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Capital estrangeiro retorna à bolsa brasileira com expectativa de queda dos juros

Publicado 26/07/2026 • 14:30 | Atualizado há 56 minutos

KEY POINTS

  • Entrada líquida de capital externo somou R$ 2,351 bilhões na primeira quinzena de julho.
  • Indicadores de inflação e atividade reforçaram apostas de corte da Selic e atraíram investidores.
  • Analistas alertam que cenário eleitoral e juros nos EUA ainda podem limitar a retomada.

O investidor estrangeiro voltou a direcionar recursos para a Bolsa brasileira em julho, interrompendo dois meses consecutivos de retirada de capital. Na primeira quinzena do mês, o saldo líquido das aplicações externas na Bolsa de Valores de São Paulo ficou positivo em R$ 2,351 bilhões, movimento impulsionado tanto por fatores técnicos quanto por uma melhora na percepção sobre o cenário econômico doméstico.

Segundo analistas ouvidos pelo Broadcast, do Grupo Estado, parte desse fluxo representa uma recomposição natural das posições após a saída de R$ 7,785 bilhões registrada em junho, a maior retirada mensal de recursos estrangeiros em quase um ano. Ao mesmo tempo, indicadores recentes da economia passaram a reforçar a expectativa de desaceleração da atividade e de continuidade do ciclo de redução dos juros.

A divulgação do IPCA de junho, que mostrou inflação abaixo do esperado, fortaleceu a percepção de que o Comitê de Política Monetária (Copom) poderá promover um novo corte de 0,25 ponto porcentual na Selic na reunião de agosto, perspectiva considerada favorável para o mercado acionário.

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Bolsa segue atrativa

Outro fator apontado pelos especialistas é o valuation da Bolsa brasileira. Na avaliação do estrategista de renda variável da Genial, Filipe Villegas, o mercado continua negociando a preços considerados atrativos e com baixo nível de alocação por parte dos investidores.

Das doze sessões de negociação realizadas em julho até o momento do levantamento, oito registraram entrada líquida de capital estrangeiro. O maior ingresso ocorreu em 10 de julho, justamente após a divulgação do IPCA, quando a B3 recebeu R$ 1,521 bilhão em recursos externos.

O estrategista de ações da XP Investimentos, Raphael Figueredo, afirmou que os dados de inflação ajudaram a melhorar o humor do mercado.

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“Vimos algum sinal de melhora, como foi naquela sexta-feira, quando saiu a notícia boa do IPCA. Houve entrada de R$ 1,521 bilhão, marcando a maior entrada líquida desde quando começou o grande movimento de saída, que foi no dia 15 de abril.”

Geopolítica favorece o Brasil

O cenário internacional também tem contribuído para o desempenho da Bolsa brasileira. Embora os conflitos geopolíticos aumentem a incerteza global, países exportadores de commodities, especialmente petróleo, acabam sendo relativamente beneficiados.

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Figueredo avalia que, apesar do ambiente macroeconômico mais desafiador, o Brasil consegue preservar parte de sua atratividade por conta da composição do mercado local. Segundo ele, esse contexto ajudou o Ibovespa a permanecer na faixa entre 175 mil e 178 mil pontos nos últimos dias.

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Em 2026, o capital estrangeiro continua sendo um dos principais responsáveis pela valorização da Bolsa. Apenas em janeiro, os investidores internacionais aportaram R$ 26,314 bilhões, volume superior ao registrado durante todo o ano de 2025. Até abril, o ingresso acumulado se aproximava de R$ 70 bilhões, antes da desaceleração observada nos meses seguintes. No ano, o Ibovespa acumula alta de 8%.

Riscos permanecem no radar

Apesar da melhora recente, analistas mantêm postura cautelosa. A Genial destaca que a Bolsa segue bastante sensível às oscilações do fluxo internacional e recomenda uma estratégia mais defensiva, priorizando ativos líquidos, empresas pagadoras de dividendos e exposição ao dólar como proteção.

Outro fator de atenção é a política monetária dos Estados Unidos. Caso o Federal Reserve (Fed) mantenha juros elevados por mais tempo, os recursos destinados aos mercados emergentes podem se tornar mais seletivos.

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Ainda assim, parte do mercado vê espaço para maior diversificação geográfica dos investimentos, diante da percepção de menor concentração em ativos americanos. Nesse cenário, o Brasil continua sendo considerado um mercado descontado em relação a outros países.

O fundador do Market Makers, Thiago Salomão, avalia que o avanço da inteligência artificial explica mais a migração de recursos para empresas de tecnologia do que um eventual retorno desses investimentos ao Brasil. Para ele, o desempenho do mercado brasileiro dependerá mais dos fundamentos locais, incluindo a temporada de balanços do segundo trimestre.

Já o Citi considera o Brasil uma alternativa de proteção indireta à forte exposição global ao setor de tecnologia, enquanto o Bank of America (BofA) avalia que, embora a América Latina ainda não concentre um fluxo relevante de recursos globais, os fundos dedicados ao Brasil voltaram a registrar entradas de US$ 100 milhões (R$ 508 milhões) nos primeiros dias de julho, revertendo parte das saídas observadas ao longo do primeiro trimestre.

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