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TIMES | CNBC Parlatório Talks: Agência de turismo que não investir em tecnologia morre, diz fundador da CVC Guilherme Paulus
Publicado 20/07/2026 • 22:46 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 20/07/2026 • 22:46 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
As agências de turismo precisam investir em tecnologia e inteligência artificial para continuar relevantes em um mercado no qual o consumidor tem cada vez mais acesso direto a passagens, hotéis e roteiros pela internet. A análise é de Guilherme Paulus, fundador e presidente do conselho da CVC.
A avaliação foi feita durante o TIMES | CNBC Parlatório Talks, apresentado pelo jornalista e CEO do Grupo Parlatório, Carlos Marques. O programa discute economia, negócios, inovação, tecnologia e desenvolvimento.
“Tem que investir. Se não investir, morre”, disse Paulus.
Segundo o empresário, a digitalização mudou a forma como o turista pesquisa, compara preços e organiza viagens. Ainda assim, ele afirmou que a agência continua relevante quando oferece curadoria, suporte e atendimento personalizado.
“A história se repete, ela tem que ser atualizada”, afirmou. “As pessoas têm que se atualizar através da própria internet ou da própria inteligência artificial e se comunicar com as pessoas dizendo o que fazem.”
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Paulus afirmou que a inteligência artificial pode ajudar na construção de roteiros e na organização de informações, mas não deve eliminar o papel do agente de viagens.
Para ele, o contato humano segue central, especialmente quando o consumidor precisa de orientação, suporte ou segurança durante a viagem.
“Sempre vai ter alguém para apertar a tecla”, disse. “Vai facilitar muito, porque hoje a inteligência até constrói um roteiro de viagem para você. E o agente de viagens tem que estar especializado para isso.”
Segundo Paulus, a tecnologia pode indicar hábitos do cliente, frequência de viagens e preferências, mas a decisão e o atendimento ainda dependem de relacionamento.
“O contato com a pessoa é fundamental”, afirmou.
O empresário disse que o diferencial da agência está em facilitar a experiência do viajante. Isso inclui escolher melhores conexões, reduzir tempo de deslocamento, orientar sobre hotéis e oferecer apoio caso surja algum problema.
“Você tem que mostrar, estudar, para dar a ele a melhor experiência”, disse.
Paulus relembrou a origem da CVC, fundada em 1972, em Santo André, no ABC paulista. A empresa começou atendendo funcionários da indústria automobilística, principalmente por meio de clubes de empregados.
Segundo ele, o modelo inicial apostava em viagens rodoviárias de curta duração, voltadas a trabalhadores e suas famílias.
“Nós começamos praticamente iniciando as pessoas a viajarem”, afirmou.
Com o tempo, a empresa passou a atender também públicos de maior renda dentro das empresas, que buscavam viagens aéreas para destinos nacionais, como Salvador e Rio de Janeiro.
Paulus afirmou que o crescimento da CVC esteve ligado à capacidade de identificar nichos pouco explorados e ampliar o acesso da classe média ao turismo.
O fundador da CVC disse que uma das decisões mais importantes para a expansão da empresa foi levar lojas de turismo para shopping centers.
Segundo ele, o shopping deu mais conveniência ao consumidor e ajudou a transformar a compra de viagens em parte da rotina de consumo.
“O nosso público é tempo e chuva”, disse, ao explicar a diferença entre lojas de rua e unidades em shopping.
Paulus afirmou que, quando vendeu a CVC, a empresa tinha cerca de 390 lojas e já trabalhava com um projeto para chegar a mil unidades em cinco anos.
“A loja foi a grande marca”, afirmou.
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Siga o Times | CNBCEle também destacou a força da marca CVC fora do Brasil. Segundo Paulus, a presença da empresa em operações internacionais transmite confiança ao viajante brasileiro.
“Quando ele vê o nome dele com a plaquinha CVC, dá um alívio”, disse.
Paulus afirmou que a credibilidade é um dos principais ativos de uma agência de turismo, especialmente em um ambiente digital com muitas opções de compra direta.
Para ele, o cliente pode comparar preços e montar roteiros sozinho, mas tende a valorizar empresas que entregam informação precisa e apoio real.
“A importância está no relacionamento com o cliente e em respeitá-lo”, afirmou. “As informações que você tem que dar têm que ser precisas, porque hoje ele tem essa informação rapidamente.”
O empresário disse que o agente precisa conhecer o cliente e apresentar alternativas de fato úteis, como melhores horários, aeroportos mais convenientes e conexões mais simples.
Se o atendimento não oferecer valor, afirmou, o consumidor pode migrar para a compra direta pela internet.
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Paulus disse que a CVC passou por momentos difíceis, especialmente durante a pandemia, mas afirmou que a companhia se estabilizou e voltou a crescer.
Ele destacou o papel do filho, Gustavo Paulus, na condução da empresa, e citou também o trabalho de Fábio Mader, CEO da CVC Corp.
“O Gustavo pegou a CVC num momento difícil, porque teve a pandemia. Ele conseguiu estabilizar e está voltando com uma força muito grande”, afirmou.
Paulus disse acompanhar a companhia como presidente do conselho e trocar ideias com o filho sobre os rumos do negócio.
Segundo ele, a CVC segue forte pela marca, pela rede e pela confiança construída com consumidores e parceiros ao longo de mais de cinco décadas.
O empresário afirmou que a CVC não deve voltar a carregar muitos ativos, como hotéis, porque a hotelaria exige capital elevado e gestão intensa.
“Hotelaria é um ativo forte, pesado, custoso, de prestação de serviço”, disse.
Paulus afirmou que hoje está mais dedicado à hotelaria, especialmente ao Castelo Saint Andrews, em Gramado. Ele disse preferir a ideia de privacidade à palavra luxo, ao explicar o tipo de serviço buscado por clientes de maior renda.
“As pessoas mais abastadas gostam de ter privacidade”, afirmou.
Ao comentar seu papel atual no setor, Paulus afirmou que segue ligado ao turismo pelo prazer de receber pessoas e contar histórias.
“O turismo tem a arte de bem receber as pessoas”, disse.
Para ele, viajar é uma combinação de memória, experiência e relacionamento.
“O que é uma viagem? Você tirar fotografias, hoje no celular. Então você tem a foto e tem história para contar. Isso é o turismo”, concluiu.
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