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Warren Buffett transformou estratégia de “bitucas” em modelo de investimento de longo prazo

Publicado 19/09/2026 • 20:30 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Guilherme Ravache explica que Buffett partiu dos ensinamentos do economista Benjamin Graham e adaptou a estratégia para empresas de maior qualidade.
  • Berkshire Hathaway cresceu combinando participações em companhias abertas, negócios próprios e forte geração de caixa.
  • Nos últimos anos, Buffett reduziu compras de ações ao considerar o mercado “caro”.

Warren Buffett construiu sua trajetória como investidor ao partir dos ensinamentos do economista Benjamin Graham e desenvolver uma estratégia própria, baseada na compra de empresas de maior qualidade e na manutenção dessas posições por longos períodos. A análise é de Guilherme Ravache, analista de negócios do Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.

Segundo Ravache, Graham, considerado um dos principais mentores de Buffett, ficou conhecido por buscar empresas fortemente depreciadas, estratégia que Buffett descrevia como a compra de “bitucas”.

“O Warren tem um grande mérito, que é ter pegado a estratégia do Benjamin”, afirmou Ravache.

Com o passar dos anos, Buffett ampliou esse modelo e passou a investir também em companhias que não necessariamente estavam sendo negociadas a preços muito baixos, mas que apresentavam características capazes de sustentar valor no longo prazo.

Na avaliação do analista, a Coca-Cola é um dos exemplos mais emblemáticos dessa evolução. A Berkshire Hathaway adquiriu participação na companhia décadas atrás e manteve o investimento ao longo do tempo.

Leia também: Warren Buffett, o megainvestidor: aposentadoria encerra uma era à frente da Berkshire Hathaway

Ravache destacou que esse modelo ajudou a transformar a Berkshire em um conglomerado avaliado em mais de US$ 1 trilhão, reunindo tanto empresas controladas diretamente quanto participações em companhias listadas em Bolsa.

Entre os ativos citados pelo analista estão Apple, Coca-Cola, bancos e negócios do setor de seguros.

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Segundo Ravache, a operação de seguros da Berkshire também teve papel importante na expansão do grupo ao gerar um fluxo elevado de recursos, posteriormente direcionados para novos investimentos.

“O dinheiro entra na empresa, a própria seguradora gera muita receita, esse dinheiro é reinvestido em ações de empresas”, explicou.

Nos últimos anos, porém, Buffett reduziu o ritmo de compra de ações. Segundo Ravache, o megainvestidor avaliava que os preços no mercado estavam elevados e passou a direcionar uma parcela maior dos recursos para títulos do Tesouro dos Estados Unidos.

Leia também: Warren Buffett deixa o cargo de presidente do conselho da Berkshire Hathaway: ‘O Pai Tempo sempre vence’

Com a mudança na liderança da Berkshire, Ravache afirmou que a companhia voltou a ampliar compras de ações, inclusive em empresas de tecnologia, segmento que historicamente teve menor presença na estratégia de Buffett.

Para o analista, a capacidade de adaptar os ensinamentos de Graham e transformar uma estratégia focada em ativos depreciados em um modelo de investimento em grandes companhias foi um dos principais diferenciais da trajetória de Buffett.

A trajetória do megainvestidor é tema de uma série especial do Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC sobre sua carreira e legado.

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