CNBC

CNBCBinance: por que o bitcoin resistiu melhor ao maior ataque hacker da história?

Bolsa de Valores

Vinicius Torres Freire: bolsa tem pior semana pós-eleição em 37 anos

Publicado 30/10/2026 • 22:05 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Real se desvalorizou 8,4% na semana e movimento brasileiro destoou de outras moedas relevantes
  • Torres Freire avalia que qualquer sinal positivo do governo pode aliviar parte das perdas, mas não vê perspectiva de ajuste fiscal estrutural
  • Juros elevados por mais tempo podem limitar investimento, crédito, emprego e crescimento nos próximos anos

A bolsa brasileira encerrou a pior semana pós-eleição em 37 anos, em meio a uma forte deterioração dos ativos domésticos após o segundo turno, afirmou Vinicius Torres Freire, analista de política e economia do Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.

“Na bolsa, foi a pior [semana] em 37 anos”, afirmou. Segundo ele, a piora também atingiu o câmbio e o mercado de juros, com movimentos que não eram vistos havia cerca de duas décadas.

O analista destacou ainda a intensidade da desvalorização do real. O dólar subiu 8,4% na semana no Brasil.

“Em geral é feita uma comparação com 36 moedas mais relevantes do mundo. E a outra moeda, a segunda moeda que mais desvalorizou nessa semana, foi o peso da Colômbia, 1,5%. Brasil, dólar-real, 8,4%, e 1,5% na Colômbia, para você ver que o Brasil foi um caso especial”, disse.

Para Torres Freire, parte da intensidade do movimento está ligada à mudança abrupta de expectativas após o resultado eleitoral.

“É claro que esse caso foi especial porque teve uma reviravolta muito grande, inédita, recorde e excepcional na eleição do Brasil”, afirmou.

Mercado busca sinal positivo

Apesar das perdas, Torres Freire avalia que o mercado está sensível a qualquer sinal capaz de reduzir a incerteza sobre a política econômica do quarto governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

“O mercado está até esperando qualquer pequena notícia para sair do buraco, porque tem muita gente machucada ainda. Então, qualquer pequena boa notícia pode ajudar”, afirmou.

O problema, segundo ele, é que até agora não há indicação de um ajuste fiscal estrutural capaz de mudar de forma relevante a trajetória das despesas.

Na avaliação do analista, o governo resiste a medidas que limitem o crescimento de gastos obrigatórios, especialmente benefícios previdenciários e despesas relacionadas a saúde e educação.

“O que vai vir, provavelmente, na melhor das hipóteses, é um remendo”, disse.

Segundo ele, uma solução parcial pode evitar uma crise imediata, mas apenas adiaria a necessidade de novas medidas.

“Se você fizer um bom remendo, você pode empurrar o problema com a barriga. Esse remendo vai ter que ser refeito em 2028, porque os gastos obrigatórios vão estar crescendo”, afirmou.

Juros altos podem limitar investimento

Para Torres Freire, a principal consequência de um ajuste fiscal limitado será a manutenção das taxas de juros de médio e longo prazo em níveis elevados.

“As taxas de juros de médio e longo prazo não vão cair. E se essas taxas, que são custos de financiamento da dívida do governo, não caírem, as outras não caem também”, disse.

Times Brasil - CNBC

Siga o Times | CNBC no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo.

Siga o Times | CNBC

Isso tende a manter elevado o custo do crédito para empresas e famílias e limitar novos investimentos.

“Se as taxas de juros e investimento vão ficar limitados, você tem um efeito de contaminação. As expectativas de crescimento vão diminuir, a confiança de contratar pessoas vai diminuir e você tem uma bolinha de neve se formando”, afirmou.

Na avaliação de Torres Freire, esse ambiente pode manter o país em um período prolongado de baixo crescimento.

“A gente pode ter uma situação de crescimento baixo a perder de vista”, disse.

Economia fica mais exposta a choques externos

Torres Freire também afirmou que a fragilidade fiscal aumenta a exposição do Brasil a acontecimentos externos.

Ele citou como riscos uma turbulência financeira internacional, nova desvalorização do real, choques nos preços de commodities ou problemas na safra brasileira.

“Se tem algum rolo financeiro grande no mundo, Estados Unidos, se você tem uma desvalorização do real adicional causada por problema lá fora, o problema é pior”, afirmou.

Para o analista, um cenário fiscal mais frágil reduz a capacidade do país de absorver esses choques.

“Dá para fazer um remendo, mas essa é a situação e a gente fica sujeito a risco. Esse é o grande problema que a gente está enfrentando agora”, disse.

Corte da Selic seria ‘muita ousadia’

O analista também falou sobre a reunião do Banco Central prevista para a próxima quarta-feira e afirmou que a maior parte das apostas financeiras está concentrada na manutenção da Selic.

Segundo ele, entre 60% e 65% das posições de mercado apontam para juros inalterados.

Diante da pressão cambial, dos preços do petróleo, da incerteza fiscal e das expectativas de inflação, Torres Freire considera arriscado um novo corte de 0,25 ponto percentual.

“Em ambiente de incerteza, as expectativas de inflação ainda desancoradas, risco, preço de petróleo, dólar, vai ser muita ousadia do Banco Central cortar 0,25%”, afirmou.

Para ele, mesmo que o Banco Central considere que ainda existe espaço para reduzir a Selic mais adiante, a autoridade monetária pode optar por esperar a reação dos mercados e as primeiras medidas econômicas do novo governo.

“Talvez seja o caso de esperar para ver”, concluiu.

📌 ONDE ASSISTIR AO MAIOR CANAL DE NEGÓCIOS DO MUNDO NO BRASIL:


🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais

🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562

🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube

🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Zapping | Novos Streamings

Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no

MAIS EM Bolsa de Valores