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Ibovespa recua 0,18% com debate sobre escala 6×1 e cautela fiscal; dólar sobe a R$ 5,03 após inflação dos EUA
Publicado 14/10/2026 • 17:34 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 14/10/2026 • 17:34 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
O Ibovespa fechou praticamente estável nesta quarta-feira (14), mesmo diante de um ambiente externo mais adverso após a divulgação de uma inflação acima do esperado nos Estados Unidos. No Brasil, investidores também passaram a olhar com maior atenção para o impacto fiscal das propostas apresentadas durante o segundo turno.
O principal índice da bolsa brasileira recuou 0,18%, aos 206.505,98 pontos, depois de oscilar entre 203.463,77 e 207.220,81 pontos. O volume financeiro somou R$ 31,3 bilhões.
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No câmbio, o dólar à vista avançou 0,17%, a R$ 5,0289, após variar entre R$ 5,0190 e R$ 5,0551. Às 17h04, o contrato futuro para novembro tinha leve alta de 0,03%, a R$ 5,0460.
O principal vetor externo do pregão veio dos Estados Unidos. A inflação ao consumidor de setembro acelerou em relação ao mês anterior e levou investidores a reverem as expectativas para os próximos passos do Federal Reserve (Fed, o banco central americano). A leitura pressionou as bolsas americanas, especialmente as ações de tecnologia, e também os títulos de renda fixa.
Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Felipe Corleta, sócio da Brazil Wealth, afirmou que a resistência do mercado brasileiro chamou atenção diante da piora internacional.
“Dado esse cenário, olhar para a bolsa brasileira perto do zero a zero nos faz até pensar que foi um dia positivo, considerando que a bolsa americana cai mais de 1% e que tem todo esse mau humor externo”, disse.
Segundo Corleta, o ambiente internacional também tem sido pressionado pelas taxas de juros elevadas e pelo aumento das preocupações com crédito em economias desenvolvidas.
Corleta destacou a forte demanda por financiamento de projetos ligados à inteligência artificial nos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que o custo do crédito permanece elevado.
Para o analista, esse desequilíbrio aumenta a pressão sobre companhias que precisam levantar grandes volumes de recursos para financiar data centers e outros investimentos relacionados à tecnologia.
Na Europa, ele também citou o aumento da diferença entre os juros dos títulos franceses e alemães, diante das dificuldades fiscais da França.
Segundo Corleta, uma persistência desse estresse nas curvas de juros internacionais pode acabar atingindo o Brasil.
“Se esse movimento de estresse do crédito, das curvas de juros lá fora continuar, isso eventualmente vai sinalizar também talvez uma trajetória mais difícil para a Selic cair aqui no Brasil”, afirmou.
No cenário local, Corleta afirmou que investidores começaram a demonstrar maior preocupação com propostas apresentadas pelas duas campanhas presidenciais e seus possíveis impactos sobre as contas públicas.
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Siga o Times | CNBCSegundo ele, depois da forte movimentação dos ativos na semana passada, o mercado passou a avaliar com mais atenção a viabilidade fiscal das medidas defendidas pelos candidatos.
“Estamos entrando numa fase talvez de um pouco de populismo desse segundo turno”, avaliou.
O cenário eleitoral continua trazendo volatilidade aos ativos, enquanto investidores aguardam novos levantamentos sobre a disputa e buscam entender como as propostas econômicas poderão alterar as perspectivas para gastos, inflação e juros.
Outro tema acompanhado pelo mercado foi a discussão sobre o fim da escala de trabalho 6×1. Corleta afirmou que uma eventual mudança pode afetar principalmente empresas intensivas em mão de obra. Construção civil, varejo, indústria e processamento de alimentos estão entre os segmentos citados pelo analista.
Segundo ele, um aumento do custo por hora trabalhada pode pressionar as margens de empresas que não conseguirem repassar integralmente essas despesas aos consumidores.
Ao mesmo tempo, são justamente alguns desses setores que mais se beneficiam de uma perspectiva de juros menores.
“Fica essa queda de braço, com essas ações muito voláteis”, afirmou.
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Corleta ressaltou que varejo, construção e indústria tiveram fortes valorizações na semana passada e já passaram por uma correção relevante nos últimos pregões.
O dólar avançou a R$ 5,0289 nesta quarta-feira, acompanhando o fortalecimento da moeda americana no exterior e mantendo a correção observada desde o início da semana.
O índice DXY subia 0,34%, aos 102,532 pontos. O euro recuava 0,40%, a US$ 1,1154, enquanto a libra perdia 0,48%, a US$ 1,3190.
A leitura mais forte da inflação americana aumentou a cautela com a trajetória dos juros nos Estados Unidos e favoreceu a moeda americana.
No Brasil, o ambiente político também limitou o desempenho do real, com investidores acompanhando as próximas pesquisas do segundo turno e as sinalizações econômicas das duas campanhas.
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