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TIMES | CNBC Parlatório Talks: Brasil precisa de projetos para sair da radicalização política, diz Michel Temer
Publicado 04/05/2026 • 22:20 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 04/05/2026 • 22:20 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
O ex-presidente Michel Temer afirmou que a eleição presidencial de 2026 tende a ser marcada por uma radicalização em torno de nomes, e não por uma disputa de projetos para o país. Segundo ele, a saída para reduzir a tensão política passa pela apresentação de programas claros pelos candidatos.
A avaliação foi feita durante o TIMES | CNBC Parlatório Talks, apresentado pelo jornalista e CEO do Grupo Parlatório, Carlos Marques. O programa conversa com lideranças para discutir temas como política, economia, liderança, inovação, tecnologia e desenvolvimento institucional.
“Eu lamento, mas acho que a polarização se instalou nestas eleições. Mas eu chamo não de polarização, e sim de radicalização”, disse Temer.
Segundo o ex-presidente, a polarização de ideias, programas e conceitos é natural em uma democracia. O problema, na avaliação dele, é quando o debate passa a girar em torno de pessoas, sem discussão sobre propostas.
“Polarizar ideias, programas e conceitos é fundamental. O que há no Brasil é uma radicalização em torno de nomes”, afirmou. “Não se falou em programa, não se falou em conceito, não se falou em projeto, o que é ruim para o país.”
Temer disse que o eleitorado deveria cobrar dos candidatos planos objetivos para áreas como segurança, saúde, economia e administração pública. Para ele, a escolha eleitoral deveria ocorrer a partir da comparação entre propostas, e não apenas pela identificação com nomes ou campos políticos.
“Você não pode ser candidato pelo seu nome. Você tem que ser candidato pelo projeto que apresenta ao país”, afirmou.
O ex-presidente citou como exemplo o programa “Ponte para o Futuro”, elaborado antes de sua chegada ao Palácio do Planalto e aplicado durante seu governo.
“As pessoas sabiam, quando eu cheguei lá, o que eu iria fazer”, disse. “Acho que é uma forma de sair da chamada polarização.”
Temer também afirmou que o Brasil vive um quadro de disfuncionalidade institucional. Para ele, a pacificação política depende do cumprimento da Constituição.
“O Brasil tem um estatuto, que é a Constituição, a lei magna do país, feita pelo povo”, disse.
Segundo o ex-presidente, quando há descumprimento das funções previstas na Constituição, o sistema político se desorganiza. Ele afirmou que essa disfunção não se limita a um Poder.
“No geral, o Brasil disfuncionou. Essa é a grande realidade”, afirmou. “Se você desobedece à Constituição, está desobedecendo à vontade popular.”
Temer defendeu que a Constituição seja vista como base para solucionar conflitos políticos e institucionais. Segundo ele, a pacificação é uma exigência constitucional, não apenas uma escolha política.
“É tão simples cumprir a Constituição Federal. Ela resolve todos os problemas”, disse.
O ex-presidente voltou a defender a adoção do semipresidencialismo, modelo que combina elementos do presidencialismo e do parlamentarismo. Segundo ele, o sistema poderia dar mais responsabilidade ao Congresso, especialmente diante do peso crescente das emendas parlamentares no Orçamento.
Temer afirmou que o Legislativo passou a controlar parte relevante dos recursos públicos por meio de emendas de bancada, de comissão, impositivas e de liderança, mas sem responsabilidade direta pela execução do governo.
“Você acaba tendo um organismo, que é o Legislativo, que controla boa parte do Orçamento e não tem responsabilidade pela governabilidade”, disse.
Na visão dele, o semipresidencialismo manteria um presidente com poderes relevantes, como chefe de Estado, comandante das Forças Armadas e responsável por indicar o primeiro-ministro, mas transferiria a condução cotidiana do governo a uma autoridade sustentada pelo Parlamento.
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Temer disse não ter objeção às emendas parlamentares, mas defendeu mais responsabilidade institucional no uso desses recursos.
“O presidente da República não pode tudo. Ele só pode se tiver apoio no Congresso Nacional”, afirmou. “Não tenho objeção à história das emendas, mas é preciso dar um pouco mais de responsabilidade ao próprio Parlamento.”
Sobre o chamado orçamento secreto, Temer disse que não pode haver ato público sem transparência.
