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TIM amplia atuação no mercado corporativo e aposta em inteligência artificial para impulsionar negócios
Publicado 03/11/2026 • 12:48 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 03/11/2026 • 12:48 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
A TIM está ampliando sua atuação no mercado corporativo com investimentos em tecnologias que vão além dos serviços tradicionais de telecomunicações. A estratégia envolve soluções de Internet das Coisas (IoT), inteligência artificial (IA), computação em nuvem e segurança digital, com foco na digitalização de atividades produtivas e na melhoria da eficiência operacional das empresas.
Em entrevista ao Real Time, o vice-presidente de negócios B2B da TIM, Fábio Costa, afirmou que o avanço da companhia nesse segmento está relacionado à demanda por modernização de setores como agronegócio, mineração, indústria, logística e energia elétrica.
Segundo o executivo, a digitalização dessas atividades acompanha a estrutura produtiva brasileira, marcada pela exportação de commodities e pela necessidade de integração entre áreas de produção, rodovias e portos. “A gente está no meio de uma grande transformação”, afirmou Costa, ao explicar que o desenvolvimento da infraestrutura de conectividade é uma etapa necessária para ampliar o uso de dados e IA nas operações empresariais.
A receita da TIM no segmento corporativo registrou crescimento de 16,5% no segundo trimestre, segundo os dados apresentados por Fábio Costa. O resultado foi impulsionado principalmente pela expansão dos serviços de IoT em atividades ligadas à produção e ao transporte de mercadorias.
De acordo com o executivo, a presença da operadora nesses mercados permitiu ampliar a oferta de soluções tecnológicas para empresas que dependem de conectividade em suas operações. “Essa ligação entre o DNA da TIM e o DNA do Brasil produtivo acabou sendo muito favorável para o nosso crescimento”, declarou.
A expectativa da companhia, segundo Costa, é manter o ritmo de expansão ao longo do segundo semestre. O executivo não apresentou uma meta numérica para os próximos anos, mas indicou que a diversificação dos serviços tecnológicos continuará orientando os negócios corporativos.
No agronegócio, a TIM informou que sua infraestrutura de conectividade já alcança mais de 30 milhões de hectares no Brasil e atende mais de 340 mil propriedades rurais. A cobertura permite ampliar a utilização de tecnologias digitais nas atividades do campo e cria condições para a coleta de informações que poderão ser utilizadas em sistemas de análise e automação.
Para Costa, iniciativas desse tipo demonstram a relação entre a expansão da infraestrutura de telecomunicações e a adoção de ferramentas digitais mais avançadas. “Nenhuma iniciativa de dados ou IA acontece se você não tiver hoje essa infraestrutura”, afirmou.
Para ampliar o portfólio de serviços empresariais, a TIM adquiriu a V8Tech no início do ano mencionado pelo executivo. A empresa incorporada possui competências em computação em nuvem, análise de dados e integração de sistemas.
A aquisição faz parte da estratégia de transformar informações coletadas por dispositivos conectados em análises que possam apoiar decisões e melhorar processos empresariais. “Nós temos o IoT por um lado e, por outro lado, essa competência que faz com que a gente tenha condição de explorar os dados que a gente consegue hoje coletar no IoT”, explicou Costa.
A proposta é combinar a infraestrutura de comunicação com ferramentas capazes de organizar e interpretar grandes volumes de informações. Dessa forma, a operadora pretende ampliar sua participação em atividades relacionadas ao processamento de dados e à aplicação de inteligência artificial.
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Uma das apostas da TIM é o desenvolvimento de soluções de inteligência artificial voltadas diretamente às operações industriais, agrícolas e logísticas. Costa diferencia esse modelo das aplicações de IA utilizadas pelo público em geral, como assistentes virtuais e ferramentas de geração de conteúdo. Nas atividades produtivas, determinados sistemas precisam responder rapidamente a situações que envolvem equipamentos, máquinas e processos operacionais.
“Essa IA é aque está na máquina, produzindo no campo, na rodovia, no porto, na indústria e assim por diante”, afirmou o executivo, ao descrever o conceito que chama de “IA do mundo real”.
Nesse cenário, a estratégia envolve a utilização de pequenos centros de processamento de dados instalados próximos aos locais onde as informações são geradas. A tecnologia, conhecida como edge computing, permite processar dados localmente, sem depender exclusivamente de grandes centros de dados distantes. Isso reduz o tempo necessário para que os sistemas recebam informações e produzam respostas.
Como exemplo, Costa citou a automação de portos e mineradoras, onde operações como movimentação de contêineres e carregamento de navios exigem controle preciso.
Essas aplicações também podem utilizar modelos menores e especializados de inteligência artificial, chamados SLMs, em vez de depender apenas dos grandes modelos de linguagem, conhecidos como LLMs. A escolha permite direcionar o processamento para tarefas específicas, considerando as necessidades de cada operação.
A TIM pretende utilizar sua cobertura nacional para ampliar a oferta de serviços digitais a pequenas e médias empresas.
