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UEFA acusa Infantino de “gestão criminosa”; veja o que está em jogo
Publicado 28/08/2026 • 07:00 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 28/08/2026 • 07:00 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Foto: divulgação
UEFA acusa Infantino de “gestão criminosa”; veja o que está em jogo
A UEFA aumentou a pressão sobre Gianni Infantino, presidente da Fifa, e recorreu à Justiça dos Estados Unidos para reunir documentos que podem embasar uma eventual denúncia criminal contra o dirigente na Suíça. A entidade europeia questiona a forma como a Fifa estruturou um projeto para vender parte de seus ativos comerciais a investidores privados.
O caso envolve a Fifa Forward Enterprise (FFE), empresa que a Fifa pretendia criar para concentrar e monetizar ativos comerciais. A proposta previa a venda de aproximadamente 20% da nova companhia, avaliada em cerca de US$ 20 bilhões ( cerca de R$ 103 bilhões).
Segundo a UEFA, o negócio poderia levantar US$ 4,2 bilhões (R$ 21,6 bilhões). O grupo de investidores teria a liderança de Thrive Capital, empresa ligada ao empresário Joshua Kushner, de acordo com o Estadão.
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Um dos principais pontos levantados pela UEFA é a própria necessidade de a Fifa buscar capital externo. A entidade europeia argumenta que a federação internacional não enfrentava dificuldades financeiras que justificassem a venda de uma participação em seus ativos comerciais.
De acordo com os dados citados na petição, a Fifa tinha bilhões de dólares em reservas e ativos líquidos e não possuía dívidas. Além disso, a organização projetava mais de US$ 13 bilhões em receitas no ciclo de 2023 a 2026, impulsionadas principalmente pela Copa do Mundo. Por isso, a UEFA quer entender por que a Fifa decidiu abrir mão de parte de seus ativos para investidores privados.
Além da necessidade da operação, a UEFA contesta a avaliação de aproximadamente US$ 20 bilhões (R$ 103 bilhões) atribuída à FFE. A entidade afirma que o mesmo agente calculou o valor enquanto estruturava o negócio, buscava investidores e apresentava a proposta. Segundo a petição, não havia evidências de uma segunda avaliação independente antes da operação.
Além disso, a UEFA também questiona a comparação usada para justificar o potencial de valorização dos ativos da Fifa. Segundo a entidade, o projeto relacionou a receita anual da federação, estimada em cerca de US$ 3,6 bilhões (R$ 18,5 bilhões), a organizações esportivas com modelos diferentes, como a NFL, que movimenta mais de US$ 20 bilhões (R$ 103 bilhões). No entanto, para a UEFA, essa comparação não seria adequada para determinar o valor dos ativos colocados à venda.
Na avaliação da entidade europeia, essa comparação não seria suficiente para determinar o valor dos ativos que a Fifa pretendia colocar no mercado.
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Siga o Times | CNBCA UEFA também critica a condução interna do projeto. Segundo a petição, o plano teria avançado sem consulta adequada ao Conselho da Fifa, às seis confederações e às 211 associações nacionais. A entidade europeia cita ainda a saída de dirigentes que teriam questionado a condução da proposta, entre eles o então diretor de operações Kevin Lamour.
Diante disso, a UEFA afirma que pretende identificar os responsáveis pela elaboração do projeto, entender como a Fifa escolheu os investidores, descobrir como chegaram ao valor de US$ 20 bilhões (R$ 103 bilhões) e quais dirigentes conheciam a operação.
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A possível denúncia seria baseada no artigo 158 do Código Penal suíço, que trata de gestão criminosa. A legislação pode atingir quem administra patrimônio de terceiros, viola seus deveres e provoca prejuízo financeiro à entidade administrada.
Nesse caso, a UEFA sustenta que a Justiça suíça teria jurisdição porque a Fifa tem sede em Zurique e o projeto teria sido desenvolvido e conduzido a partir da organização. As petições apresentadas nos Estados Unidos, portanto, fazem parte da tentativa de reunir provas antes de uma eventual ação na Suíça.
O projeto da FFE acabou abandonado depois da reação contrária de confederações e associações-membro. Ainda assim, a UEFA manteve a ofensiva contra Infantino e agora busca reconstruir os bastidores da proposta.
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