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Ibovespa encerra sequência de quedas e minimiza impacto do novo tarifaço dos EUA
Publicado 02/06/2026 • 17:36 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 02/06/2026 • 17:36 | Atualizado há 2 horas
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Reprodução/Canva
O Ibovespa encerrou a sessão desta segunda-feira (2) em alta de 1,71%, aos 174.284, interrompendo a sequência de cinco pregões de recuo. O movimento, em linha com os pares americanos, foi sustentado pelas ações da Vale e das siderúrgicas, e ignorou, quase que completamente, o anúncio de barreiras comerciais de 25% impostas pelo governo dos EUA ao Brasil.
Segundo Sidney Lima da Ouro Preto Investimentos, o alívio da bolsa não reflete uma mudança de tendência, e sim a um ajuste técnico diante de um ambiente externo adverso. Para ele, o mercado demonstra capacidade de absorver o ruído do tarifaço dos EUA e a pressão vinda do petróleo sem reprecificação relevante de risco doméstico.
Lima afirma que o impacto econômico das tarifas é marginal no curto prazo. Portanto, ele diz, o foco dos investidores está mais concentrado na dinâmica inflacionária global e na trajetória de juros, o que explica a liderança de algumas commodities no pregão e a ausência de estresse significativo no câmbio.
Para Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, a reedição do tarifaço ameaça o Brasil via prêmio de risco. “As tarifas têm um impacto muito menor do que o esperado porque vão atingir aproximadamente 25% dos produtos brasileiros. E uma boa parte da nossa pauta exportadora para os Estados Unidos, sobretudo aquelas que têm importância econômica, que afeta o bolso do americano ou estratégica, como terras raras, aeronaves, ficaram de fora”, ele diz.
Mas, mesmo que o efeito comercial direto seja limitado, a medida aumenta a percepção de incerteza sobre o Brasil: como risco de retaliação, piora diplomática, ruído regulatório e possibilidade de piora na relação com os EUA, ele elenca.
“Na minha visão, a bolsa não mostrou reação porque o mercado entende que o impacto efetivo será menor do que o antecipado, em meio a um pregão no qual o Ibovespa parece bastante descontado e após quedas significativas que destravam compras técnicas e pelo noticiário relativo às negociações no Oriente Médio”, explica.
“Mercados costumam subir pelas escadas e descer pelo elevador. Hoje, aparentemente, resolveram testar os dois ao mesmo tempo”, afirma Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos.
O pano de fundo mais relevante veio dos dados de fluxo, diz Flôres. Em maio, investidores estrangeiros retiraram R$ 14,9 bilhões da bolsa de valores do Brasil, a maior saída mensal desde janeiro de 2022.
“O número chama atenção porque contrasta com o forte fluxo positivo observado nos primeiros meses do ano, quando o Brasil foi um dos principais destinos de capital entre os mercados emergentes. O mesmo investidor que comprava Brasil com entusiasmo em janeiro passou a vender Brasil com convicção em maio. Os ativos mudaram pouco. O humor mudou bastante”, ela diz.
Uma leitura superficial sugeriria fuga do Brasil. A leitura correta, segundo Flôres, é mais complexa. Grande parte desse capital entrou no Brasil no primeiro trimestre de forma tática, e não estrutural. O investidor internacional enxergou ativos baratos, juros elevados, dólar enfraquecido e oportunidade de curto prazo. “Quando o cenário global mudou, parte desse dinheiro simplesmente voltou para casa. O dinheiro mais rápido do mundo raramente se apaixona. Ele apenas passa uma temporada”, conclui.
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