Segundo Costa, a atuação em diferentes regiões permite identificar necessidades específicas dos clientes e adaptar as soluções ao perfil de cada negócio.
A proposta combina serviços de telecomunicações com ferramentas de digitalização, análise de informações e, progressivamente, inteligência artificial.
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Siga o Times | CNBCO executivo destacou que as necessidades tecnológicas variam conforme a localização e o setor de atividade, o que exige ofertas ajustadas às características das empresas atendidas.
Apesar do avanço da inteligência artificial no ambiente empresarial, Costa avalia que boa parte das organizações ainda está nos estágios iniciais de adoção da tecnologia. Segundo ele, existem três formas principais de aplicação da IA nos negócios: aumentar a produtividade dos profissionais, tornar processos internos mais eficientes e desenvolver novos produtos ou modelos de negócio.
Atualmente, a utilização está mais concentrada na primeira etapa, com ferramentas que auxiliam na elaboração de planilhas, apresentações e outras tarefas do cotidiano. “A gente ainda está muito na primeira fase, que é o profissional individualmente usando a IA, aprendendo a usar a IA para poder ter mais produtividade individual”, observou.
Na avaliação do executivo, os maiores retornos financeiros tendem a surgir quando as empresas avançarem para a automação de processos e a criação de novas atividades comerciais. Ele considera que esse movimento ainda está no começo e dependerá da capacidade das organizações de incorporar a tecnologia às suas rotinas.
Entre os exemplos de ganhos com inteligência artificial, Costa destacou o desenvolvimento de softwares. Segundo ele, o uso de ferramentas de IA por equipes de programação pode aumentar a produtividade em 30% a 40%.
O executivo também ressaltou que a evolução frequente dos modelos de inteligência artificial tende a ampliar a capacidade de desenvolvimento de aplicações. Para as empresas, esse avanço pode representar uma redução do tempo necessário para criar sistemas, atualizar ferramentas e implementar soluções tecnológicas.
Costa considera a área de programação uma das primeiras a apresentar resultados mensuráveis, embora outras atividades também possam incorporar recursos semelhantes.
Ao analisar as mudanças esperadas para os próximos três anos, Costa apontou a automação de processos como uma das principais transformações do ambiente corporativo. Na avaliação dele, o acesso à inteligência artificial deverá se tornar mais amplo, acompanhado por uma maior compreensão de suas aplicações práticas. O executivo, no entanto, não acredita que esse avanço necessariamente provocará uma redução expressiva dos postos de trabalho.
Sua expectativa é que os profissionais passem a utilizar agentes de inteligência artificial para executar diferentes atividades, ampliando a capacidade de produção individual.
“Você começa a contratar não a pessoa, você começa a contratar a pessoa e os seus agentes, você contrata um time”, afirmou.
Nesse modelo, um trabalhador poderia contar com diferentes sistemas automatizados para realizar tarefas complementares às suas funções. Costa avalia que o aumento da produtividade poderá estimular a produção, reduzir custos e permitir a realocação de profissionais para outras áreas, inclusive aquelas relacionadas ao desenvolvimento e à operação de tecnologias.
Essa projeção, segundo ele, está associada à possibilidade de expansão da atividade econômica e do mercado consumidor.
Para os próximos dois anos, a TIM pretende concentrar esforços em ajudar empresas a aproveitar melhor as informações que já possuem ou que passam a coletar por meio de dispositivos conectados. Costa explicou que a instalação de sensores e sistemas de IoT representa apenas a primeira parte desse processo.
A etapa seguinte consiste em organizar os registros e transformá-los em informações úteis para a gestão e para a tomada de decisões. “Hoje o maior desafio das empresas é utilizar os dados que ela já possui”, afirmou.
A estratégia da operadora é desenvolver serviços que permitam integrar essas informações e utilizá-las em aplicações de análise e inteligência artificial.
A ampliação dos serviços digitais também envolve investimentos em proteção de dados e segurança da informação. Costa afirmou que a TIM pretende aproveitar sua experiência na defesa da própria infraestrutura para oferecer soluções de cibersegurança a clientes corporativos.
Segundo o executivo, o setor de telecomunicações está entre os alvos frequentes de ataques digitais, o que exige o desenvolvimento contínuo de mecanismos de proteção.
Nesse contexto, a operadora anunciou uma parceria com o Google para fortalecer sua atuação na área. A previsão apresentada na entrevista era lançar uma nova oferta de cibersegurança até o final do ano.
O serviço deverá atender tanto grandes organizações quanto pequenas empresas, utilizando práticas de segurança desenvolvidas pela TIM e tecnologias de parceiros.
Em relação à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), Costa também mencionou a existência de ofertas que permitem a utilização de informações da operadora por parceiros para fins de segmentação, mediante autorização dos clientes. A proteção dessas informações passa a integrar a estratégia de expansão dos negócios corporativos, à medida que a companhia amplia sua atuação em serviços de dados, inteligência artificial e infraestrutura digital.
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