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Ibovespa avança 0,55% com balanços positivos e contorna petróleo em queda livre

Publicado 06/05/2026 • 17:25 | Atualizado há 3 dias

KEY POINTS

  • Queda do petróleo pressionou petroleiras, enquanto minério e bancos sustentaram o índice.
  • Mercado segue seletivo, com rotação entre setores e cautela diante de guerra, commodities e fluxo estrangeiro.
  • Analistas veem alta como movimento pontual, com risco de reversão caso cenário externo piore.
Ibovespa

Reprodução/Canva

A cautela internacional devido à guerra no Oriente Médio empurram o Ibovespa para baixo no pregão desta terça-feira (28).

O Ibovespa, principal índice de ações da bolsa brasileira, encerrou a sessão desta quarta-feira (6) em alta de 0,55%, aos 187.781. O movimento acompanhou o otimismo global depois de sinais de avanço nas negociações entre EUA e Irã derrubaram o petróleo em mais de 7% e reacenderam o apetite por risco nos mercados.

De acordo com Fábio Murad, sócio e fundador da Ipê Avaliações, o mercado comprou a expectativa de avanço nas negociações para reduzir a tensão no Oriente Médio. A desvalorização da comodity no mercado internacional pressionou a Petrobras e Prio, evidenciando que a alta do índice não tem sido uniforme: “Foi uma sessão de rotação: minério ajudando, petróleo pesando e balanços corporativos de empresas como Itaú Unibanco, C&A, Iguatemi, Prio e Copel mantendo o investidor seletivo.”

Ele afirma que o investidor não zerou a cautela com guerra, commodities e fluxo estrangeiro, “especialmente em um ambiente no qual a entrada estrangeira na bolsa de valores perdeu força em relação ao pico de janeiro.”

Na análise de Murad, a alta foi mais um movimento de alívio tático do que uma mudança estrutural de cenário. Para ele, o ambiente ainda é movediço: “em um mercado no qual guerra, petróleo, minério, dólar a R$ 4,91 e a bolsa em 188 mil pontos mudam o humor em poucas horas, a estratégia e a diversificação global continuam sendo consideradas essenciais.”

Segundo Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital, o movimento foi puxado pela Vale e pelos bancos, beneficiados pela alta do minério e pelo balanço sólido do Itaú. Além disso, pesa uma rotação de portfólio em direção a ativos de risco, que, segundo ele, vinha sendo represada pelo temor de uma escalada no Oriente Médio.

“O alívio de hoje é genuíno em termos de fluxo, mas é construído em cima de uma notícia ainda em fase de ‘memorando’ — sem assinatura, sem data, sem definição. Qualquer reversão na narrativa diplomática nas próximas 48 horas devolve o prêmio de risco que está sendo retirado agora”, declarou.

Na leitura dele, os balanços do primeiro trimestre de 2026 seguem um ritmo forte, com destaque para a surpresa positiva da Ambev e para o resultado do Itaú. Essa dinâmica tende a influenciar a dispersão entre os setores nos próximos pregões, já que o cenário macroeconômico abre espaço para movimentos mais amplos. Ainda assim, ele diz, são os resultados individuais das empresas que acabam determinando quais ações efetivamente sobem.

Altas e baixas

Entre as maiores altas do dia, o destaque foi para a C&A, que avançou 7,06% e chegou à cotação de R$12,28. Em seguida, veio a CSN (6,86%), aos R$ 6,70, segundo dados da Rocket Trader.

No campo das perdas, a maior perda registrada veio pelas ações da Tim, que recuou 7,87% aos R$24,44. Depois, vem Prio (-4,25%), a R$ 66,54, Petrobras (-3,77%) aos R$ 51,52 e Minerva (-2,22%), aos R$ 3,97.

“Finalmente tivemos uma resposta positiva no petróleo, que caiu 8% e chegou a ser negociado próximo de US$ 100 (R$ 494,00) o barril. O mercado começou a precificar um cessar-fogo e a manutenção das rotas comerciais abertas, o que trouxe um respiro necessário após dias de incerteza”, afirmou Gabriel Brondi, sócio da The Link Investimentos, em entrevista ao Times Brasil – licenciado exclusivo CNBC.

O especialista afirmou que o mercado reagiu positivamente aos sinais de negociação entre Estados Unidos e Irã, o que provocou um alívio nas commodities. O petróleo caiu cerca de 8%, chegando a ser negociado próximo de US$ 100 (R$ 494) por barril, enquanto o mercado passou a precificar a possibilidade de um cessar-fogo e a manutenção das rotas comerciais abertas, o que trouxe um respiro após dias de incerteza.

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Apesar desse cenário mais favorável, ele observou que as ações do Itaú registraram queda após a divulgação de um balanço com projeções mais cautelosas para os próximos meses. “O banco apresentou um Guidance menos animador devido ao cenário de juros altos, que esfria a economia e reduz a demanda por crédito. Mesmo assim, a queda de 1% é aceitável e reflete apenas uma realização de lucros por parte dos investidores”

Por fim, o analista ressaltou que o fortalecimento do real frente ao dólar possui impactos mistos na economia brasileira, afetando desde as empresas até o bolso do consumidor.

“Um dólar mais fraco melhora a expectativa de inflação, já que muitos produtos são dolarizados, mas o Banco Central atua para que esse movimento seja saudável e não cause descasamentos contratuais bruscos”, concluiu.

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