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IA bilionária, empregos intactos? O que está mudando no mercado de trabalho
Publicado 20/03/2026 • 09:22 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 20/03/2026 • 09:22 | Atualizado há 1 hora
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Foto: Divulgação
IA bilionária, empregos intactos? O que está mudando no mercado de trabalho
Durante o SXSW 2026, o analista de negócios Guilherme Ravache conversou com Michelle Schneider, professora da Singularity University, sobre os impactos da inteligência artificial no mercado de trabalho.
Eles destacam como a IA está mudando a forma como executamos tarefas, o crescimento da gig economy e a transição de fazer para planejar e projetar o trabalho.
O avanço da inteligência artificial tem gerado preocupação global, especialmente diante dos valores investidos por grandes empresas de tecnologia. Michelle contextualiza a dimensão desse movimento:
“Esse ano só quatro empresas, Meta, Google, Microsoft e Amazon. Vão investir 600 bilhões de dólares em infraestrutura de IA. E só para dar uma noção do que é isso, é maior do que o PIB, do que a economia de mais de 150 países.”
Apesar disso, Michelle Schneider aponta que o impacto direto no emprego ainda não se concretizou. “A gente ainda não tem esse impacto, tá? Até aqui, até onde a gente está, a gente não pode dizer que a IA já tá impactando os empregos”, afirma, destacando que fatores econômicos mais amplos ainda explicam melhor as oscilações no mercado.
Mesmo com manchetes sobre demissões em massa, os dados mostram um cenário mais estável do que parece. Schneider explica que há uma confusão na interpretação desses movimentos.
“Quando você vê o quanto que esses layoffs representam do mercado americano, é mínimo.” Ela complementa que a redução nas contratações está mais ligada ao contexto econômico: “quando você cruza com a taxa de juros, é muito mais um reflexo da economia do que da IA.”
Se o impacto ainda não é visível no número de empregos, ele já começa a aparecer na forma como o trabalho é realizado. A principal mudança, segundo Schneider, está na transição da execução para o planejamento.
“A gente sai de from doing the work to designing the work”, explica. Hoje, a maior parte dos profissionais ainda dedica a maior parte do tempo à execução.
A tendência, segundo especialistas, é uma inversão dessa lógica nos próximos anos. Com o avanço dos agentes autônomos, tarefas operacionais devem ser cada vez mais automatizadas.
“A execução que hoje é 80% nosso, vai pro agente e a gente vai estar maior parte do nosso tempo no thinking, no planning, no designing”, afirma Schneider. Isso deve aumentar a produtividade, mas também levar a estruturas mais enxutas dentro das empresas.
Outro movimento importante é a expansão da chamada gig economy, modelo baseado em trabalhos flexíveis e por projeto. Ravache puxa o tema: “Hoje o que é Gig Economy?”
Schneider explica: “Freelancers, pro Brasil, tá? Pessoas que não são CLT […] então é todo mundo que não é CLT.” Segundo ela, esse modelo deve ganhar ainda mais força com a integração da IA no trabalho.
Por fim, a inteligência artificial também desafia um dos pilares mais tradicionais das carreiras: a especialização extrema. O futuro pode exigir um perfil mais versátil e multidisciplinar.
“A gente sempre foi muito ensinado a ter uma carreira super especialista”, diz Schneider. Mas esse cenário da inteligência artificial está mudando: “Agora a gente vê o contrário, porque a IA, ela dá um poder para que a gente consiga ter profundidade em vários assuntos”. Nesse novo contexto, mais do que dominar uma única área, o diferencial será conectar conhecimentos e transitar entre diferentes campos, uma habilidade cada vez mais valorizada no mercado de trabalho.
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