Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no
Financiamento de infraestrutura de IA já mostra sinais de bolha
Publicado 12/08/2026 • 20:04 | Atualizado há 53 minutos
Novo Pixel 11 coloca Gemini no centro da disputa do Google com a Apple por celulares com IA
Apostas contra a SpaceX perdem força após ações se recuperarem em mais de 30%
A cara expansão da inteligência artificial complica combate do Fed à inflação
Preços ao consumidor dos EUA sobem 0,1% em julho, em linha com o esperado, e inflação anual fica em 3,4%
Tencent supera expectativa de receita no 2º trimestre com games e publicidade impulsionada por IA
Publicado 12/08/2026 • 20:04 | Atualizado há 53 minutos
KEY POINTS
O modelo de financiamento da expansão da infraestrutura de inteligência artificial já apresenta sinais de uma possível bolha, embora a própria tecnologia esteja longe de representar uma, segundo Guilherme Freire, CEO da Dolado e especialista em Inteligência Artificial aplicada a negócios.
Em entrevista nesta quarta-feira (12) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Freire analisou a iniciativa liderada pela Nvidia ao lado de grandes instituições de Wall Street para mobilizar mais de US$ 500 bilhões (R$ 2,59 trilhões) destinados à infraestrutura de IA. Para ele, os principais riscos estão na forma como essa expansão será financiada e na capacidade dos investimentos de entregar os retornos esperados.
“Para mim, a inteligência artificial como tecnologia está longe de ser uma bolha. É uma transformação na história da humanidade como há muito tempo não se via”, avaliou.
Leia também: Nvidia avança 2,7% após CEO esclarecer riscos de financiamento da infraestrutura de IA
Freire ponderou, no entanto, que é necessário separar a evolução da tecnologia do financiamento necessário para construir a infraestrutura que sustentará sua expansão. “Existem sinais de bolha, sim, entre como essa infraestrutura vai ser financiada e a capacidade de dar retorno a esses investimentos”, alertou.
Segundo Freire, apesar da dimensão dos valores envolvidos, a iniciativa anunciada pela Nvidia e pelas instituições financeiras ainda não constitui um acordo definitivo.
“Esse anúncio desse investimento ainda está em uma fase em que não tem termos, ainda não tem prazos. Foi um acordo entre esses grandes players com uma intenção de fazer esse investimento, mas ele ainda não foi confirmado”, explicou.
Leia também: Nvidia fecha acordo de US$ 500 bilhões para financiar infraestrutura de I.A
Para o executivo, o movimento também pode ser interpretado como uma estratégia defensiva da Nvidia diante das mudanças entre seus maiores clientes, especialmente as grandes empresas de tecnologia que operam infraestrutura de computação em nuvem.
Freire destacou que companhias como Amazon, Google e Meta vêm buscando reduzir a dependência dos chips da Nvidia, desenvolvendo componentes próprios e estabelecendo parcerias com concorrentes.
“A Nvidia já está se antecipando a essa ameaça, embora os resultados da Nvidia ainda sejam muito sólidos”, observou.
Segundo ele, o novo veículo de crédito deverá atender principalmente às chamadas neoclouds, empresas menores de infraestrutura de computação que podem competir com as grandes provedoras utilizando tecnologia da Nvidia.
Freire comparou o atual ciclo de investimentos em infraestrutura de IA com o que ocorreu no setor de telecomunicações durante a década de 1990, quando instituições de Wall Street financiaram uma expansão acelerada das redes necessárias para sustentar o crescimento da internet.
“Esses mesmos grandes bancos de Wall Street se mobilizaram para investir em infraestrutura de telecom, de fibra ótica, dado que a internet estava crescendo e precisava de uma infraestrutura muito massiva”, relembrou.
Embora a internet tenha se consolidado como uma tecnologia transformadora e a demanda tenha crescido fortemente, Freire ressaltou que muitos investidores que financiaram aquela infraestrutura perderam dinheiro.
