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Ibovespa cai 0,86% com aversão a risco global; dólar dispara a R$ 5,17 com temor de novas altas do Fed

Publicado 23/09/2026 • 18:20 | Atualizado há 53 minutos

KEY POINTS

  • Ibovespa recuou 0,86%, aos 185.814,09 pontos, após oscilar entre 185.676,38 e 188.772,33 pontos; volume financeiro somou R$ 20,8 bilhões.
  • Aumento dos juros americanos e preocupação com a inflação reduziram o apetite por risco, enquanto bolsas dos Estados Unidos também operaram em queda.
  • Dólar avançou 1,28%, a R$ 5,1682, acompanhando a valorização global da moeda americana.

O Ibovespa fechou em queda nesta quarta-feira (23), pressionado pelo aumento da aversão a risco no exterior, com investidores elevando as apostas em novos aumentos dos juros nos Estados Unidos diante da persistência das preocupações com a inflação.

O principal índice da bolsa brasileira caiu 0,86%, aos 185.814,09 pontos, depois de oscilar entre a mínima de 185.676,38 pontos e a máxima de 188.772,33 pontos. O volume financeiro somou R$ 20,8 bilhões.

No câmbio, o movimento foi mais intenso. O dólar à vista disparou 1,28%, a R$ 5,1682, após variar entre R$ 5,1215 e R$ 5,1760. Às 17h12, o contrato futuro para outubro avançava 1,23%, a R$ 5,1735.

Juros dos EUA aumentam aversão a risco

A pressão veio principalmente do exterior. Os rendimentos dos títulos do Tesouro americano avançaram com investidores avaliando a possibilidade de o Federal Reserve manter o ciclo de alta dos juros para conter a inflação.

Dirigentes do Fed têm reforçado nos últimos dias que novos aumentos podem ser necessários caso as pressões inflacionárias persistam. Alberto Musalem, presidente do Fed de St. Louis, afirmou nesta semana que provavelmente serão necessárias novas altas para conter a inflação.

Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Arthur Horta, head de análise da GTF Capital, afirmou que o movimento atingiu principalmente os mercados emergentes.

“Hoje tivemos um dia de grande aversão a risco nos mercados, principalmente nos mercados emergentes”, disse.

Segundo Horta, o avanço dos juros americanos torna os ativos dos Estados Unidos relativamente mais atraentes e tende a pressionar moedas e bolsas de países como o Brasil.

“Quanto mais o juro sobe de um país, mais forte tende a ser a sua moeda”, afirmou.

As bolsas americanas também operavam em queda no fim da tarde, com pressão maior sobre as empresas de tecnologia.

Leia também: Bolsas da Europa recuam com petróleo e tensão no Oriente Médio

Diesel aumenta preocupação com inflação

O ambiente piorou durante o dia depois que circulou a informação de que os Estados Unidos poderiam suspender por 90 dias as exportações de diesel. Segundo Horta, a notícia posteriormente foi negada pela Casa Branca, mas chegou a provocar forte reação dos investidores.

A preocupação estava no possível impacto de uma restrição sobre os preços dos combustíveis e, consequentemente, sobre a inflação.

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“O mau humor veio com a notícia da proibição de exportações, porque isso tem um efeito muito prático”, afirmou Horta.

Na avaliação do analista, uma eventual interrupção poderia provocar uma corrida por estoques no curto prazo, especialmente em países importadores do combustível, ampliando a pressão sobre os preços.

O mercado já vinha acompanhando com cautela o impacto da guerra entre Estados Unidos e Irã sobre energia e inflação. Esse ambiente tem sido um dos fatores considerados pelo Federal Reserve ao discutir a trajetória dos juros.

Petróleo sobe e Petrobras limita perdas

Na contramão do índice, Petrobras avançou com a forte valorização do petróleo.

O Brent chegou a subir mais de 4% durante a sessão, enquanto investidores avaliavam o conflito no Oriente Médio e os riscos para a oferta global.

As ações ordinárias da Petrobras subiam 1,37% durante o fechamento acompanhado pelo Times Brasil, ajudando a limitar a queda do Ibovespa.

Horta afirmou que a estatal tem recebido atenção tanto pelo patamar elevado do petróleo quanto pelas expectativas dos investidores para a política econômica depois da eleição.

A avaliação sobre os possíveis efeitos de diferentes resultados eleitorais sobre a companhia representa a leitura do analista e não uma projeção sobre o resultado da disputa.

Leia também: Ouro recua 1,33% em meio à alta do dólar e à pressão dos juros americanos

Dólar dispara e se aproxima de R$ 5,17

O movimento de aversão a risco apareceu com ainda mais força no câmbio.

O dólar fechou em alta de 1,28%, a R$ 5,1682, acompanhando o fortalecimento da moeda americana no exterior. O índice DXY avançava 0,50%, aos 101,104 pontos.

O euro recuava 0,57%, a US$ 1,1385, enquanto a libra perdia 0,76%, a US$ 1,3242.

Além da busca por proteção, o câmbio refletiu a perspectiva de juros americanos mais altos. O mercado elevou as apostas em novo aperto monetário do Fed, enquanto declarações recentes de integrantes do banco central americano reforçaram a preocupação com a persistência da inflação.

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