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Japão usa I.A para aproximar fiéis de Buda enquanto templos enfrentam risco de desaparecer
Publicado 23/08/2026 • 07:00 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 23/08/2026 • 07:00 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Foto: unsplash
Japão usa I.A para aproximar fiéis de Buda enquanto templos enfrentam risco de desaparecer
A inteligência artificial passou a ocupar espaço também na religião no Japão. Monges estão usando a tecnologia para ampliar o contato com fiéis e criar experiências baseadas nos ensinamentos de Buda. A iniciativa ocorre enquanto cerca de 30% dos templos do país correm o risco de desaparecer até 2040, em meio à queda da religiosidade.
Nesse cenário, religiosos e pesquisadores procuram maneiras de manter o budismo próximo da população. A I.A aparece como uma dessas alternativas, mas sem a intenção de substituir a presença humana, segundo o The Times Of India.
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No templo Ganshuji, em Odawara, na província de Kanagawa, o monge Souou Iwayama adotou novas ferramentas para adaptar a instituição. Durante a pandemia, ele criou um serviço de zazen online e também reformulou a área de sepultamentos.
O templo passou a oferecer o jumokuso, modalidade em que cinzas de pessoas cremadas ficam sob árvores, arbustos ou flores, em vez de monumentos de pedra. A mudança contribuiu para melhorar as finanças da instituição.
Quando Iwayama assumiu a administração, o templo dependia de apenas quatro danka, famílias que apoiavam financeiramente a instituição. Atualmente, mais de 550 famílias utilizam os espaços de sepultamento.
Além disso, o monge utiliza IA para organizar horários de cerimônias e aprimorar materiais destinados aos fiéis. Para ele, a tecnologia pode auxiliar a atividade religiosa, mas não substitui momentos de contato humano.
Outra iniciativa busca levar a inteligência artificial diretamente para o campo espiritual. O sacerdote budista Seiji Kumagai, professor da Universidade de Kyoto, e Toshikazu Furuya, CEO da Teraverse, desenvolveram um sistema capaz de responder perguntas com base em textos budistas.
A primeira versão do BuddhaBot foi lançada em 2021. O sistema utilizava o algoritmo Sentence-BERT, do Google, e tinha como base o Sutta Nipata, uma das coleções mais antigas de discursos de Buda preservadas. Inicialmente, a ferramenta recuperava trechos das escrituras relacionados às perguntas dos usuários, mas apresentava dificuldades para manter uma conversa natural. Em 2023, a equipe lançou o BuddhaBot-Plus.
Depois, surgiram o Shinran-Bot, inspirado em Shinran, fundador da maior seita budista do Japão, e o Vasubandhu-Bot, baseado no pensador Mahayana Vasubandhu. Os pesquisadores também criaram interfaces de realidade aumentada e, em fevereiro, apresentaram o Buddharoid, um robô humanoide equipado com o BuddhaBot-Plus.
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Siga o Times | CNBCA expansão dessas ferramentas ocorre em uma sociedade que mantém uma relação particular com a religião. Uma pesquisa do Instituto de Matemática Estatística mostrou que, em 2018, 26% dos entrevistados disseram ter alguma crença religiosa, enquanto 74% afirmaram não ter.
Por outro lado, 57% consideraram importante possuir um “espírito religioso”. Assim, práticas como casamentos xintoístas e funerais budistas permanecem comuns, muitas vezes como costumes do cotidiano.
Dados da Agência de Assuntos Culturais mostram que, em 31 de dezembro de 2024, o país tinha aproximadamente 86 milhões de adeptos do xintoísmo e 80 milhões do budismo. A soma supera a população japonesa porque uma pessoa pode estar ligada a mais de uma tradição.
A relação cada vez mais próxima entre japoneses e I.A aumenta os questionamentos sobre o uso da tecnologia em assuntos religiosos. Pesquisa da Dentsu, realizada em junho de 2025 com 1.000 usuários de I.A conversacional, apontou que 64,9% compartilhavam emoções com esses sistemas. Além disso, 86% disseram confiar na tecnologia.
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Com isso, especialistas temem que ferramentas criadas para auxiliar usuários acabem recebendo uma autoridade religiosa que não deveriam ter. Respostas equivocadas ou direcionamentos deliberados também poderiam influenciar crenças.
Por isso, Kumagai defende que seres humanos continuem envolvidos. Segundo ele, robôs podem futuramente participar de partes dos rituais budistas, mas a I.A deve permanecer como apoio.
No Japão, portanto, a tecnologia surge como uma tentativa de aproximar novas gerações do budismo e ajudar instituições ameaçadas pelo declínio de fiéis. A inteligência artificial pode ampliar esse contato, mas os próprios religiosos reconhecem que ela não substitui a experiência humana.
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