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Ibovespa cai com pressão sobre Petrobras e inflação acima do esperado

Publicado 27/05/2026 • 17:20 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • A reabertura do Estreito de Ormuz pelo Irã provocou forte queda do petróleo no mercado internacional, afetando as ações da Petrobras e puxando o índice para baixo devido ao peso das petroleiras na Bolsa.
  • Especialistas avaliaram que o IPCA-15 reforçou a percepção de inflação ainda resistente, reduzindo as apostas em cortes mais intensos da taxa Selic no curto prazo e pressionando a curva de juros futuros.
  • Analistas destacaram que o mercado permanece altamente sensível ao cenário internacional, especialmente às tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã, com impacto direto sobre petróleo, dólar e Bolsa brasileira.
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Reprodução

Ibovespa teve queda acentuada na sexta-feira

O Ibovespa encerrou a sessão desta quarta-feira (27) em queda de 0,36%, aos 175.948 pontos, após uma piora quanto às expectativas de paz no Irã e os números da inflação medida pelo IPCA-15 virem piores que o esperado. A queda da cotação do barril de petróleo também fez preço, à medida em que pressionou as ações da Petrobras.

Na madrugada de terça-feira (26) para quarta, a mídia iraniana anunciou a reabertura do Estreito de Ormuz pelo Irã, e o petróleo registrou forte queda no mercado internacional. Isso acabou pressionando as ações das petroleiras nacionais e levaram o restante do índice consigo devido ao peso relevante que elas possuem.

Segundo Leonardo Baldez, economista e fundador da ISF Crédito, a sinalização de avanço diplomático entre Teerã e Washington reduziu a pressão sobre commodities energéticas e melhorou temporariamente o humor dos investidores. “Quando o petróleo cai em meio a um ambiente geopolítico menos tensionado, há uma redução imediata da pressão inflacionária global. Isso ajuda países emergentes como o Brasil, principalmente no comportamento do câmbio e do fluxo estrangeiro”, explica.

Segundo Heitor De Nicola, especialista em renda variável da AVIN, o resultado do IPCA-15 apontou uma desaceleração desejada na economia, mas inferior ao que o mercado previa. “Isso reforça a percepção de uma inflação ainda resiliente, mesmo em um ambiente de atividade mais fraca. Vale lembrar que o IPCA-15 é apenas uma prévia, mas é um dado bastante acompanhado pelos investidores”, ele diz. 

Segundo Olívia de Brás, CEO da Magno Investimentos, a curva de juros reagiu rapidamente ao dado, com os DIs longos voltando a se aproximar da faixa de 14%, e o mercado reduzindo apostas de cortes mais relevantes da Selic no curto prazo. Ela citou que o DI para 2035 girava em torno de 14,01%. “É um número tecnicamente frio e politicamente brutal. Ele significa que o mercado ainda cobra caro para acreditar no Brasil”, afirmou.

Já Baldez afirma que o comportamento dos ativos mostra que, neste momento, o mercado segue extremamente dependente do noticiário internacional. “O investidor continua monitorando inflação e política monetária no Brasil, mas o componente geopolítico voltou a ter peso importante na formação de preços. Qualquer avanço ou deterioração nas relações entre Estados Unidos e Irã tende a impactar diretamente petróleo, dólar e Bolsa nos próximos dias.”

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