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Fed, petróleo e emprego concentram atenções dos mercados nesta semana

Publicado 26/07/2026 • 20:00 | Atualizado há 44 minutos

KEY POINTS

  • Federal Reserve anuncia sua decisão de juros na quarta-feira (29), em meio à alta do petróleo e à resiliência da economia americana.
  • IPCA-15 abre uma sequência de indicadores brasileiros que inclui desemprego, emprego formal, inflação no atacado e contas externas.
  • PIB e inflação dos Estados Unidos, além dos balanços de Microsoft, Meta e Amazon, podem ampliar a volatilidade dos mercados.
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Ajay Suresh / Wikimedia Commons

Federal Reserve em Chicago, EUA

A última semana de julho terá decisões e indicadores capazes de alterar as expectativas para juros, inflação e crescimento no Brasil e nos Estados Unidos.

O principal evento será a decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), na quarta-feira (29). No Brasil, os mercados acompanharão o IPCA-15, as contas externas, a taxa de desemprego, o Novo Caged e o IGP-M.

A agenda externa também terá a primeira estimativa do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos no segundo trimestre e uma nova leitura do índice de preços PCE, referência de inflação para o Fed. Microsoft, Meta e Amazon estão entre as empresas de tecnologia que divulgarão balanços.

Fed decide juros sob pressão do petróleo

O comitê de política monetária do Fed inicia reunião na terça-feira (28) e anuncia a decisão sobre no dia seguinte. A taxa básica americana está atualmente no intervalo entre 3,5% e 3,75% ao ano.

Na reunião de junho, a autarquia manteve os juros e afirmou que a atividade econômica seguia em expansão sólida, enquanto a inflação permanecia acima da meta de 2%.

A Análise Econômica considera improvável uma elevação dos juros nesta reunião. A manutenção da taxa, porém, não elimina a importância do comunicado e da entrevista concedida após a decisão.

O mercado buscará sinais sobre como o Fed avalia a combinação entre atividade econômica resistente e novos riscos inflacionários. A alta recente do petróleo pode elevar custos de produção, transporte e combustíveis, dificultando uma queda mais rápida da inflação.

Segundo o relatório, o barril superou US$ 100 na última semana após a retomada das hostilidades no Oriente Médio e novos entraves logísticos na região do estreito de Bab el-Mandeb. Caso o choque persista, o efeito pode se somar aos riscos do El Niño sobre alimentos e geração de energia.

Uma decisão sem alteração nos juros não deve encerrar o debate. O foco estará na avaliação do banco central sobre a duração do choque de energia e sobre a necessidade de manter uma política monetária mais restritiva.

Leia também: Fed deve manter juros estáveis enquanto inflação e conflito com Irã elevam pressão sobre política monetária

IPCA-15 testa desaceleração da inflação

No Brasil, a agenda começa a ganhar força na terça-feira (28), com a divulgação do IPCA-15 de julho pelo IBGE. O índice é considerado uma prévia da inflação oficial do país.

Em junho, o IPCA-15 ficou em 0,41%, abaixo dos 0,62% registrados em maio. A desaceleração foi influenciada principalmente por movimentos em alimentos, habitação e transportes.

A Análise Econômica projeta uma nova perda de ritmo em julho, para perto de 0,20%. Caso se confirme, será uma das menores variações mensais desde outubro do ano passado.

Alimentos e combustíveis devem contribuir para o resultado mais baixo. Os preços da alimentação voltaram ao campo deflacionário nas leituras recentes, enquanto parte do choque anterior sobre a energia perdeu força durante o período de coleta.

O número, porém, poderá oferecer uma fotografia mais favorável do que as perspectivas para os próximos meses. A alta do petróleo e de commodities agrícolas representa um risco de reversão da desinflação no segundo semestre.

Petróleo pode reduzir déficit externo

O Banco Central também divulga na terça-feira as estatísticas do setor externo referentes a junho. A publicação inclui o resultado das transações correntes e os investimentos diretos no país.

Em maio, o Brasil registrou déficit de US$ 3,2 bilhões nas transações correntes, que reúnem as movimentações de bens, serviços e rendas com o exterior. No acumulado de 12 meses, o saldo negativo chegou a US$ 64,1 bilhões, equivalente a 2,6% do PIB.

A Análise Econômica estima que o déficit tenha diminuído para aproximadamente US$ 1,7 bilhão em junho, favorecido por um superávit comercial próximo de US$ 9,5 bilhões.