“Não pode haver orçamento secreto, como não pode haver ato público nenhum secreto”, afirmou.
Temer afirmou que o Brasil tem dificuldade de avançar em reformas porque mudanças estruturais costumam atingir interesses organizados e gerar custo eleitoral. Segundo ele, por isso reformas como a administrativa devem ser feitas no início de um governo.
“Mexer em certos temas significa mexer em certos vespeiros. E mexer em certos vespeiros, para efeito eleitoral, é negativo para quem mexe neles”, disse.
O ex-presidente citou a reforma trabalhista como exemplo de medida politicamente sensível. Segundo ele, a proposta foi construída após diálogo com centrais sindicais, federações industriais e setores empresariais.
Temer afirmou que a reforma buscou compatibilizar os interesses de empregados e empregadores.
“Se houver acordo entre eles, prevalece o acordado. Se não houver acordo, prevalece o legislado”, disse.
Na área administrativa, o ex-presidente disse ter feito uma “reforma silenciosa” durante sua gestão, com a eliminação de 60.923 cargos entre 2017 e 2018.
“Quando os cargos estão desocupados ou estão para ser desocupados, você pode eliminá-los por decreto. E foi o que eu fiz”, afirmou.
Temer também defendeu a continuidade de um teto para os gastos públicos. Segundo ele, o controle das despesas ajuda a reduzir a dívida pública e, consequentemente, o custo com juros.
“Você precisa, porque isso reduz a dívida pública. Reduzindo a dívida pública, você não paga juros”, disse.
Na área de segurança pública, Temer defendeu a criação de um órgão específico para coordenar políticas nacionais de combate ao crime, sem retirar competências dos estados.
Questionado sobre o avanço do crime organizado no país, o ex-presidente afirmou que a situação é grave.
“Não digo que dominou por inteiro, mas caminha para dominar”, disse.
Temer afirmou que a segurança pública exige coordenação nacional e integração de inteligência entre Forças Armadas, Polícia Federal, polícias estaduais e municípios. Ele citou a criação do Sistema Único de Segurança Pública (Susp) durante seu governo.
“Não é para intervir nas competências dos estados, mas para coordenar os trabalhos da segurança pública no país”, afirmou.
Segundo ele, a fragmentação das informações prejudica a capacidade de reação do Estado.
“A inteligência é toda partilhada. Forças Armadas têm uma inteligência, Polícia Federal tem uma inteligência, Polícia Militar tem uma inteligência, Polícia Civil tem uma inteligência, municípios têm uma inteligência. Coordenar isso tudo é a função do Sistema Único de Segurança Pública”, disse.
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Temer também avaliou que as redes sociais contribuíram para a redução da qualidade do debate público e para a dificuldade de formação de novas lideranças políticas.
Segundo ele, a velocidade das plataformas diminuiu o espaço para reflexão e aprofundamento.
“A rede social produz uma notícia muito rápida, de leitura muito rápida, e portanto as pessoas não se dedicam mais ao pensamento”, afirmou.
Apesar disso, o ex-presidente disse enxergar um movimento de recuperação do papel da imprensa. Para ele, os veículos tradicionais voltaram a influenciar o debate nas redes.
“No primeiro momento, as redes sociais combateram a imprensa. Mas hoje começo a perceber um movimento reverso. A imprensa começa a produzir efeitos nas redes sociais”, disse.
Temer também comentou a relação entre setor privado e poder público ao ser questionado sobre o caso Banco Master. Ele afirmou que a interação entre empresas e agentes públicos não é recente no Brasil e citou a proibição de doações empresariais a campanhas eleitorais como reação institucional a esse histórico.
“Não é de hoje que há uma interação entre o setor privado e o setor público”, disse.
O ex-presidente afirmou que a sociedade está mais atenta e que casos antes abafados hoje tendem a vir à tona.
“No passado, punha-se uma borracha em certas coisas. Hoje isso não consegue apagar nada. Tudo vem à luz”, afirmou.
A entrevista foi gravada antes da divulgação de que foram realizados pagamentos do Banco Master ao escritório de advocacia de Michel Temer. Por isso, não houve o questionamento sobre o tema. Mas o ex-presidente se manifestou sobre o caso e confirmou que recebeu honorários por ter prestado serviços de mediação contratados pelo Master.
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