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Bolsa brasileira tem melhor semana desde janeiro com alta de 5,40%

Publicado 05/09/2026 • 15:30 | Atualizado há 2 meses

KEY POINTS

  • Ibovespa fecha a semana com alta de 5,40%, a maior desde janeiro
  • PIB brasileiro veio acima do esperado, mas mostrou economia mais fraca
  • Fluxo estrangeiro impulsionou parte do movimento em meio a pesquisas eleitorais

A Bolsa brasileira encerrou a semana com alta acumulada de 5,40%, o melhor desempenho semanal desde janeiro. Apesar disso, o pregão desta sexta-feira (4) terminou praticamente estável, com queda mínima de 0,02%, aos 185.147 pontos, refletindo a liquidez mais baixa em véspera de feriado prolongado nos Estados Unidos.

Segundo Ramon Cozer, especialista em investimentos da Valor Investimentos, dois fatores internos concentraram a atenção do mercado ao longo da semana. Primeiro, a divulgação pelo IBGE do PIB brasileiro, que veio com alta de meio ponto percentual, resultado acima do esperado. Ainda assim, a composição do índice indicou que a economia começa a perder força.

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Bolsa reage a expectativa de corte de juros

Diante do dado mais fraco de atividade, a expectativa de corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros pelo Copom em setembro se reforçou, segundo Cozer. Ele avalia que o resultado abaixo do esperado já criou expectativa de novos cortes nas próximas reuniões até o fim do ano.

Além do cenário econômico, o fator político também pesou. Nesta semana foram divulgadas pesquisas eleitorais mostrando o candidato Flávio se aproximando do candidato Lula, o que alimentou expectativas do mercado sobre uma eventual mudança de governo, segundo Cozer.

Fluxo estrangeiro explica parte do movimento

Guilherme Barbosa, CEO da API Capital, avaliou que o movimento positivo da Bolsa ao longo da semana teve como principal motor o fluxo de capital estrangeiro, e não o cenário político doméstico. Segundo ele, a correlação entre os dias de alta da Bolsa e os dias de queda do dólar sugere que investidores estrangeiros fizeram preço, especialmente na quarta-feira (2), quando metade do ganho semanal foi registrado, coincidindo com a divulgação da pesquisa eleitoral.

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Para Barbosa, o investidor estrangeiro trata o Brasil como um trade pontual, dada a baixa alocação do país nas carteiras internacionais, o que explicaria a rapidez das movimentações. Ele avalia que o desempenho da Bolsa não teria relação direta com o cenário político brasileiro, mas sim com estratégias globais de alocação em mercados emergentes.

Câmbio fecha em leve alta

O dólar à vista fechou a sexta-feira (4) cotado a R$ 5,13, em leve alta no dia. Segundo os entrevistados, os dados sobre fluxo de investidor estrangeiro só devem ser divulgados na próxima semana, o que ainda impede uma confirmação definitiva sobre a origem do movimento cambial.

Barbosa também avaliou que o mercado tem acompanhado a crise institucional entre poderes no Brasil com certa distância, por considerar o tema mais político do que capaz de gerar impacto direto sobre indicadores como geração de emprego, demanda e oferta.

Payroll americano reforça expectativa de juros mais altos

Ainda nesta sexta-feira (4), a divulgação do payroll americano, dado de criação de vagas de emprego nos Estados Unidos, surpreendeu o mercado ao mostrar geração de 167 mil vagas, ante expectativa de 55 mil. Segundo Barbosa, o resultado reforça a leitura de pressão sobre a massa salarial americana, o que tende a alimentar expectativas inflacionárias e, consequentemente, a possibilidade de alta de juros pelo Federal Reserve.

Ambos os entrevistados avaliam que o dado de inflação a ser divulgado na próxima semana nos Estados Unidos será decisivo para confirmar ou não essa trajetória, especialmente diante do impacto de commodities agrícolas e de derivados de petróleo, como o diesel, pressionados pelo conflito entre Rússia e Ucrânia.

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