O petróleo aparece nos dois lados da agenda econômica. Enquanto a alta das cotações representa risco para a inflação, o aumento das exportações brasileiras pode melhorar a balança comercial e as contas externas.

Entre janeiro e junho, o Brasil exportou cerca de US$ 27,9 bilhões em petróleo bruto, segundo os dados compilados pela consultoria, aproximadamente 30% acima do registrado no mesmo período de 2025. Alerta #242 – Press Release.pdf

O relatório também projeta ingresso de aproximadamente US$ 4 bilhões em investimentos diretos no país em junho. O resultado ajudará a mostrar quanto do déficit externo continua financiado por capital voltado à atividade produtiva.

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Desemprego e Caged medem força do mercado de trabalho

A quinta-feira (30) concentrará os principais indicadores de emprego no Brasil.

O IBGE divulgará a PNAD Contínua referente ao trimestre encerrado em junho, enquanto o Ministério do Trabalho apresentará os dados do Novo Caged do mesmo mês.

No trimestre até maio, a taxa de desemprego ficou em 5,6%, o melhor resultado para o período desde o início da série histórica, em 2012. O índice permaneceu praticamente estável diante dos 5,8% observados no trimestre móvel anterior e caiu 0,6 ponto percentual em um ano.

A Análise Econômica estima uma nova queda, para 5,5%. O resultado manteria o desemprego próximo dos menores níveis da série, mesmo diante da desaceleração de outros indicadores de atividade.

O Caged poderá mostrar uma fotografia diferente. A projeção é de criação líquida de aproximadamente 100 mil vagas com carteira assinada em junho.

Caso a estimativa se confirme, o país terá gerado cerca de 30% menos empregos formais no primeiro semestre do que no mesmo período de 2025. O movimento indicaria perda de velocidade nas contratações, ainda que o estoque total de trabalhadores ocupados permaneça elevado.

A combinação de desemprego baixo com menor criação de vagas formais pode apontar para um mercado ainda resistente, mas em processo gradual de acomodação. Para a política monetária, a força do emprego importa porque sustenta renda, consumo e inflação de serviços.

Leia também: Capital estrangeiro retorna à bolsa brasileira com expectativa de queda dos juros

IGP-M pode registrar segunda deflação

A Fundação Getulio Vargas divulgará também na quinta-feira (30) o IGP-M de julho. O índice caiu 0,50% em junho e acumulava alta de 3,16% em 12 meses.

A Análise Econômica projeta uma queda mais intensa, de 1,42%, o que representaria a segunda deflação mensal consecutiva.

O movimento deve refletir principalmente a redução de preços no atacado durante o período de coleta. O IGP-M tem peso relevante de produtos agropecuários e industriais e, por isso, costuma responder mais rapidamente às mudanças no câmbio e nas commodities.

Essa característica também torna incerta a continuidade da queda. A valorização do petróleo e de produtos agrícolas pode voltar a pressionar o indicador nos próximos meses, mesmo que julho registre uma deflação forte. Alerta #242 – Press Release.pdf

PIB dos EUA sai um dia após o Fed

Na quinta-feira, o Departamento de Comércio dos Estados Unidos divulgará a primeira estimativa do PIB do segundo trimestre e os dados de renda, consumo e inflação PCE de junho.

O modelo GDPNow, do Federal Reserve de Atlanta, estimava expansão anualizada de 1,7% no segundo trimestre em sua atualização de 17 de julho. A projeção havia superado 4% em maio, mas perdeu força com a incorporação de novos indicadores.

Parte da desaceleração pode estar relacionada ao aumento das importações antes da entrada em vigor de novas tarifas. Empresas anteciparam compras externas para reduzir a exposição às barreiras comerciais, segundo a avaliação apresentada pela Análise Econômica.

Como as importações são descontadas no cálculo do PIB, esse movimento tende a reduzir a contribuição do setor externo para o crescimento, ainda que parte das mercadorias tenha sido destinada à formação de estoques.

Balanços de big techs completam a agenda

A temporada de resultados corporativos dividirá a atenção com os indicadores econômicos.

Microsoft e Meta divulgam seus balanços na quarta-feira (29), após o fechamento dos mercados americanos. A Amazon apresenta os números do segundo trimestre na quinta-feira.

Os investidores deverão acompanhar o crescimento das operações de computação em nuvem, os investimentos em infraestrutura de inteligência artificial e as projeções de gastos das empresas.

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