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Quanto à política anti-imigração pode custar ao turismo da Copa?

Publicado 15/06/2026 • 06:30 | Atualizado há 1 mês

KEY POINTS

  • A Copa do Mundo era vista como um forte impulso para o turismo americano após anos de recuperação econômica e expansão do setor de viagens.
  • As preocupações são ainda maiores entre viajantes de países incluídos em listas de restrições migratórias.
  • A expectativa inicial era de que milhões de visitantes passassem pelo sul da Flórida durante o período da competição.
Visto americano Turismo

Foto: Unsplash

Quanto à política anti-imigração, pode custar ao turismo da Copa?

A Copa do Mundo de 2026 já começou nos Estados Unidos, México e Canadá, e cresce a preocupação de autoridades locais, empresários e representantes do setor turístico com os possíveis efeitos econômicos das políticas migratórias adotadas pelo governo americano.

O torneio começou na última quinta-feira (11) e deveria representar uma das maiores oportunidades de geração de receita para hotéis, restaurantes, companhias aéreas e atrações turísticas.

No entanto, restrições de entrada, dificuldades na obtenção de vistos e receios relacionados à fiscalização imigratória estão reduzindo a chegada de visitantes internacionais.

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Reservas abaixo do esperado

Os sinais de desaceleração já aparecem no setor de hospedagem. Segundo levantamento da American Hotel & Lodging Association, divulgado pelo The Conversation, cerca de 80% dos empresários consultados afirmaram que as reservas para o período da Copa estão abaixo das projeções iniciais.

A situação varia entre as cidades-sede. Em Miami, considerada uma das localidades mais atrativas para turistas estrangeiros, 45% dos hotéis relataram desempenho inferior ao esperado.

Em cidades como Filadélfia e São Francisco, o índice chega a 75%. Em Kansas City, entre 85% e 90% dos estabelecimentos afirmaram que a demanda está abaixo das expectativas.

A Copa do Mundo era vista como um forte impulso para o turismo americano após anos de recuperação econômica e expansão do setor de viagens.

Barreiras para turistas estrangeiros

Parte da desaceleração está associada às dificuldades enfrentadas por visitantes internacionais para entrar nos Estados Unidos.

De acordo com o Washington Post, torcedores de diversos países relatam atrasos na emissão de vistos, exigências adicionais de documentação e incertezas sobre a entrada no território americano.

As preocupações são ainda maiores entre viajantes de países incluídos em listas de restrições migratórias. Em alguns casos, autoridades americanas chegaram a exigir garantias financeiras que variavam entre US$ 5 mil e US$ 15 mil para determinados processos de visto, medida que acabou sendo flexibilizada para parte dos torcedores que haviam adquirido ingressos antecipadamente.

Mesmo assim, muitos visitantes afirmam temer investir em passagens, hospedagem e ingressos sem a garantia de que conseguirão entrar no país.

Medo afeta participação de comunidades imigrantes

Além dos turistas estrangeiros, a política migratória também gera preocupação entre comunidades imigrantes que vivem nos Estados Unidos.

Organizações de defesa dos direitos dos imigrantes relatam que muitas famílias evitam participar de grandes eventos públicos por receio de operações conduzidas pelo Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE).

Em cidades como Dallas, Houston e Los Angeles, grupos comunitários montaram redes de apoio e monitoramento para acompanhar possíveis ações das autoridades durante o torneio.

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Aproximadamente 65% dos americanos são contrários à presença de agentes do ICE em estádios durante eventos esportivos.

Miami tenta preservar vantagem competitiva

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Entre as cidades-sede americanas, Miami continua sendo uma das mais bem posicionadas para atrair visitantes.

A cidade reúne infraestrutura turística consolidada, forte ligação com a América Latina e a presença de Lionel Messi, principal estrela do Inter Miami.

A cidade ainda pode minimizar perdas por meio de campanhas promocionais, pacotes turísticos integrados e estratégias voltadas para mercados latino-americanos.

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A expectativa inicial era de que milhões de visitantes passassem pelo sul da Flórida durante o período da competição.

Entretanto, a combinação entre inflação, custos elevados de viagem e incertezas relacionadas à imigração ameaça reduzir o impacto econômico previsto.

Ingressos e transporte para os jogos da Copa

Outro fator que pode limitar a movimentação turística é o custo da experiência para os torcedores. Alguns ingressos chegaram a ultrapassar US$ 1.000.

Em Boston, uma viagem de transporte público até o estádio poderá custar cerca de US$ 80, valor quatro vezes superior ao normalmente cobrado.

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Em Nova York, a tarifa especial de trem para o MetLife Stadium chegou a ser anunciada em US$ 150 antes de ser reduzida para US$ 105 após críticas.

O aumento dos gastos com transporte, hospedagem e alimentação ocorre em um momento de pressão inflacionária e de alta nos preços dos combustíveis, fatores que afetam diretamente o orçamento dos turistas.

Quanto à política migratória pode custar à Copa?

Ainda não existe uma estimativa oficial consolidada sobre o impacto financeiro das restrições migratórias na Copa do Mundo.

No entanto, especialistas apontam que qualquer redução significativa no fluxo internacional de visitantes pode representar perdas de centenas de milhões de dólares para hotéis, restaurantes, comércio e serviços nas cidades-sede.

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Como os turistas estrangeiros costumam permanecer mais tempo nos destinos e gastar mais do que os visitantes domésticos, uma eventual redução desse público pode afetar diretamente a receita prevista para a Copa do Mundo de 2026.

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