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Queda de 18%: veja quanto tempo o Ibovespa levou para se recuperar de outros tombos e onde especialistas veem oportunidades
Publicado 31/10/2026 • 07:30 | Atualizado há 35 minutos
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Publicado 31/10/2026 • 07:30 | Atualizado há 35 minutos
KEY POINTS
O Ibovespa encerrou a semana com queda acumulada de 18,12% desde o último pregão antes do segundo turno, uma perda de mais de 37 mil pontos em cinco sessões.
O tombo levou o índice de 205.082,56 pontos, em 23 de outubro, para 167.921,80 pontos nesta sexta-feira (30). Em outros períodos de forte queda, a recuperação da bolsa variou de menos de três meses (após o Joesley Day) a mais de nove anos (depois do pico que antecedeu a crise financeira de 2008).
A queda desta semana também marcou a pior semana para o Ibovespa desde março de 2020. Para retornar aos 205 mil pontos, o índice precisaria agora avançar cerca de 22,1%.
O histórico mostra que o tamanho do tombo não determina sozinho o tempo de recuperação. A natureza da crise, o comportamento dos juros e da economia e, principalmente, o impacto sobre os resultados das empresas ajudam a definir a velocidade da retomada.
Para comparar os episódios, o Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC fez um levantamento, que considera o nível do Ibovespa antes de cada choque e o primeiro fechamento posterior em que o índice voltou a superar esse patamar. Os valores são nominais, sem descontar a inflação.
Na pandemia, a crise nos mercados foi muito maior. O Ibovespa havia atingido 119.527,63 pontos em 23 de janeiro de 2020, então recorde de fechamento. Dois meses depois, em 23 de março, encerrou aos 63.569,62 pontos. A perda foi de aproximadamente 46,8%.
A recuperação do recorde anterior ocorreu em 7 de janeiro de 2021, quando o índice fechou aos 122.385,92 pontos.
Foram 350 dias, pouco menos de um ano, entre o pico anterior à crise e a recuperação completa em termos nominais. Contado a partir do fundo de março, o movimento levou cerca de nove meses e meio.
Naquele período, a retomada foi acompanhada por estímulos monetários e fiscais, avanço no desenvolvimento e aplicação das vacinas e melhora das expectativas para a reabertura das economias.
O caso mais extremo foi o da crise financeira de 2008. Em 20 de maio daquele ano, o Ibovespa fechou aos 73.516 pontos, então máxima histórica.
Cinco meses depois, em 27 de outubro, havia recuado para 29.435 pontos, uma perda de aproximadamente 60%. O próprio Banco Central registrou a dimensão da queda em relatório sobre aquele período.
A bolsa reagiu nos anos seguintes e se aproximou novamente do recorde, mas não conseguiu ultrapassá-lo. Isso só ocorreu em 11 de setembro de 2017, quando o Ibovespa fechou aos 74.319 pontos. A bolsa registrou naquele dia que o recorde anterior ainda era justamente o de maio de 2008.
Ao todo, foram 3.401 dias, ou cerca de nove anos e quatro meses.
Claro que isso não significa que a crise financeira tenha durado todo esse período. Entre 2008 e 2017, o Brasil atravessou diferentes ciclos econômicos, recessão e novos episódios de instabilidade política e fiscal.
Entre os especialistas ouvidos pelo Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, há diferenças sobre o momento de aumentar exposição à bolsa. O ponto em comum é que a queda abriu oportunidades específicas, mas não elimina os riscos para o índice como um todo.
Jayme Simão, sócio-fundador do Hub do Investidor, considera cedo concluir que a bolsa tenha caído demais. Na avaliação dele, boa parte do rali anterior à eleição foi devolvida e o principal risco que continua em aberto é a trajetória das contas públicas.
“Ficaremos mais construtivos com um plano fiscal crível para 2027, que abra espaço para a Selic continuar caindo e para os múltiplos se expandirem”, afirmou.
Para Simão, uma eventual melhora mais consistente depende, portanto, não apenas de preços mais baixos, mas de condições que permitam redução dos juros e reavaliação dos ativos.
Artur Horta, head de análise da GTF Capital, já tem uma leitura mais construtiva para determinadas empresas. Segundo ele, a queda levou vários papéis de volta, ou até abaixo, dos níveis observados meses antes, quando o cenário eleitoral já apontava maior probabilidade de vitória de Lula.
