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Nvidia leva todo o lucro da corrida por I.A. enquanto o resto acumula trilhão em prejuízo; veja gráfico com resultados
Publicado 21/06/2026 • 07:15 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 21/06/2026 • 07:15 | Atualizado há 2 horas
Painel global mostra gasto de 1,4 trilhão de dólares em IA contra apenas 613 bilhões de receita gerada pelo setor inteiro
Recebi do leitor Mauro um site divertidíssimo chamado isaiprofitable? que faz a pergunta mais incômoda do momento e responde em letras garrafais, sem meio termo, sem nota de rodapé. A pergunta é se a inteligência artificial já dá lucro. A resposta, em vermelho, do tamanho da tela, é NÃO.
Embaixo, um placar em tempo real soma o que as maiores empresas do planeta gastaram contra o que conseguiram faturar de volta. O resultado, em maio de 2026, é de 1,4 trilhão de dólares investidos contra US$ 613 bilhões de receita.
O desequilíbrio está exposto numa tabela que qualquer pessoa pode abrir no navegador, com barra vermelha e barra verde lado a lado. A vermelha, sempre, invariavelmente, mais longa.
Quem olha a lista a seguir de cima a baixo encontra um time de campeões mundiais do prejuízo. Amazon acumula prejuízo de US$ 291 bilhões desde que entrou de cabeça no capex de inteligência artificial.
🔍 Capex é o dinheiro que uma empresa gasta para construir ou ampliar sua estrutura física, no caso, data centers e chips. Não é despesa do dia a dia, é investimento de longo prazo.
Investimentos cumulativos estimados em chips, infraestrutura e data centers
Faturamento reportado associado diretamente a serviços e produtos de IA
Atualizado em tempo real (~$14.2K por segundo)
A Alphabet, dona do Google, está em menos US$ 262 bilhões. Microsoft em menos US$ 235 bilhões. Meta, que talvez seja o caso mais espantoso porque investiu bilhões em infraestrutura de IA sem conseguir transformar isso em receita visível, soma menos US$ 227 bilhões de lucro invertido.
OpenAI e Anthropic, que vivem de levantar rodadas bilionárias e contar promessas de futuro, estão em menos US$ 27 bilhões e menos US$ 26,5 bilhões respectivamente.
Só tem um nome na lista inteira com o sinal trocado, em verde, que dá lucro de verdade, com mais US$ 253 bilhões de saldo acumulado. É a Nvidia.
Justamente aquele que vende a pá na corrida do ouro.
A comparação com a corrida do ouro da Califórnia, no século dezenove, é manjada, mas ela existe porque é precisa. Milhares de garimpeiros chegaram à Califórnia atrás de fortuna, a maioria voltou para casa pobre ou nunca voltou.
Quem enriqueceu de fato foi quem vendia picaretas, botas e calças resistentes para os garimpeiros. A Nvidia é a Levi Strauss dessa história.
Enquanto Amazon, Google, Microsoft e Meta gastam fortunas construindo data centers para treinar modelos que ainda não sabem provar seu próprio retorno, a Nvidia vende o chip que todo mundo precisa para sequer entrar no jogo, com margem bruta beirando os 75%.
No primeiro trimestre fiscal encerrado em 26 de abril, a empresa faturou US$ 81,6 bilhões, alta de 85% em um ano, e lucro de US$ 58,3 bilhões, mais que o triplo do mesmo período do ano anterior.
Para o trimestre seguinte, a própria companhia já projeta US$ 91 bilhões de receita. Ninguém mais no setor de IA opera nesse patamar.
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O investidor Michael Burry (aquele do filme The Big Short), que ficou famoso por prever a crise do subprime em 2008, vem batendo na mesma tecla há meses. Para ele, o capex das big techs em IA é insustentável do jeito que está montado hoje.
Alex Haissl, analista do banco Rothschild, rebaixou Amazon e Microsoft alegando que o mercado segue precificando esse capex como se fosse a economia barata da nuvem de uma década atrás. O cenário real, segundo ele, é muito mais caro do que os investidores enxergam.
Há um detalhe sintomático nas próprias empresas que compram IA para usar internamente, não para vender chip. A fatia de executivos de tecnologia dispostos a defender mais aumento de capex caiu de 34% para 20% em poucos meses, e um quarto deles já cita o excesso de otimismo do setor como o principal risco para 2026, na frente de inflação e de conflito geopolítico.
O irônico, e aqui mora a piada mais cruel da história toda, é que essas mesmas gigantes que ainda não sabem dizer ao próprio conselho quanto a inteligência artificial está rendendo de lucro são as primeiras a vender, para empresas menores, a promessa de IA com retorno garantido.
A Grant Thornton ouviu 950 líderes empresariais de dez setores entre fevereiro e março de 2026 e chegou a um número constrangedor. 78% das organizações não teriam confiança suficiente para passar por uma auditoria independente de governança de IA em até 90 dias. A falta de métrica clara é apontada por 46% dos executivos como a principal razão para projetos de IA falharem dentro de casa. Mesmo assim, só 11% colocam risco e compliance como prioridade para a empresa avançar com a tecnologia, um descompasso que fala por si.
Maikon Silva, sócio de Risk da consultoria no Brasil, resume o problema dizendo que usar modelos para apoiar decisões exige definir responsabilidades e critérios de mensuração antes, não depois. Sem isso, a empresa amplia o uso da IA mas não consegue comprovar valor nem responder por falhas.
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Do outro lado do balcão, o CEO da LifesHub, Ademar Paes Junior, descreve um sintoma parecido em empresas de porte médio. Elas vinham medindo sucesso em IA por métricas de vaidade, número de prompts executados, tarefas automatizadas, velocidade de resposta, indicadores que enchem slide de apresentação mas não mostram impacto em receita ou margem.
Uma pesquisa da KPMG citada por ele mostra que 76% das empresas enxergam ganho de produtividade como principal sinal de retorno em IA, 71% citam melhora na qualidade do trabalho e 67% observam mais velocidade e precisão nas decisões. O lucro direto, object da pergunta original lá no isaiprofitable, aparece atrás de todos esses fatores.
E o dado mais revelador é outro. Apenas 14% das empresas entrevistadas dizem ter confiança real na própria capacidade de medir os ganhos analíticos que a IA produz dentro das decisões do negócio.
Enquanto isso, consultorias como a IDC seguem divulgando retornos médios de 3,7 vezes o valor investido. Números bonitos que, postos ao lado do placar do isaiprofitable, parecem vir de outro planeta, ou de outra contabilidade.
A sensação que fica, lendo tudo junto, é que o discurso do ROI virou um produto vendido por quem ainda não conseguiu provar o próprio.
🔍 ROI é a sigla para retorno sobre investimento, a conta que mede quanto dinheiro uma aplicação devolveu em relação ao que custou.
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