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Novo modelo do Vale do Silício para aquisições impulsionadas por IA chega a Wall Street
Publicado 08/06/2026 • 23:00 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 08/06/2026 • 23:00 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
Fundos de venture capital estão comprando empresas tradicionais para acelerar sua transformação por meio da inteligência artificial, em vez de simplesmente vender soluções de IA para elas.
A estratégia aposta na aquisição de companhias consolidadas e na reconstrução de seus processos a partir da inteligência artificial, promovendo mudanças internas profundas.
Essa abordagem coloca os fundos de venture capital na ofensiva e deixa o setor tradicional de private equity em posição defensiva, após anos comprando empresas de software corporativo a avaliações elevadas.
No Vale do Silício, a estratégia é conhecida como “AI rollup”.
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Nos últimos seis meses, ela chegou ao mercado público em duas operações relevantes: a aquisição da Janus Henderson pela General Catalyst e pela Trian por US$ 7,6 bilhões (R$ 39,4 bilhões) em dezembro, e o acordo da Long Lake Management para fechar o capital da American Express Global Business Travel por US$ 6,3 bilhões (R$ 32,7 bilhões), com prêmio de 65%, anunciado em maio.
Madhu Namburi, diretor-gerente da General Catalyst, chama a estratégia de “serviço como software”.
O conceito faz referência ao modelo software como serviço (SaaS), que tornou empresas de tecnologia altamente lucrativas ao permitir crescimento sem aumento proporcional de custos. Os AI rollups tentam aplicar a mesma lógica a empresas de serviços.
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Os fundos de venture capital vêm adotando essa estratégia desde 2023, principalmente em empresas privadas.
A General Catalyst, que apoia a Long Lake ao lado da Alpha Wave, ajudou a criar cerca de uma dúzia desses veículos de aquisição.
A Thrive Capital, de Joshua Kushner, também utiliza o modelo por meio da Thrive Holdings, que administra mais de US$ 1 bilhão (R$ 5,2 bilhões) em capital. Recentemente, a empresa investiu em um projeto de consolidação de escritórios regionais de contabilidade utilizando inteligência artificial.
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Lightspeed e Andreessen Horowitz também começaram a explorar a estratégia, embora ainda estejam em estágio inicial.
Os alvos costumam ter uma característica em comum: atuam em setores onde a adoção de software foi mais lenta, como saúde, contabilidade, seguros, atendimento ao cliente, administração imobiliária e construção civil.
Isso também altera o perfil dos investidores aptos a realizar esse tipo de negócio.
O private equity tradicional é baseado em engenharia financeira, utilizando alavancagem e ganho de eficiência para aumentar margens. Já os AI rollups são construídos em torno do crescimento, utilizando inteligência artificial para ampliar equipes voltadas ao cliente e financiar novas aquisições.
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A Long Lake é vista como um dos exemplos mais claros dessa estratégia.
Com apenas três anos de existência, a companhia já adquiriu mais de 30 empresas em áreas como gestão de associações residenciais, construção civil e viagens corporativas.
A empresa opera uma plataforma própria de inteligência artificial chamada Nexus, desenvolvida para atender fluxos de trabalho específicos de cada setor.
Segundo o CEO da Long Lake, Alex Taubman, a Nexus apresenta desempenho até cinco vezes superior ao de modelos de uso geral como Claude ou ChatGPT em avaliações internas da empresa.
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Além da tecnologia, a tese da companhia é que possuir as empresas e manter engenheiros trabalhando dentro delas por anos torna a transformação mais duradoura.
Muitos dos engenheiros da Long Lake vieram de empresas como Ramp e Palantir, conhecidas por manter equipes trabalhando diretamente com clientes por longos períodos.
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Seguir no GoogleO movimento contrasta com a estratégia adotada pelo private equity nos primeiros anos da década.
Grandes gestoras compraram empresas de software corporativo por múltiplos elevados apostando que a receita recorrente do modelo SaaS seria uma das fontes de caixa mais seguras do mercado.
Entre os exemplos estão a compra da Citrix pela Vista, a aquisição da Anaplan e da Coupa pela Thoma Bravo, além da compra da Qualtrics pela Silver Lake.
Três anos depois, essas empresas estão entre as mais expostas às transformações provocadas pela inteligência artificial.
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Como resposta, surgiram parcerias entre empresas de IA e grandes investidores, incluindo acordos envolvendo Anthropic, Blackstone, Hellman & Friedman, Goldman Sachs, além de uma iniciativa paralela com a OpenAI, apoiada por Apollo e General Atlantic.
O modelo dos AI rollups também enfrenta desafios.
O primeiro está relacionado aos retornos. Empresas operacionais costumam gerar retornos entre 100% e 200% ao longo de períodos extensos, muito abaixo dos retornos de múltiplas vezes o capital investido frequentemente prometidos pelos fundos de venture capital.
O segundo risco está na execução.
Gestoras como Vista e Thoma Bravo passaram décadas desenvolvendo equipes especializadas em administrar empresas fechadas. Já os fundos de venture capital têm tradição em investir em startups, e não necessariamente em operar negócios maduros.
Taubman rebate essa preocupação com uma frase que resume a velocidade atual da transformação tecnológica.
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“Três anos em inteligência artificial equivalem, na prática, a três décadas do período anterior à IA.”
Segundo os defensores da estratégia, o próximo grande ciclo de fechamento de capital já começou.
A diferença é que ele não está acontecendo nas empresas de software, mas nas companhias tradicionais e pouco tecnológicas que operam por trás delas.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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