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IA autônoma pode assumir compras e mudar regra do varejo
Publicado 24/06/2026 • 09:00 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 24/06/2026 • 09:00 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
A inteligência artificial está entrando em uma nova fase no comércio digital, na qual agentes autônomos poderão comparar produtos, tomar decisões e realizar compras em nome dos consumidores. É o que afirmou David Dias, sócio líder de inteligência artificial da EY para a América Latina.
Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Dias disse que o avanço do chamado agentic commerce muda a lógica do varejo e obriga empresas a repensarem sua arquitetura tecnológica.
“A gente tinha assistentes de inteligência artificial e agora tem agentes de inteligência artificial”, afirmou. “Eu posso terceirizar a função de compra para um agente autônomo de inteligência artificial. Essa é a grande mudança.”
Segundo Dias, a disputa pela atenção do consumidor deixará de depender apenas de sites atrativos, páginas bem desenhadas ou campanhas voltadas ao usuário final. Com agentes de IA tomando decisões, as empresas precisarão tornar seus dados legíveis para máquinas.
“A diferença não é ter um website atrativo ou bem completo de informações. Agora é ter protocolos que a inteligência artificial consiga ler”, disse.
O executivo afirmou que esses protocolos ficam no back-end das empresas e precisam apresentar informações de forma estruturada, como preço, disponibilidade e características dos produtos.
“Se você não tiver essa informação disponível e bem estruturada, os agentes não vão usar os seus dados”, afirmou.
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Dias disse que o Brasil tem histórico de adoção rápida de novas tecnologias, especialmente em canais digitais e meios de pagamento. Segundo ele, uma pesquisa recente da EY mostra que 94% das pessoas com acesso à internet no país utilizam assistentes virtuais.
O levantamento também aponta que 21% dos usuários já utilizaram agentes de IA de alguma forma, seja para comparar produtos ou terceirizar algum tipo de decisão.
“A adoção no Brasil de inteligência artificial é muito rápida e muito grande”, afirmou.
Apesar disso, ele disse que a confiança ainda é um ponto de atenção. Segundo Dias, o índice de confiança no uso e na proteção de dados fica em torno de 56% no Brasil.
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Siga o Times | CNBC“Isso cria para o negócio um alerta: seja mais confiável”, disse. “Se você for mais confiável nas transações ou nas relações com o consumidor final, isso pode ser um fator de decisão de compra.”
Na avaliação do executivo, o agentic commerce também muda o papel das pessoas no varejo e na indústria. Se a decisão de compra passa a ser terceirizada para um agente de IA, a transparência e a profundidade das informações se tornam determinantes.
“O grande diferencial para comprar um produto A ou um produto B é o quão transparentes os dados desses produtos vão estar disponíveis para esses agentes”, afirmou.
Segundo Dias, essa mudança reduz o peso da persuasão tradicional e amplia a importância da governança de dados dentro das empresas.
“O papel do vendedor agora é exercido pelo papel do gestor de dados”, disse. “Não é mais uma persuasão para que a pessoa compre, e sim transparência e profundidade de informação para que o agente compre.”
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Dias afirmou que o maior desafio para as empresas será se tornarem visíveis para os agentes de IA. Isso exigirá novas arquiteturas tecnológicas e integração com protocolos de grandes plataformas.
“O maior desafio é se tornar visível para esses agentes”, afirmou.
Para ele, a principal mensagem aos executivos é investir em capacitação e letramento em inteligência artificial em toda a organização, não apenas nas áreas de tecnologia ou vendas.
“Talvez o grande vetor de transformação hoje dentro das companhias seja criar uma cultura de inteligência artificial dentro das organizações”, disse.
Segundo Dias, a mudança não ficará restrita ao e-commerce.
“Aqui a gente está falando de uma mudança fundamental, mas a mudança vai ocorrer na empresa inteira”, afirmou.
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