Leia também: Como uma aposta na Nvidia em 2017 colocou a Wistron entre as empresas que mais cresceram
Para ele, existem semelhanças importantes entre aquele momento e o atual ciclo de investimentos em inteligência artificial. “Eu vejo os mesmos elementos da bolha de telecom que explodiu. Vejo um paralelo muito claro”, comparou.
Siga o Times | CNBC no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo.
Siga o Times | CNBCOutro ponto de preocupação está na proposta de utilizar chips como garantia das operações de crédito destinadas às empresas que receberão os recursos.
Freire questionou a comparação desses equipamentos com ativos tradicionais de infraestrutura capazes de gerar fluxos previsíveis de receita por períodos prolongados.
Segundo ele, chips são ativos que se depreciam rapidamente, o que torna mais difícil tratá-los da mesma forma que fábricas ou outros ativos físicos utilizados como garantia financeira.
“Quando ele transforma isso em ‘fábricas de inteligência artificial’, dá uma ideia de previsibilidade como se fosse uma fábrica. E a gente está falando de um ativo que não funciona como uma fábrica, um ativo que deprecia muito rápido”, ponderou.
Para Freire, os riscos envolvidos nesse modelo não estão suficientemente claros para os investidores. “Eu acho que isso, sim, pode ser entendido como um princípio de mecanismo de bolha e eu seria muito mais cauteloso”, advertiu.
O executivo ressaltou que a discussão sobre uma eventual bolha precisa distinguir três componentes: a tecnologia de inteligência artificial, a infraestrutura necessária para sustentá-la e as avaliações das empresas do setor.
Leia também: Nvidia articula plano de US$ 500 bilhões para financiar infraestrutura de IA
Na visão de Freire, o avanço tecnológico e suas aplicações não apresentam características de bolha. Da mesma forma, as elevadas avaliações de empresas de IA não significam necessariamente que exista uma distorção generalizada.
O principal ponto de atenção, segundo ele, está no financiamento da infraestrutura. “Eu vejo mais nessa parte do financiamento, do jeito que está sendo estruturado, os mesmos elementos que eu vi na década de 90 das empresas de telecom”, ressaltou.
Freire também alertou que os impactos de uma eventual deterioração desse mercado podem ultrapassar as ações das empresas de tecnologia e atingir o mercado de renda fixa e outras classes de ativos.
Isso ocorre porque o mecanismo discutido pela Nvidia e pelas instituições financeiras é, essencialmente, um veículo de crédito direcionado a empresas que normalmente não teriam acesso a financiamentos dessa dimensão.
Leia também: Ações da AMD despencam após Elon Musk escolher a Nvidia para a SpaceX
“Existe um risco aqui de crédito, porque no final esse veículo que está sendo discutido é um veículo de crédito”, enfatizou.
Segundo Freire, a Nvidia e as instituições envolvidas estão estruturando uma nova modalidade de financiamento baseada na expectativa de que a infraestrutura de IA produza fluxos de caixa previsíveis.
“Basicamente, a Nvidia está fabricando junto a esses players uma nova modalidade de crédito, travestida de fluxo de caixa previsível, como se fosse uma fábrica”, explicou.
Caso os retornos projetados não se concretizem e o mercado de crédito seja atingido, os efeitos podem se espalhar para outros segmentos financeiros. “Se essa bolha estourar no crédito, vai, sim, contaminar vários outros ativos”, concluiu.
🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais
🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562
🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube
🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings
Maiores Audiências
1
Caso ‘Master Capixaba’ faz CVC despencar na Bolsa e enfrentar crise da sócia às vésperas do balanço
2
Quem é o dono da Apex Partners envolvida no caso ‘Master Capixaba’
3
Lotofácil 3759: prêmio de R$ 2 milhões é sorteado; confira as dezenas
4
Caso ‘Master capixaba’: mercado vê rombo multimilionário em operação da Apex Partners para compra da CVC
5
PF pede bloqueio de bens da Gerdau após meses de contaminação em praia de Salvador