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Guerra e política migratória reduzem apelo da Copa de 2026 e afetam turismo global
Publicado 09/06/2026 • 13:40 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 09/06/2026 • 13:40 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
A Copa do Mundo de 2026 perdeu parte do impulso normalmente associado ao maior evento do futebol mundial por causa das tensões geopolíticas e do endurecimento das regras migratórias dos Estados Unidos, avalia Rodrigo Possatto, diretor de Sourcing de Aéreo da Onfly.
Segundo ele, o cenário tem afetado desde a decisão dos turistas de viajar até o desempenho de companhias aéreas, hotéis, restaurantes e empresas que utilizam o torneio para ações de relacionamento com clientes.
“Viajar em 2026 deixou de ser commodity e passou a ser uma gestão de crise em tempo real”, afirmou Possatto, em entrevista nesta terça-feira (9) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
Para o executivo, a edição que reunirá 48 seleções em Estados Unidos, Canadá e México ocorre em um ambiente muito diferente do observado em Copas anteriores.
Possatto afirma que o impacto das políticas migratórias americanas é percebido de forma desigual entre os diferentes públicos. Segundo ele, brasileiros, argentinos e outros latino-americanos continuam demonstrando disposição para viajar, mas o mesmo não ocorre em todas as regiões do mundo.
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O executivo destacou que episódios recentes envolvendo negação de vistos e dificuldades de entrada nos Estados Unidos aumentaram a insegurança de parte dos turistas internacionais. “A gente teve exemplos recentes de vistos sendo negados, de pessoas que não podem entrar. Então é uma Copa que realmente está afetando não só a indústria aérea, mas todo o comportamento da cadeia de turismo”, disse.
Na avaliação dele, o receio de enfrentar problemas migratórios se soma aos custos mais elevados das viagens e contribui para reduzir o interesse de uma parcela dos torcedores.
Os reflexos desse cenário já aparecem nos indicadores do setor. Segundo Possatto, os preços dos hotéis nas cidades que receberão partidas da Copa estão significativamente mais altos do que no ano passado, mas a demanda não acompanhou essa elevação.
“A rede hoteleira nas cidades da Copa cresceu cerca de 60% em relação aos preços de 2025 e está com uma ocupação muito abaixo do esperado”, afirmou.
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Para o executivo, a combinação de hospedagem mais cara, passagens aéreas mais caras e incertezas geopolíticas tem levado muitos turistas a reconsiderarem seus planos. Segundo ele, mesmo aqueles que mantêm a decisão de viajar tendem a reduzir gastos durante a estadia.
“Talvez a pessoa fique menos tempo, consuma menos em restaurantes e reduza outras despesas. Toda a cadeia acaba sofrendo um pouco isso”, explicou.
Possatto observou ainda que, diferentemente de outras edições do torneio, a Copa não tem produzido a concentração de turistas normalmente observada nos destinos-sede. “A gente está vendo hotéis abaixo da ocupação que deveriam ter e até ingressos sobrando”, afirmou.
Outro fator apontado pelo especialista é o impacto da guerra no Oriente Médio sobre a aviação global. Segundo ele, o conflito provocou restrições de espaço aéreo, alterações de rotas e aumento dos custos operacionais das companhias aéreas.
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Possatto destacou que o setor aéreo costuma ser um dos primeiros a sentir os efeitos de crises geopolíticas. “Quando tem pressão no combustível, restrição no espaço aéreo e mudança de rota, tudo isso impacta diretamente o dia a dia das companhias aéreas”, disse.
O executivo lembrou que o conflito já ultrapassou 100 dias e provocou o cancelamento de aproximadamente 37 mil voos, gerando dificuldades operacionais em diferentes mercados.
Segundo ele, o fechamento de importantes corredores aéreos tem hoje impacto muito maior do que em conflitos anteriores devido ao crescimento de hubs internacionais como Dubai, Doha, Abu Dhabi e Istambul.
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Seguir no GoogleNa avaliação de Possatto, 2026 tem sido um dos anos mais desafiadores para o setor de viagens, tanto no segmento de lazer quanto no corporativo. Ele afirmou que o turismo global ainda enfrenta os efeitos acumulados das incertezas geopolíticas.
“Não é um ano bom para o turismo brasileiro e para o turismo mundial também não”, afirmou. Segundo ele, as próprias companhias aéreas devem registrar redução expressiva nos lucros em relação ao esperado inicialmente.
Apesar disso, o executivo vê sinais de melhora gradual para os próximos meses. “A tendência é que o segundo semestre seja melhor do que o primeiro, mas ainda muito aquém do que a gente gostaria”, disse.
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O turismo corporativo também foi afetado pelo cenário atual. Segundo Possatto, empresas que tradicionalmente utilizam a Copa do Mundo para estreitar relações com clientes reduziram sua participação no evento deste ano. “Não foi um ano normal de Copa do Mundo, em que as empresas juntam 30 ou 40 clientes e fazem ações ligadas ao torneio”, afirmou.
De acordo com ele, houve uma leve retração nas vendas corporativas entre maio e julho, especialmente em viagens com destino aos Estados Unidos. Ainda assim, o movimento observado tem sido mais de adiamento do que de cancelamento.
“As empresas têm postergado um pouco essas viagens. Em vez de junho ou julho, muitas estão deixando para agosto. Já estão comprando, mas comprando depois”, explicou.
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Para Possatto, a soma entre guerra, custos elevados e incertezas migratórias transformou uma Copa que deveria impulsionar o turismo mundial em um evento cercado por cautela tanto de turistas quanto de empresas.
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