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Ibovespa cai 0,99% com Treasuries e petróleo em alta; dólar sobe a R$ 5,19 com Fed e caso Master

Publicado 24/09/2026 • 17:44 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Ibovespa caiu 0,99%, aos 183.965,91 pontos, após oscilar entre 183.834,97 e 186.211,43 pontos; volume financeiro somou R$ 19 bilhões.
  • Alta do petróleo e dos rendimentos dos Treasuries aumentou a aversão a risco global e pressionou mercados emergentes.
  • Dólar avançou 0,49%, a R$ 5,1937, com expectativa de novos aumentos de juros pelo Fed e atenção ao cenário eleitoral e ao caso Master.

O Ibovespa fechou em queda nesta quinta-feira (24), pressionado por um novo aumento da aversão a risco no exterior, com o petróleo em alta e os rendimentos dos títulos americanos novamente acima de 5%. No Brasil, investidores também acompanharam o cenário eleitoral e novos desdobramentos do caso Banco Master.

O principal índice da bolsa brasileira recuou 0,99%, aos 183.965,91 pontos, após oscilar entre a mínima de 183.834,97 pontos e a máxima de 186.211,43 pontos. O volume financeiro somou R$ 19 bilhões.

No câmbio, o dólar à vista avançou 0,49%, a R$ 5,1937, depois de variar entre R$ 5,1657 e R$ 5,2019. Às 17h05, o contrato futuro para outubro subia 0,52%, a R$ 5,1985.

Leia também: Ouro recua 0,47% e termina abaixo de US$ 4.300 com avanço do dólar e dos juros dos Treasuries

Juros dos EUA e petróleo pressionam mercados

O movimento desta quinta-feira foi dominado pelo ambiente externo. Os rendimentos dos Treasuries de dez anos voltaram a superar 5%, patamar que não era visto desde 2007, enquanto investidores passaram a considerar a possibilidade de novos aumentos dos juros americanos diante da inflação ainda resistente.

A combinação de juros elevados nos Estados Unidos com petróleo novamente acima de US$ 105 aumentou a procura por ativos considerados mais seguros e reduziu o apetite por mercados emergentes.

Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, David Martins, diretor de investimentos da Brazil Wealth, afirmou que esse movimento foi o principal fator de pressão sobre os ativos brasileiros.

“A gente teve um mercado financeiro registrando um dia de aversão global a risco”, afirmou.

Segundo Martins, os juros americanos mais altos aumentam a atratividade relativa dos títulos dos Estados Unidos e podem estimular a saída de recursos de mercados de maior risco.

“Com essa alta do Treasury, favorece o investidor a levar o seu dinheiro de volta para os Estados Unidos, porque tem uma perspectiva de um rendimento maior em título público”, disse.

Cenário doméstico também aumenta cautela

No Brasil, o mercado também avaliou novos sinais de desaceleração da atividade. O Banco Central reduziu para 1,8% sua estimativa de crescimento do PIB em 2026 no Relatório de Política Monetária divulgado nesta quinta-feira.

Martins afirmou que a combinação de atividade mais fraca, juros ainda elevados e incerteza fiscal também contribuiu para a pressão sobre os juros futuros e sobre o mercado acionário.

No campo político, pesquisas divulgadas nesta quinta continuaram mostrando uma disputa apertada entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).

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Martins avaliou que a estabilização das pesquisas depois do avanço recente de Flávio reduziu parte do impulso que havia levado o Ibovespa para perto dos 188 mil pontos.

“A eleição segue muito incerta”, afirmou.

Caso Master entra novamente nas discussões

Além das pesquisas, novos episódios envolvendo o Banco Master e Daniel Vorcaro foram acompanhados pelos investidores.

Reportagens divulgadas nesta quinta-feira mostraram que Flávio Bolsonaro viajou, em janeiro de 2025, em uma aeronave da qual a Prime You — empresa que tinha Vorcaro como sócio — detinha uma participação. Flávio afirmou que, à época, o avião também pertencia ao advogado Willer Tomaz, seu amigo, que confirmou ser proprietário de um terço das cotas da aeronave.

Martins, porém, disse que não identificou uma reação específica do mercado ao episódio nesta quinta-feira.

“No dia de hoje, ainda não deu para refletir […] uma movimentação específica com relação à eleição”, afirmou. Segundo ele, a aversão a risco global teve peso maior sobre bolsa e câmbio durante a sessão.

O caso Master ganhou ainda outra frente nesta quinta. O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou que a Polícia Federal abra investigação para apurar uma possível omissão da Comissão de Valores Mobiliários na análise de suspeitas relacionadas ao banco. A apuração deverá verificar também eventual interferência indevida em processos decisórios na autarquia.

Martins classificou como negativa para a confiança no mercado qualquer suspeita envolvendo órgãos responsáveis pela fiscalização, mas ressaltou a necessidade de investigação antes de conclusões sobre eventuais responsabilidades.

Leia também: Petróleo sobe mais de 3% e fecha a US$ 106 com incertezas sobre negociações entre EUA e Irã

Dólar sobe com Fed e busca por proteção

A deterioração do ambiente externo apareceu com força no câmbio. O dólar fechou em alta de 0,49%, a R$ 5,1937, e chegou a R$ 5,2019 na máxima da sessão.

A moeda americana também avançou globalmente, sustentada pela perspectiva de juros mais altos nos Estados Unidos. O índice DXY subia 0,17%, aos 101,263 pontos. O euro recuava 0,07%, a US$ 1,1376, enquanto a libra perdia 0,18%, a US$ 1,3220.

No mercado doméstico, as notícias envolvendo o caso Master e a indefinição eleitoral permaneceram entre os fatores acompanhados, embora Martins tenha avaliado que o movimento desta quinta-feira foi explicado principalmente pelo exterior.

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