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WhatsApp, Instagram e Facebook fora do ar: sucessivas falhas ampliam crise de confiança na Meta

Publicado 26/06/2026 • 19:47 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • WhatsApp, Instagram e Facebook registraram duas grandes instabilidades globais em junho, afetando usuários, anunciantes e empresas, com impacto direto em campanhas e no funcionamento das plataformas.
  • A Meta enfrenta pressão simultânea em várias frentes: corrida por liderança em inteligência artificial, demissões, perda de usuários ativos e questionamentos sobre governança e segurança interna após falhas como o caso do programa MCI.
  • Especialistas destacam que, apesar das falhas recorrentes, os impactos ainda são considerados pontuais, enquanto a empresa segue investindo bilhões em IA e tentando equilibrar inovação com estabilidade operacional.

Marcello Casal jr/Agência Brasil

As constantes quedas dos serviços da Meta têm gerado impactos cada vez mais visíveis para usuários, anunciantes e investidores. Somente em junho, WhatsApp, Instagram e Facebook registraram duas grandes instabilidades globais.

No dia 12, um apagão digital comprometeu o envio de mensagens, o carregamento de feeds e o acesso às versões web das plataformas, afetando diretamente campanhas publicitárias, alcance orgânico e operações de empresas que dependem do ecossistema da companhia, além da plataforma de anúncios da Meta, prejudicando diretamente anunciantes em pleno Dia dos Namorados no Brasil, uma das datas mais relevantes para o varejo.

Já nesta terça-feira (23), uma nova falha voltou a interromper o funcionamento dos aplicativos, reforçando preocupações sobre a estabilidade da infraestrutura da gigante de tecnologia.

Embora a Meta não relacione oficialmente os episódios a problemas internos, as falhas acontecem em um momento de forte pressão operacional e estratégica. A empresa está acelerando sua corrida pela liderança em inteligência artificial, ao mesmo tempo em que enfrenta desafios de gestão, cortes de pessoal, insatisfação de funcionários e sinais de desaceleração em algumas métricas de engajamento.

Em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, o especialista em tecnologia e inteligência artificial, Marcel Nobre diz que a Meta não está necessariamente aplicando essas mudanças no ambiente de produção. Pelo menos não ainda.

“Obviamente quando você está substituindo seres humanos por inteligência artificial, você não substitui 100%. Você deixa um outro ser humano monitorando isso”, disse. Mas ele destaca que o processo de substituição é natural e pode sim ocorrer, mas não relaciona os problemas de instabilidade com essa migração.

Uma das polêmicas mais recentes envolve a suspensão por tempo indeterminado do Model Capability Initiative (MCI), programa criado para monitorar a atividade de funcionários e utilizar esses dados no treinamento de modelos de IA. A iniciativa foi interrompida após uma falha de segurança expor aproximadamente 45 mil tabelas contendo registros de digitação, cliques de mouse, transcrições de áudio, métricas de desempenho e capturas de tela de colaboradores nos Estados Unidos.

O incidente aprofundou questionamentos sobre a governança da companhia. O próprio CTO da Meta, Andrew Bosworth, reconheceu internamente que a implementação do programa violou diretrizes de privacidade da empresa. Antes mesmo do vazamento, mais de 1,6 mil funcionários haviam assinado uma petição contra o sistema de monitoramento, alertando para riscos regulatórios e potenciais brechas de segurança.

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A crise ocorre enquanto a Meta investe bilhões de dólares em inteligência artificial. Apesar da previsão de investimentos entre US$ 66 bilhões e US$ 72 bilhões no setor em 2026, a companhia realizou recentemente demissões em massa, incluindo cerca de 600 profissionais ligados diretamente às operações de IA e aproximadamente 7,8 mil funcionários em diferentes áreas da empresa.

Nos bastidores, relatos publicados pela imprensa internacional apontam um ambiente de forte desgaste. Integrantes da divisão Applied AI, criada para apoiar a Superintelligence Labs, descrevem jornadas intensas, tarefas repetitivas e pressão constante por resultados. Executivos da própria empresa admitiram falhas na condução das mudanças e reconheceram a necessidade de recalibrar expectativas em torno do potencial da inteligência artificial.

Ao mesmo tempo, a Meta também enfrenta desafios relacionados ao crescimento de suas plataformas. Dados divulgados pela companhia mostram que Facebook, Instagram, Messenger e WhatsApp perderam cerca de 20 milhões de usuários ativos diários entre o quarto trimestre de 2025 e o primeiro trimestre de 2026, um movimento que aumentou a atenção do mercado sobre a capacidade da empresa de manter engajamento em seus principais produtos.

Para Marcel, o ideal para creators e usuários que trabalham nas plataformas da Meta é desenvolver uma comunidade fora dessas redes a fim de evitar que essas quedas afetem seus rendimentos. “Se você não tem o contato, não tem o e-mail desses leads, esses leads não são seus, são da plataforma”, pontuou. Porém, segundo Marcel, os impactos desses problemas estruturais dos serviços da empresa podem ainda não ser muito grandes já que são pontuais.

Mesmo diante desse cenário, Mark Zuckerberg segue ampliando apostas em novas frentes. A empresa trabalha no desenvolvimento de uma plataforma própria de mercados de previsão, chamada internamente de “Arena”, que deverá funcionar inicialmente com um sistema de pontos e será integrada ao alcance das redes sociais da companhia.

A combinação de instabilidades técnicas recorrentes, reestruturações internas, pressão pela liderança em IA, demissões em larga escala e desafios de retenção de usuários levanta dúvidas sobre a capacidade da Meta de executar simultaneamente sua transformação tecnológica e manter a confiabilidade operacional de plataformas utilizadas diariamente por bilhões de pessoas em todo o mundo.

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