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Ibovespa acompanha exterior e recua com dados do mercado de trabalho nos EUA

Publicado 05/06/2026 • 17:17 | Atualizado há 17 minutos

KEY POINTS

  • O payroll acima das expectativas reforçou a percepção de que o Federal Reserve poderá manter os juros elevados por mais tempo, reduzindo as apostas em cortes de taxas.
  • Segundo analistas, a combinação de petróleo mais caro e perspectiva de juros altos nos EUA diminui o espaço para o Banco Central brasileiro avançar no ciclo de afrouxamento monetário.
  • Além do cenário externo, investidores reagiram a fatores domésticos, com redução de posições de risco e impacto sobre a curva de juros e o mercado acionário brasileiro.

O Ibovespa encerrou a sessão desta sexta-feira (5) em baixa de 0,69%, aos 169.200 pontos, em linha com o desempenho dos pares internacionais. Os mercados globais entraram em queda coordenada após a divulgação dos dados de geração de emprego nos EUA, que vieram muito acima do projetado pelos agentes.

Segundo Rafael Passos, sócio da Ajax Capital, a percepção de que a economia americana segue aquecida deve interromper o ciclo de cortes de juros pela autoridade monetária local. 

“As apostas em cortes, que já foram muito mais fortes no início do ano, perderam força. Chegou-se até a discutir a possibilidade de uma alta de juros mais à frente, talvez no fim deste ano ou no início do próximo”, explica.

Além da notícia influenciar o ambiente de negócios global, o Brasil é impactado diretamente por alguns canais, explica Breno Falseti, sócio da Rubik Capital. O primeiro deles tem a ver com a inflação decorrente da variação dos preços de petróleo e a perspectiva de juros americanos elevados por mais tempo. Segundo o especialista, a combinação “reduz o espaço para o Copom avançar no ciclo de cortes, forçando uma reprecificação que se espalha pela curva de juros e pela bolsa”.

Além disso, pesa o noticiário político, que aponta para o derretimento da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) em detrimento da de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “Investidores que vinham posicionados para o ciclo de afrouxamento e para o Brasil como destino preferido de capital estrangeiro precisaram reduzir risco, o que ajuda a explicar a inclinação adicional da curva e a queda da bolsa”, afirma.

Para David Martins, diretor de investimentos da Brasil Wealth, além do impacto dos juros, o setor de tecnologia também pesou sobre os índices. Martins afirmou que a reação negativa ao resultado da Broadcom desencadeou uma realização de lucros em empresas ligadas a semicondutores e inteligência artificial, movimento que ajudou a aprofundar as perdas da Nasdaq.

“Esse movimento de saída e realização de lucros é normal no mercado, principalmente depois que uma gigante traz um resultado que decepciona”, afirmou, em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exlcusivo CNBC. Segundo ele, a correção ganhou força com o aumento da percepção de risco provocado pelos dados econômicos americanos.

O executivo também comentou os possíveis efeitos da entrada em vigor da classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos. Na avaliação dele, a medida pode elevar os custos de compliance de bancos e fintechs que operam no Brasil e aumentar a preocupação do setor financeiro com eventuais sanções.

“Isso traz um receio adicional que acaba contribuindo para a aversão a risco quando a gente fala de Brasil”, disse. Segundo Martins, as instituições financeiras podem ser obrigadas a ampliar seus mecanismos de monitoramento e controle para evitar exposição a operações que possam ser enquadradas pelas autoridades americanas.

Apesar do cenário mais desafiador, Martins avalia que a queda recente abriu oportunidades em alguns ativos de qualidade. Ainda assim, ele ressalta que o ambiente permanece marcado por cautela diante dos riscos externos e domésticos que seguem pressionando os mercados.

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