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Transporte

Frota elétrica da cidade de São Paulo cresce e soma 1,7 mil ônibus 

Publicado 21/06/2026 • 10:05 | Atualizado há 3 horas

KEY POINTS

  • Frota elétrica de São Paulo recebe mais 500 ônibus e chega a 1,7 mil veículos eletrificados em operação na capital
  • Expansão da frota é financiada por linhas do BNDES, do BID e do Banco da China, somando bilhões em investimento
  • Brasil fica atrás apenas de Chile e Colômbia em eletrificação de ônibus na América Latina, segundo estudo do ICCT
frota de ônibus elétricos em São Paulo

JFDiorio/SECOM

Ônibus elétricos em São Paulo

A frota elétrica de São Paulo chega a 1,7 mil ônibus em operação neste domingo (21), data em que a prefeitura recebe mais 500 veículos eletrificados de fabricantes como Elektra e Volkswagen Caminhões e Ônibus. Com isso, a capital paulista consolida a liderança nacional em eletrificação do transporte público e coloca o Brasil atrás apenas de Chile e Colômbia no ranking latino-americano, segundo estudo do Conselho Internacional do Transporte Limpo (ICCT).

Atualmente, a meta da prefeitura é alcançar 2,2 mil ônibus eletrificados até 2028, número revisado em relação ao objetivo original de 2,6 mil veículos traçado em 2024. Até 2025, a frota circulante no país somava 1,7 mil veículos, e São Paulo respondia por mais de 80% desse total, segundo Jefferson Hishiyama da Silva, pesquisador do ICCT e autor do levantamento.

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Financiamento bilionário sustenta expansão da frota elétrica

Para custear a renovação da frota, a prefeitura recorreu a múltiplas fontes de crédito. No ano passado, a administração municipal fechou uma linha de US$ 100 milhões com o Banco da China, além de R$ 1,4 bilhão junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e mais R$ 2,5 bilhões do BNDES. As entregas deste domingo (21) fazem parte justamente da linha do BNDES.

Ainda assim, segundo Silva, o avanço de São Paulo se apoia em uma combinação de financiamento garantido e incentivos fiscais, fator que distingue a capital de outras cidades brasileiras que também começam a investir em eletrificação, como Belém, Brasília e Goiânia.

Infraestrutura elétrica foi obstáculo para garagens

Por outro lado, a renovação da frota enfrentou um entrave recorrente nos primeiros anos do programa: a falta de capacidade elétrica nas garagens dos operadores. Jorge Carrer, diretor de vendas de ônibus da Volkswagen Caminhões e Ônibus, explica que as instalações não tinham infraestrutura para receber os carregadores necessários.

Depois de uma reformulação no programa, os concessionários do transporte público passaram a precisar comprovar tecnicamente a capacidade de operar uma frota eletrificada antes de receber novos veículos. Segundo Carrer, esse ajuste melhorou o entendimento entre prefeitura, operadores e a Enel, distribuidora responsável pela cidade.

Em nota, a Enel informou que atende toda a demanda planejada pelos operadores. Entre 2024 e maio deste ano, a distribuidora entregou 92,72 MW de energia a 35 garagens, volume suficiente para abastecer ao menos 2 mil ônibus. A companhia destacou ainda que a utilização máxima das garagens não superou 50% nos últimos 12 meses, chegando a apenas 39% em maio.

Projeção do ICCT aponta crescimento expressivo

Conforme o estudo do ICCT, a participação de ônibus elétricos na frota brasileira pode seguir três trajetórias até 2050. No cenário conservador, a fatia parte de 5% a 10% em 2030 e se estabiliza entre 25% e 41% em 2050. Já no cenário moderado, a eletrificação atinge 21% das vendas em 2030, sobe para 62% em 2040 e chega a 92% em 2050. No cenário mais ambicioso, a adoção é imediata, com 55% das vendas elétricas já em 2030 e o teto de 92% a partir de 2040.

Enquanto a frota de ônibus avança, o segmento de caminhões segue em ritmo mais lento. Em 2025, foram vendidas 366 unidades elétricas leves e médias, equivalente a 1,7% do mercado, com Volkswagen, JAC e Foton entre os líderes. No segmento pesado, apenas 53 caminhões elétricos foram comercializados no mesmo ano, fatia de 0,06% do total, com a XCMG na liderança.

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Thiago Pastorelli Rodrigues, coautor do estudo, atribui a diferença ao custo de aquisição, ainda duas vezes superior ao de um veículo a combustão, somado à falta de carregadores rápidos nas rodovias.

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