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Por que os fundos de ações perdem bilhões no Brasil mesmo com disparada da bolsa
Publicado 24/04/2026 • 10:40 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 24/04/2026 • 10:40 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
Foto: Unsplash
Os fundos de ações no Brasil registraram saída líquida de R$ 6,4 bilhões no primeiro trimestre de 2026, segundo a Anbima. O movimento ocorreu na contramão do principal índice de ações — o Ibovespa –, que avançou mais de 20% no melhor momento em abril e se aproximou dos 200 mil pontos ao bater o maior patamar real da história.
O descasamento entre a alta do índice e o fluxo negativo dos fundos de ações tem várias explicações.
Uma delas está no perfil dos investidores. Segundo Jessé Cordeiro, fundador da Dom Capital, o movimento recente da bolsa tem sido puxado principalmente pelo capital estrangeiro. “O movimento de valorização recente da bolsa não é sustentado pelo investidor local, mas principalmente pelo capital estrangeiro. Enquanto os gringos entram e puxam o índice para cima, os investidores brasileiros continuam resgatando recursos dos fundos”, afirma.
Outro fator relevante é o nível ainda elevado da taxa de juros no Brasil, que mantém a renda fixa atrativa em termos de retorno ajustado ao risco. “Isso reduz o incentivo para manter recursos em fundos de ações”, acrescenta Cordeiro. Nesse cenário, há migração para produtos mais conservadores, como títulos públicos e CDBs. Enquanto os fundos de ações registram perdas bilionárias, os de renda fixa captaram cerca de R$ 130 bilhões entre janeiro e março.
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Também pesa a forma como a alta do Ibovespa tem se distribuído. A valorização está concentrada em ações de maior capitalização, o que dificulta a captura desse movimento por parte de muitas gestoras. Parte do mercado apostava em uma recuperação mais forte de empresas menores, que orbitam essas grandes companhias e que seriam beneficiadas por uma queda mais rápida dos juros — cenário que não se confirmou.
“A expectativa era alta para a queda de juros, o que não deve acontecer na velocidade esperada, e isso acaba preocupando o investidor (dos fundos de ações). Essas ações de empresas alavancadas, que têm dívida alta, acabam tendo um resultado líquido baixo”, detalha Talita Luiz, assessora de investimentos da Quattro Investimentos.
Além disso, a estrutura dos próprios fundos também ajuda a explicar o desempenho. Por regra, esses veículos não mantêm todo o patrimônio alocado em ações, o que limita a captura integral da alta da bolsa. Parte relevante dos recursos fica em outros ativos, como crédito privado, que segue pressionado.
“Esses títulos contratados lá atrás tem machucado as carteiras por conta dos juros não terem caído”, diz a assessora da Quattro Investimentos. Com os juros elevados, esses papéis passam a ser negociados com deságio, o que reduz o valor das posições.
“As taxas contratadas nesse crédito privado há 3 anos atrás não são as mesmas taxas contratadas hoje”, diz Talita, ressaltando que, quando os juros sobem, o valor dos títulos mais antigos diminui.
Esse cenário foi agravado por eventos recentes no mercado de crédito, como problemas com COEs ligados a empresas como Braskem e Ambipar, em 2025, além de pedidos de recuperação extrajudicial de companhias relevantes, como Grupo Pão de Açúcar e Raízen, em 2026.
Outro ponto citado por especialistas é o custo dos fundos e a perda de atratividade diante das taxas cobradas. “Em um cenário em que muitos fundos não conseguem bater o Ibovespa, essas taxas acabam corroendo o retorno líquido do investidor e tornam o custo-benefício menos atrativo. Além disso, há alternativas mais baratas, como ETFs, que replicam o índice com custo menor”, destaca Cordeiro, da Dom.
No curto prazo, o cenário ainda é desafiador para os fundos de ações, segundo Rafael Nanes, head de Renda Variável da Zenit Invest, devido a “taxa de juros alta e o cenário de incertezas macroeconômicas”.
No médio e longo prazo, no entanto, pode haver uma recuperação parcial, a depender da “melhora do quadro, com Selic caindo”, diz o analista da Zenit.
Para Cordeiro, da Dom Capital, o principal fator para uma retomada mais consistente seria a queda da taxa de juros, o que reduziria a atratividade da renda fixa e incentivaria a migração para ativos de maior risco. Além disso, maior previsibilidade fiscal e política ajudaria a diminuir a aversão ao risco e favorecer o retorno do capital doméstico aos fundos de ações.
Outro ponto importante é a melhora mais disseminada do desempenho das empresas listadas, e não apenas de poucas grandes companhias. “Se a alta do Ibovespa passar a ser mais abrangente, incluindo small e mid caps, mais fundos ativos tendem a performar melhor, o que pode aumentar a confiança dos investidores e reverter o fluxo negativo”, arremata Cordeiro.
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Analista e repórter de mercado, economia e negócios, Raphael Coraccini é jornalista, especializado em jornalismo econômico e mercado financeiro, mestre e pesquisador em Ciência Social com foco em Ciência Política. Atua na cobertura de autoridades monetárias, autoridades econômicas, resultados corporativos, M&A, mercado de capitais, impostos e tarifas, regulação e outros assuntos relacionados a economia e política.
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