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Bolsa brasileira segue descontada e pode chegar a 195 mil pontos

Publicado 10/07/2026 • 17:15 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Santander vê espaço para nova valorização da Bolsa e mantém recomendação favorável para ações brasileiras.
  • Estratégia combina empresas defensivas, exportadoras e setores cíclicos para aproveitar eventual queda dos juros.
  • Investidor estrangeiro ainda vê o mercado brasileiro como barato, apesar da cautela no curto prazo.

A bolsa brasileira continua negociando com desconto em relação ao histórico e a outros mercados emergentes, o que abre espaço para uma valorização adicional até o fim do ano, afirmou nesta sexta-feira (10) o estrategista de ações da Santander Corretora, Ricardo Peretti, em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC. Segundo ele, o banco mantém projeção de 195 mil pontos para o Ibovespa no encerramento de 2026.

“A gente ainda vê espaço de valorização adicional. O Ibovespa continua negociando com desconto superior a 20% em relação à média histórica e também abaixo de outros mercados emergentes. Por isso, seguimos com recomendação favorável para a Bolsa”, afirmou.

Segundo Peretti, a principal métrica utilizada pelo mercado para avaliar se uma Bolsa está cara ou barata mostra que o mercado brasileiro permanece atrativo mesmo após a recente alta dos índices.

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“Hoje o Ibovespa negocia perto de 8,3 vezes preço sobre lucro, enquanto muitos mercados emergentes operam entre 12 e 15 vezes. Essa assimetria continua bastante favorável”, destacou.

Carteira diversificada

Para aproveitar esse cenário, o estrategista recomenda que os investidores distribuam os recursos entre diferentes perfis de empresas.

Segundo ele, um terço da carteira deve ser destinado a ações domésticas mais defensivas, como empresas de energia elétrica, telecomunicações e grandes bancos. “São setores menos voláteis, maduros e que costumam pagar bons dividendos, oferecendo maior proteção ao investidor”, explicou.

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Outro terço, segundo Peretti, deve ser direcionado a empresas exportadoras ou com receitas em dólar, funcionando como proteção cambial caso o ambiente econômico brasileiro se deteriore.

“Nosso cenário-base não prevê uma disparada do dólar, mas empresas ligadas ao petróleo, minério de ferro e bens de capital ajudam a proteger a carteira caso a percepção de risco aumente”, afirmou.

Já a parcela restante pode ser destinada a empresas mais sensíveis ao ciclo econômico e aos juros. “As empresas cíclicas continuam muito baratas para serem ignoradas. Varejo, educação, construção civil e shopping centers tendem a se beneficiar de um ambiente de queda dos juros”, disse.

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Fluxo estrangeiro

O estrategista reconheceu que a Bolsa brasileira ainda depende fortemente do investidor internacional, responsável por aproximadamente 60% do volume diário negociado na bolsa.

Segundo ele, parte dos recursos migrou nos últimos meses para investimentos ligados à inteligência artificial, mas isso não alterou a percepção positiva sobre o mercado brasileiro.

“O investidor estrangeiro continua enxergando a Bolsa brasileira como descontada. Ele não tem tanta pressa para aumentar posição enquanto os juros permanecem elevados, mas ainda dá o benefício da dúvida para o Brasil”, ressaltou.

Além das ações

Para quem deseja investir em renda variável, Peretti destacou que existem alternativas além da compra direta de ações, como fundos de investimento, ETFs e operações estruturadas.

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Segundo ele, a escolha depende do perfil e dos objetivos de cada investidor, que também pode optar por delegar a seleção dos ativos a gestores profissionais.

“Ações são apenas uma das alternativas dentro de um portfólio. O mais importante é combinar renda variável, renda fixa e outros ativos para construir uma estratégia adequada ao perfil de cada investidor”, concluiu.

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