou US$ 8.839 (R$ 45,8 mil), ante US$ 5.373 (R$ 27,8 mil) em 2020.
Desde essa compra, o preço praticamente dobrou.
“Acabamos de encomendar outro para uma nova venda”, disse Ferguson. “Agora ele custa pouco menos de US$ 15.000 (R$ 77,7 mil) e o prazo de entrega é incerto. Se conseguirmos recebê-lo, já teremos sorte.”
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Em vez de recebê-lo em maio, Ferguson afirmou que agora espera a entrega apenas em agosto. Ela disse que a W5 ofereceu ao cliente do setor de defesa um servidor usado, atualmente em fase de testes, além de custear a viagem de sua equipe para realizar a instalação.
Enquanto isso, na Mono Technologies, Zaman afirmou que continua trabalhando no desenvolvimento e na homologação do próximo modelo da empresa, embora ainda não saiba quando ele chegará ao mercado. Ele também está buscando investidores para financiar uma nova e maior rodada de produção.
“Fabricar produtos é muito caro”, afirmou.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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