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Volkswagen aguarda parecer do Conselho de Administração sobre plano de corte de custos
Publicado 02/07/2026 • 08:40 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 02/07/2026 • 08:40 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Divulgação / Volkswagen
A Volkswagen se prepara para um confronto de alto risco no conselho de administração após relatos de que a montadora, que enfrenta dificuldades, avalia fechar quatro fábricas na Alemanha e realizar até 100 mil demissões.
O plano de demissões em massa, que representaria a reformulação mais radical nos quase 90 anos de história da empresa, enfrenta forte oposição de parlamentares alemães e de poderosos sindicatos.
O impasse abriu caminho para o que está se desenhando como o evento corporativo mais aguardado do ano na indústria alemã, quando a diretoria da Volkswagen buscará obter a aprovação do conselho de supervisão da empresa em 9 de julho.
Segundo a revista Manager Magazin, o conselho de supervisão precisará aprovar o programa de corte de custos.
Leia também: Volkswagen planeja cortar 15% da força de trabalho e fechar quatro fábricas na Alemanha, diz reportagem
Analistas do setor automotivo afirmaram que a notoriamente complexa estrutura do conselho da Volkswagen significa que a diretoria da empresa enfrentará um caminho difícil.
Um porta-voz da Volkswagen recusou-se a comentar antes da reunião de 9 de julho. A empresa já havia se recusado anteriormente a comentar as informações sobre demissões e fechamento de fábricas, afirmando que as decisões seriam tomadas e aprovadas pelos órgãos de governança competentes.
“Todo o Grupo, incluindo suas marcas e subsidiárias, precisa passar por mudanças profundas”, afirmou um porta-voz da Volkswagen.
A maior fabricante de automóveis da Europa já havia anunciado planos para implementar amplos cortes de empregos e lançado uma grande ofensiva de produtos, buscando enfrentar pressões que vão desde as tarifas de importação dos Estados Unidos até o aumento da concorrência das montadoras chinesas.
As demissões mais recentemente noticiadas, no entanto, seriam o dobro dos 50 mil cortes de empregos anunciados anteriormente e agora supostamente incluiriam o fechamento de quatro fábricas alemãs: Hanover, Zwickau, Emden e a unidade da Audi em Neckarsulm.
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A diretoria da Volkswagen precisará demonstrar que não há alternativa a essas medidas durante a reunião do conselho de supervisão em 9 de julho, afirmou Thomas Besson, chefe de pesquisa automotiva da Kepler Cheuvreux.
“Será uma medida muito complicada de implementar”, disse Besson, especialmente considerando que o estado alemão da Baixa Saxônia, onde a Volkswagen está sediada e mantém diversas unidades, é um importante acionista da empresa.
O estado, que detém 20% dos direitos de voto da Volkswagen, exerce influência significativa sobre a companhia, em parte devido à chamada Lei Volkswagen. Essa legislação, criada há décadas, transformou a empresa em uma sociedade anônima e, na prática, limita a capacidade da administração de fechar fábricas.
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Siga o Times | CNBC“Eles não têm outra escolha senão se adaptar. Mas será um processo muito complicado com seus stakeholders e, por isso, é uma tarefa difícil para a administração da VW neste momento”, disse Besson ao programa Europe Early Edition, da CNBC, na quarta-feira.
O Conselho Geral de Trabalhadores da Volkswagen e o sindicato industrial alemão IG Metall prometeram reagir aos planos de demissões e fechamento de fábricas.
“Se tais planos forem levados adiante, nós os impediremos com toda a nossa força”, afirmaram em comunicado conjunto.
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A decisão da Volkswagen de considerar demissões e fechamento de fábricas também enfrentou forte oposição do governo de coalizão do chanceler Friedrich Merz, que lida com índices de aprovação historicamente baixos.
O porta-voz do governo alemão, Stefan Kornelius, afirmou durante uma coletiva de imprensa na segunda-feira que o objetivo final do governo é “preservar as unidades dos fabricantes alemães e garantir os empregos”, segundo tradução.
No fim de 2024, a Volkswagen firmou um acordo com os sindicatos para evitar o fechamento de fábricas na Alemanha e excluir demissões compulsórias até o fim de 2030.
A resistência aos planos de reestruturação da Volkswagen abre caminho para um período turbulento de negociações, afirmou Rico Luman, economista sênior setorial da ING, especializado em transporte e logística.
“É muito complicado, mas alguma coisa precisa acontecer, isso é certo. Portanto, o conselho de supervisão também deve estar ciente da urgência”, disse Luman à CNBC por videoconferência.
Segundo Luman, os desafios enfrentados pela Volkswagen ilustram as dificuldades que atingem toda a indústria automotiva europeia, citando os obstáculos no caminho para a eletrificação total, a concorrência das montadoras chinesas e os problemas de exportação em mercados importantes.
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“Eles ainda são lucrativos, certo? Mas os planos divulgados têm como objetivo preparar a empresa para a deterioração ou para perdas nos próximos anos. Portanto, trata-se de um passo estratégico diante do que está por vir no futuro”, acrescentou.
As ações da Volkswagen operavam em leve queda na quarta-feira, sendo negociadas em níveis não vistos desde o verão de 2010. Os papéis, que acumulam queda de quase 33% no ano, renovaram a mínima de 52 semanas desde que vieram à tona, na semana passada, as notícias sobre a aceleração do processo de reestruturação.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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