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Asteba e Asseba: conheça as associações citadas no caso do Banco Master?

Publicado 19/09/2026 • 21:30 | Atualizado há 56 minutos

KEY POINTS

  • Asteba e Asseba são associações de servidores públicos da Bahia que oferecem serviços médicos, jurídicos e auxílio financeiro.
  • Mais de 103 mil autorizações de desconto estavam registradas para as duas entidades em contracheques de servidores em 2025.
  • Os créditos ligados às associações entraram na investigação do Banco Master após divergências entre os valores atribuídos às entidades e os descontos registrados na Bahia.
Quem são Asteba e Asseba, associações citadas no caso Banco Master?

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Quem são Asteba e Asseba, associações citadas no caso Banco Master?

A Asteba e a Asseba são duas associações de servidores públicos com atuação na Bahia que aparecem nas investigações envolvendo o Banco Master. As entidades oferecem benefícios como serviços médicos, odontológicos, laboratoriais, jurídicos e auxílio financeiro aos associados.

As duas entraram nas investigações após o banco informar ao Banco Central que as associações haviam originado os créditos consignados. A apuração questiona, entre outros pontos, a compatibilidade entre os descontos registrados nos contracheques e o volume de créditos atribuído às entidades.

Leia também: Caso Master: associações de servidores investigadas na Bahia registraram descontos de R$ 1 bilhão em folha

Asteba reúne servidores, aposentados e pensionistas

A Asteba é a Associação dos Servidores Técnico-Administrativos e Afins do Estado da Bahia. Segundo a própria entidade, seu público inclui servidores públicos, aposentados e pensionistas do Estado da Bahia e de algumas prefeituras municipais.

A associação mantém uma rede de clínicas médicas e odontológicas, laboratórios e serviços de exames de imagem. Também oferece consultoria e assessoria jurídica, além de auxílio financeiro com margem específica. A Asteba informa ainda que os associados podem acessar serviços e solicitar auxílios por meio de aplicativo. A sede da entidade fica no bairro do Barbalho, em Salvador.

Asseba atende servidores da área da saúde

Já a Asseba é a Associação dos Servidores da Saúde e Afins da Administração Direta do Estado da Bahia. No site oficial, a entidade se apresenta como uma associação de classe voltada aos servidores públicos.

Entre os serviços oferecidos estão auxílio jurídico, consulta jurídica, auxílio financeiro com margem específica, atendimento em clínicas médicas e odontológicas, exames laboratoriais e exames de imagem.

A associação também possui uma rede de estabelecimentos conveniados e aplicativo próprio, usado para filiação, consulta de benefícios e solicitação de auxílios. A sede fica na Avenida Centenário, em Salvador.

Leia também: Dino manda PF investigar operações do Banco Master com cemitérios de SP, mas proíbe apuração sobre Mendonça

Mais de 103 mil descontos em folha

Embora tenham atividades associativas voltadas aos servidores, Asteba e Asseba entraram no radar da investigação por causa de operações de crédito relacionadas ao Banco Master.

Dados da Secretaria da Administração da Bahia que integram o inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) mostram que as duas entidades tinham, juntas, 103.287 autorizações de desconto em contracheques em 2025. A Asteba concentrava 52.176 autorizações, enquanto a Asseba tinha outras 51.111.

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Segundo levantamento da Folha de S.Paulo citado na apuração, a carteira das duas associações tinha valor estimado em cerca de R$ 1 bilhão. O valor, porém, fica bem abaixo dos R$ 6,7 bilhões em créditos que o Banco Master chegou a vincular às entidades em operações posteriormente vendidas ao Banco de Brasília (BRB).

Por que Asteba e Asseba aparecem no caso Master?

A ligação com o caso começou quando o Banco Master informou ao Banco Central que a Asteba e a Asseba haviam originado créditos consignados negociados com o BRB.

A informação passou a ser questionada durante a apuração. De acordo com dados do governo da Bahia analisados pelos investigadores, os descontos registrados nos contracheques estavam relacionados a mensalidades e serviços associativos. Eles não correspondiam ao volume de empréstimos consignados apresentado nas operações envolvendo os créditos.

Além disso, os investigadores identificaram CPFs relacionados às carteiras em diferentes estados e apontaram que a movimentação financeira das associações não era compatível com o volume de créditos que o Banco Master atribuiu às entidades. Após os questionamentos do Banco Central, o Banco Master passou a apontar a Tirreno como originadora dos créditos.

Relação com Augusto Lima também é investigada no caso Master

Outro ponto analisado pelas autoridades é a relação das duas associações com Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master. Segundo documentos da investigação, Lima ocupou a presidência da Asteba e continuou ligado às associações depois de deixar formalmente o cargo.

Um relatório do Ministério Público Federal aponta ainda que Asteba e Asseba utilizavam dados de contato relacionados à Terra Firme da Bahia, empresa pertencente a Lima. A Polícia Federal atribui ao empresário participação na elaboração de carteiras consideradas fraudulentas.

Leia também: Master pagou R$ 40 mi ao escritório de Viviane Barci e R$ 33 mi ao de advogada citada como “canal direto com STF” em 2024, diz PF

A defesa de Augusto Lima contestou a associação feita pelo Banco Master. Segundo os advogados, as entidades foram vinculadas de forma equivocada aos créditos vendidos ao BRB. A defesa também afirmou que Lima prestava serviços às associações, mas não tinha procuração nem movimentava as contas das entidades.

Assim, Asteba e Asseba oferecem serviços e benefícios a servidores públicos na Bahia e entraram na investigação do caso Banco Master após o banco informar ao Banco Central que as duas entidades haviam originado os créditos consignados.

A apuração busca esclarecer como esses créditos foram formados, quem os originou e por que os valores que o Banco Master vinculou às associações ficaram muito acima dos descontos registrados pelo governo baiano.

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