“A gente tem que começar a pensar mais em compras do que em vendas”, afirmou, ao se referir a setores e empresas específicos.
Horta, porém, também vê a definição do próximo ministro da Fazenda como um ponto relevante para uma melhora mais ampla da percepção de risco. Na avaliação dele, um nome capaz de transmitir maior confiança sobre a condução econômica teria potencial para melhorar o humor do mercado.
Hugo Queiroz, sócio da L4 Capital, fica entre essas duas leituras. Ele considera os valuations muito baixos depois da correção, mas entende que ainda falta clareza sobre política fiscal, condução da economia e impacto da desaceleração sobre os resultados das empresas.
Siga o Times | CNBC no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo.
Siga o Times | CNBC“Ainda é cedo porque a gente não tem a certeza do cenário para frente”, afirmou.
Na avaliação de Queiroz, sem um gatilho capaz de reduzir a percepção de risco, o Ibovespa pode continuar lateralizado e pressionado, com possibilidade de correções adicionais.
Mesmo sem consenso sobre o piso da bolsa, os três gestores já identificam papéis que consideram excessivamente penalizados.
Simão cita BTG Pactual, Itaú e Equatorial.
Segundo ele, BTG e Itaú mantêm retorno sobre patrimônio acima de 20%, capital robusto e capacidade de preservar resultados mesmo em um ambiente de juros elevados.
Na Equatorial, a tese está apoiada na receita regulada, corrigida pela inflação, e no histórico de execução. Para o gestor, a companhia sofreu mais com a deterioração geral do humor do mercado do que com uma mudança relevante em seus fundamentos.
Horta também destaca o setor de utilities, que reúne empresas de energia e saneamento.
Ele cita Axia e Engie entre os nomes que passaram a negociar em níveis que considera atrativos depois da saída de investidores e da queda generalizada da bolsa.
O especialista também vê oportunidade em parte das construtoras e menciona Cyrela entre as empresas que passaram a negociar a múltiplos historicamente baixos, embora reconheça que a demanda ainda pode perder força.
Queiroz concentra parte das oportunidades nas small caps. Ele cita Simpar, Randon e Kepler Weber entre empresas em que considera que a queda foi além da deterioração dos fundamentos.
Entre as companhias maiores, destaca Bradesco, além de nomes de utilities como Sabesp e Sanepar. Também vê espaço em empresas ligadas a petróleo e exportação diante do câmbio mais elevado.
O argumento de Queiroz é que uma economia fraca não necessariamente produz o mesmo efeito em todas as companhias listadas. “Bolsa não é PIB, PIB não é bolsa”, afirmou.
Segundo ele, empresas com melhor acesso a financiamento e estruturas de capital mais fortes podem inclusive ganhar mercado de concorrentes mais frágeis em períodos de desaceleração.
É justamente aí que surge o principal risco para quem tenta comprar depois do tombo. Uma ação pode parecer barata porque o preço caiu, mas deixar de parecer atrativa caso as projeções de lucro também sejam reduzidas.
Simão vê maior vulnerabilidade nas empresas mais alavancadas, sobretudo aquelas com dívidas atreladas ao CDI, e em segmentos dependentes de crédito e consumo.
Ele menciona varejo e incorporadoras de média renda entre os setores que podem sentir mais os efeitos de juros elevados e demanda enfraquecida.
Nesse cenário, o múltiplo baixo pode se tornar uma armadilha se o denominador da conta, o lucro, também cair.
O executivo também pede cautela com o Banco do Brasil. Apesar do preço baixo, avalia que as dificuldades no agronegócio ainda podem pressionar as provisões do banco.
Horta faz uma leitura semelhante sobre endividamento. Na avaliação dele, empresas que dependiam simultaneamente de crescimento das vendas e queda dos juros podem sofrer uma pressão dupla: receita menor pela desaceleração da demanda e resultado financeiro pior pelo custo elevado da dívida.
Ele coloca educação, saúde e varejo entre os setores que exigem análise mais cuidadosa, especialmente quando as empresas apresentam maior endividamento.
Queiroz também vê risco adicional no varejo, em parte do setor de serviços e na construção civil, justamente pela maior dependência de crédito, consumo e atividade econômica.
Ele ainda cita Banco do Brasil como um papel que pode parecer barato, mas no qual enxerga riscos adicionais.
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